Ministério Público do DF denuncia Lula e o filho mais novo na Operação Zelotes

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Luís Cláudio se orgulha de seguir os passos de seu paí

Lucas Salomão e Mariana Oliveira
G1 e TV Globo

O Ministério Público Federal em Brasília (MPF-DF) informou nesta sexta-feira (9) que denunciou à Justiça o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e o filho dele Luiz Cláudio Lula da Silva pelos crimes de tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A denúncia foi apresentada no âmbito da Operação Zelotes.

De acordo com o MPF, a denúncia foi feita após as investigações apontarem indícios de envolvimento do petista e de seu filho, além de Mauro Marcondes e Cristina Mautoni – que também foram denunciados – em negociações apontadas pelos investigadores como irregulares e que levaram à compra de 36 caças do modelo Gripen pelo governo brasileiro.

Também há indícios de irregularidades na prorrogação de incentivos fiscais destinados a montadoras de veículos por meio de uma Medida Provisória.

NA GESTÃO DILMA – Segundo o MPF, os crimes foram praticados entre 2013 e 2015, quando Lula já era ex-presidente. O Ministério Público afirma que ele integrou um esquema que visava beneficiar empresas automotivas, clientes da Marcondes e Mautoni Empreendimentos e Diplomacia LTDA (M&M). De acordo com as investigações, o ex-presidente prometia interferir junto ao governo federal para beneficiar as empresas.

Em troca, o casal Mauro Marcondes e Cristina Mautoni, donos da M&M, teriam repassado ao filho de Lula pouco mais de R$ 2,5 milhões.

Veja abaixo por quais crimes cada um dos quatro envolvidos foram denunciados:

Luiz Inácio Lula da Silva – tráfico de influência (três vezes), lavagem de dinheiro (nove vezes), organização criminosa;

Luis Cláudio Lula da Silva – lavagem de dinheiro (nove vezes) e organização criminosa;

Mauro Marcondes – tráfico de influência (três vezes), lavagem de dinheiro (nove vezes), organização criminosa e evasão de divisas (uma vez);

Cristina Mautoni – tráfico de influência (três vezes), lavagem de dinheiro ( nove vezes), organização criminosa e evasão de divisas (três vezes).

RELAÇÃO TRIANGULAR – O MPF diz na denúncia ter encontrado indícios da existência de “uma relação triangular” entre os investigados formada por clientes da M&M (que aceitaram pagar cifras milionárias por acreditar na promessa de que poderiam obter vantagens do governo federal”; pelos intermediários (Mauro Marcondes, Cristina Mautoni e Lula); e pelo agente público que poderia tomar as decisões que beneficiariam os primeiros (a então presidente da República Dilma Roussef).

Durante as investigações, porém, não foram encontrados indícios de que Dilma tivesse conhecimento do esquema criminoso.

COMPRA DE CAÇAS – Em 2014, o governo brasileiro comprou 36 caças da empresa sueca Saab destinados à Força Aérea Brasileira (FAB) por US$ 5,4 bilhões, após mais de uma década de negociações entre o governo e outras duas concorrentes: a americana Boeing, que segundo o MPF era a empresa preferida da então presidente Dilma Rousseff para firmar o negócio, e a francesa Dassault, que chegou a ser anunciada por Lula como a vencedora da licitação em 2009.

De acordo com o MPF, durante as investigações, documentos e depoimentos colhidos apontam que o processo de compra dos aviões tornou-se mais político do que técnico e contou com a interferência de Lula em favor da empresa sueca.

A denúncia afirma ainda que a empresa sueca, que fechou o contrato de venda dos caças, tinha um contrato indireto com a M&M e que, em agosto de 2012, passou a trabalhar diretamente com os brasileiros.

ADIANTAMENTO – As investigações realizadas por integrantes da força tarefa da Operação Zelotes revelaram que, ao todo, a M&M recebeu da SAAB € 1,84 milhão, sendo € 744 mil apenas entre 2011 e 2015, para viabilizar o negócio.

De acordo com o MPF, o reforço nos pagamentos está, segundo os investigadores, no fato de os lobistas Mauro Marcondes e Cristina Mautoni terem convencido os suecos que possuíam proximidade com Lula e que a empresa sueca poderia contar com a influência do ex-presidente junto ao governo para assegurar uma vitória na disputa.

“Assim, argumentos técnicos e indicadores de eficiência tornaram-se meros detalhes diante das jactadas proximidade e amizade a agentes públicos federais”, afirma a denúncia.

O MPF diz ter enviado à Justiça documentos que “não deixam dúvida” quanto à estratégia adotada pela M&M para convencer os parceiros da SAAB que poderia contar com o prestígio do ex-presidente para interferir na decisão governamental.

REUNIÃO COM DILMA – O MPF afirma ainda que, em dezembro de 2013, houve uma reunião de Lula e da ex-presidente Dilma Rousseff com o líder do Partido Sindical Democrata e futuro primeiro-ministro da Suécia, Stefan Lofven. A reunião foi intermediada, segundo o MPF, pela M&M junto ao Instituto Lula.

Lofven, segundo a denúncia, defendia a escolha do modelo fabricado pela SAAB. Nove dias após a reunião, o governo brasileiro anunciou a decisão de comprar de 36 caças do modelo Grippen.

A denúncia também aponta que a M&M atuou de forma irregular para aprovar a medida provisória 627, entre o final de 2013 e o início de 2014.

NO MESMO ESQUEMA – A estratégia adotada pela empresa, segundo o MPF, foi a mesma utilizada na negociação dos caças suecos: a promessa de influência de Lula sobre o governo federal.

