Ministra Ideli Salvatti nega envolvimento com empresa Intech Boating

Carlos Newton

A Agência Brasil, antiga Agência Nacional, órgão oficial de comunicação do governo, é usada pela assessoria da ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, para negar ligação da gestão dela com a empresa Intech Boating.

O texto informa que a ministra não recebeu diretamente dinheiro da empresa para sua campanha ao governo do estado de Santa Catarina.

“A doação no valor de R$ 150 mil registrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) feita pela empresa Intech Boating foi destinada ao Comitê Financeiro do Partido dos Trabalhadores (PT) em Santa Catarina e não à candidata Ideli Salvatti [nas eleições de 2010]”, diz a nota se referindo ao valor citado em matéria publicada no jornal O Estado de S. Paulo, que relaciona a doação feita pela empresa a um contrato para compra de lanchas assinado com o Ministério da Pesca, pasta que já foi comandada por Ideli.

A nota informa que o contrato firmado entre a empresa e o ministério para a aquisição das lanchas, que está sob investigação do Tribunal de Contas da União (TCU), foi assinado em 2009 e Ideli Salvatti assumiu a pasta apenas em 2011. O texto ressalta ainda que as contas da campanha ao governo do estado foram aprovadas pelo TSE.

De acordo com matéria, a empresa Intech Boating foi contratada para construir lanchas-patrulha de mais de R$ 1 milhão cada para o Ministério da Pesca, que não tinha competência para usar tais embarcações. Depois, a empresa foi procurada para doar ao comitê financeiro do PT de Santa Catarina R$ 150 mil.

O comitê bancou 81% dos custos da campanha a governador, cuja candidata foi Ideli Salvatti, em 2010.

A contratação da empresa Intech Boating foi feita na gestão do então ministro da Pesca, Altemir Gregolin. A ministra Ideli foi titular da Pesca entre janeiro e junho de 2011 e, na época, a Intech recebeu R$ 5,2 milhões que faltavam para a compra das 28 lanchas encomendadas nos dois anos anteriores, de acordo com as informações do jornal.

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EMPRESÁRIO PETISTA

Tudo que a ministra afirma na nota já estava relatado pela repórter Marta Salomon, do Estadão, que ao fazer a denúncia teve o cuidado de ouvir o dono da empresa, José Antônio Galízio Neto, que é ex-militante do PT.

Ele alegou que a doação não foi feita por afinidade política, embora admita que se filiou ao PT na época de fundação do partido em São Bernardo do Campo (SP).

“O partido era o partido do governo. A solicitação de doação veio pelo Ministério da Pesca, é óbvio. E eu não achei nada demais. Eu estava faturando R$ 23 milhões, 24 milhões, não havia nenhum tipo de irregularidade. E acho até hoje que, se precisasse fazer novamente, eu faria”, disse Galízio Neto.  Mas caiu em contradição na entrevista, porque logo em seguida passou a atribuir o pedido de doação a um político local, como se tudo não passasse de coincidência.

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