Ministério e seleção: faltam craques

Carlos Chagas

Onde a seleção brasileira de futebol do técnico Mano Meneses e o ministério da presidente Dilma Rousseff se parecem? Na escalação. Porque jamais poderemos esperar sucesso na Copa do Mundo de 2014 com David Luiz, Marcelo, Sandro, Hernandez, Fernandinho, Hulk, Elias e outros de quem o torcedor jamais ouviu falar como craques.

No reverso da medalha, chegará o governo naquele mesmo ano à vitória nas urnas, funcionando com ministros que por caridade não vamos fulanizar, mas tão deslocados em suas funções como a maioria dos integrantes do time que deu vexame diante da Bósnia-Herzegovina?

No ministério, alguns bissextos craques continuam jogando mal, como Ronaldinho, Neymar e Julio César na seleção. É preciso que cada ministro, como cada jogador, ocupe a posição com as qual se encontra familiarizado e já brilhou, tendo demonstrado capacidade em seu clube de origem.

Apenas um exemplo, que aliás vem desde a posse de Dilma: Ideli Salvatti, Luis Sérgio e agora Marcelo Crivella tem alguma coisa a ver com a pesca? Jamais seguraram um caniço ou manipularam um anzol. Tem sido escalados apenas para acomodações partidárias, sem o menor compromisso com a performance de seu ministério.

A costa atlântica e os rios que cortam o Brasil são ricos em peixes que não precisam ser cuidados, carecem de pastos, vacinas, invernadas e até galinheiros. Dariam para alimentar nossa população inteira, mas há séculos que constituem refeição cara, inacessível a muita gente. Há tudo o que fazer no ministério da Pesca, mas, com todo respeito, não será com orações.

Com as exceções de sempre, multiplique-se essa situação pela maior parte do governo. Depois, não se reclame dos resultados eleitorais, assim como do fracasso no futebol…

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INVERSÃO PERIGOSA

Nos partidos da base do governo prevalece a regra de que quem decide não é votado, e quem é votado, não decide. O problema está em que a presidente Dilma obriga-se a dialogar com caciques carentes de representatividade eleitoral. Julgam-se donos das capitanias hereditárias e pressionam o Executivo por mais espaços no ministério, até chantageando o palácio do Planalto. Suas bases, no Congresso e nas Assembléias, participam cada vez menos das suas decisões. Seria bom prestar atenção.

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SEM DESDOBRAMENTO

Deverão ser advertidos pelos respectivos comandantes das forças armadas os 96 oficiais que assinaram manifesto de crítica ao governo. Se ficar o episódio restrito a um carão epistolar, tudo indica que não haverá desdobramento. O problema poderá agravar-se quando começar a funcionar a Comissão da Verdade, dependendo das nomeações dos seus sete integrantes pela presidente Dilma. Não pode ser ninguém das forças armadas, como nenhum daqueles que formaram na resistência ao regime militar e, na ocasião, foram punidos e torturados.

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E AGORA, JOSÉ?

José Serra comentou estar adormecida mas não sepultada sua pretensão de candidatar-se à presidência da República, disposto a permanecer quatro anos na prefeitura de São Paulo. Falou como se já estivesse eleito sucessor de Gilberto Kassab, o que pode constituir-se num risco.

Claro que mesmo sem ser candidato, vinha liderando as pesquisas, mas contar com o ovo ainda na barriga da galinha, além de prematuro, é arrogante. Tudo indica que haverá segundo turno nas eleições paulistanas, como, pela lógica, a disputa seria entre Serra e Fernando Haddad, caso não prossiga a aventura Tiririca.

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