Dessa forma, de acordo com a denúncia, a empresa de Marcondes e Mautoni firmou contratos milionários com as empresas MMC e Caoa, que foram beneficiadas com a aprovação da medida provisória. O texto garantiu a prorrogação de incentivos fiscais às montadoras MMC e Caoa até 2020, contrariando a posição técnica do Ministério da Fazenda.

A MMC e a Caoa teriam pagado R$ 8,4 milhões, cada uma, para a M&M, em troca da atuação da empresa para a aprovação dos incentivos fiscais.

DIZ A DEFESA – O Instituto Lula informou por telefone que não tem conhecimento da denúncia e que os advogados do ex-presidente responderão assim que souberem do teor da acusação.

Contatado pelo G1, o advogado de Mauro Marcondes e Cristina Mautoni, Roberto Podval, afirmou que a denúncia tem motivação política, visando atingir o ex-presidente Lula.

“Não vi absolutamente nada que levasse a qualquer irregularidade na compra dos caças. […] Isso é factoide, criado por quem tem interesse em processar o ex-presidente Lula. Para chegar nele, tem que passar pelos Marcondes. Lamento que as acusações, denúncias, feita sem seriedade. Qualquer um chega à conclusão que não há elemento”, disse.

O advogado confirma que a companhia sueca Saab, que vendeu os caças ao governo brasileiro, contratou o escritório do casal, mas somente para representa-la no Brasil, sem qualquer crime.

26 thoughts on “Ministério Público do DF denuncia Lula e o filho mais novo na Operação Zelotes

  1. Eu acredito que Dilma não sabia de nada mesmo. Afinal, quantas vezes ela sequer sabia em que estado estava fazendo seus discursos? No Rio Grande do Norte saudava o povo do Rio Grande do Sul; em vez de citar o desastre de Fukushima falava em Hiroshima, e por aí seguia.

    • O Ministro do STF Edson Fachin tem que aceitar o novo pedido de liminar da PGR, que diz que réu não pode ser representante de nenhum poder da república (presidente do Senado), ou seja, outra matéria, outro mérito que depois pode ser levado pra discussão com os outros Ministros dos STF.

      ACEITA
      FACHIN !!!

  2. Minha memória tá meio fraca, mas não tinha um prefeito do ABC, do PT, atrevido, prepotente e também mega especialista em caças de combate, que patrioticamente, está envolvido nesta parada mal cheirosa?

    O Brasil deveria cancelar o contrato com estas porcarias que ninguém quer, negócio totalmente mergulhado na suspeição.

  3. Espantoso o fato da Aeronáutica ser tão submissa, a um prefeito mafioso que comandou o negócio ou negociata, e aceitar goela abaixo, um equipamento muito inferior aos americanos F-18, o melhor do mundo. Ai tem!

  4. O autor do projeto é o São Jucá.
    Executivos da Odebrecht relataram à PGR, em acordo de delação, que a empreiteira pagou propina a diversos políticos para conseguir a aprovação do Projeto de Resolução do Senado (PRS) 72/2010, que previa a redução e uniformização da alíquota do ICMS entre estados.

    Fontes disseram a O Antagonista que o projeto “nasceu” no gabinete de Guido Mantega e virou prioridade para Dilma Rousseff…

    • Advogados do PSDB no processo (que não são a fonte das informações acima) dizem que é cada vez mais remota a chance de prosperar a tese da separação das contas de Dilma e Temer. Consequência: se a petista for condenada, o peemedebista também poderia perder o mandato.

  5. Henriqueta 2….

    O Buzzfeed diz que parte dos R$ 10 milhões que Marcelo Odebrecht repassou ao PMDB para a campanha de 2014 foi entregue em dinheiro vivo no escritório de advocacia de José Yunes, amigo de Michel Temer e seu assessor especial.

    A informação está na delação de Claudio Melo Filho, ex-vp de relações institucionais da Odebrecht. O delator não soube dizer se Yunes estava presente no escritório ou se tinha conhecimento da entrega.

    O dinheiro teria abastecido o caixa 2 de campanhas do PMDB, como a de Paulo Skaf – que nega a operação. Yunes também rejeitou a acusação e disse que seu escritório “nunca foi palco para recebimento de recursos da Odebrecht”.

    Ele disse também que não mantém relações com a empresa ou com Claudio Melo Filho.

  6. Brasília insone…

    A Veja também publicará na edição, que vai às bancas amanhã, a lista dos políticos que receberam propina da Odebrecht, segundo Claudio Melo Filho. Há deputados, senadores, ministros, ex-ministros e assessores de Dilma Rousseff.

    “Para provar o que disse, o delator apresentou e-mail, planilhas e extratos telefônicos. Uma das mensagens mostra Marcelo Odebrecht, o dono da empresa, combinando o pagamentos a políticos importantes”, diz a revista.

    A Veja cita os codinomes “Justiça”, “Boca Mole”, “Caju”, “Índio”, “Caranguejo” e “Botafogo”.

    O Antagonista explica: Justiça é Renan, Boca Mole é Heráclito Fortes, Caju é Jucá, Índio é Eunício Oliveira, Caranguejo é Eduardo Cunha e Botafogo é Rodrigo Maia

    • Prezado Fábio Vale. O espaço aqui é livre. Qualquer um pode usá-lo, desde que manifeste opinião sem ofender os outros. Pessoalmente, gosto muito das suas opiniões.

      Abs.

      CN

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