Ministério Público Federal denuncia mais uma licitação do Dnit, mas esquece o inacreditável superfaturamento da ponte sobre o Rio Guaíba.

Carlos Newton

É uma rotina impressionante: corrupção e Dnit, tudo a ver. E o Ministério Público Federal em Novo Hamburgo (RS) pede à Justiça para anular licitação do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) de contratação de empresas para a instalação de controladores de velocidade (radares) nas rodovias federais brasileiras.

O Ministério Público também pede o esclarecimento de irregularidades identificadas no edital de licitação, como a falta de um estudo técnico prévio e a remuneração da empresa vencedora por um número pré-determinado de multas a serem aplicadas.

Segundo o procurador Júlio Carlos Schwonke de Castro Júnior, responsável pela ação, “já havia indícios de irregularidades cometidas pelas empresas envolvidas no certame e agora há também fortes indícios de corrupção nas licitações pelo próprio Dnit, com superfaturamento de serviços e obras, justamente nas licitações pela mesma modalidade (concorrência pública)”.

A ação do Ministério Público, entregue à 1ª Vara Federal de Novo Hamburgo, pede a anulação de toda a licitação e dos contratos firmados no valor de R$ 1,4 bilhão. A Procuradoria pede que a ação civil pública sirva para a análise da necessidade de instalação dos equipamentos de controle de velocidade nas estradas brasileiras. Segundo informou, não foram realizados os estudos técnicos prévios determinados pela legislação.

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E A PONTE DO RIO GUAÍBA? NINGUÉM FAZ NADA?

No caso da corrupção no Dnit, jamais na história deste país se viu nada igual no que se refere a comparações entre os custos da construção civil no Brasil e nos outros países. Como se sabe, a China acaba de inaugurar a ponte da Baía de Jiaodhou, que liga o porto de Qingdao à ilha de Huangdao. Tem 42 km de extensão, bem mais do que o dobro da ponte Rio-Niterói, com apenas 16 km. Construída em apenas quatro anos, a gigantesca obra custou o equivalente a R$ 2,4 bilhões.

Na internet, circula um estudo comparativo realizado pelo matemático gaúcho Gilberto Flach, com base no projeto da nova ponte do Rio Guaíba, em Porto Alegre, recentemente aprovado pelo Dnit de Luiz Antonio Pagot.

Com 2,9 quilômetros de extensão, a obra brasileira vai custar R$ 1,16 bilhão e também deverá ficar pronta em quatro anos. Espantado, o matemático começou a fazer as contas, que foram publicadas pelo jornal Zero Hora, o mais importante do Rio Grande do Sul.

Os números indicam que, se o Rio Guaíba ficasse na China, a obra seria concluída em apenas 102 dias, ao preço de R$ 170 milhões, vejam só que absurdo. Mas se a Baía de Jiadhou ficasse no Brasil, a ponte chinesa não teria prazo para terminar e seria calculada em trilhões.

Além disso, se a construção da ponte sobre o Rio Guaíba fosse na China, como a corrupção seria logo descoberta, tal a disparidade dos números, os criminosos teriam execução rápida e suas famílias ainda seriam obrigadas a pagar pela munição gasta no fuzilamento.

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