Ministro contradiz Bolsonaro e garante instalação de 4,2 mil radares em rodovias

O ministro da Infraestrutura Tarcísio Freitas Foto: Jorge William / Agência O Globo

Tarcísio de Freitas considera que os radares são indispensáveis

Geralda Docas e João Paulo Saconi
O Globo

Na contramão de afirmações do presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, enviou à Câmara dos Deputados um ofício em que menciona a instalação de radares em 4.204 pontos de rodovias federais ainda este ano. O número representa pouco mais da metade de um pacote de oito mil equipamentos de fiscalização de trânsito previstos em edital lançado durante o governo de Michel Temer. Em março, Bolsonaro havia informado que o edital tinha sido cancelado por ele.

O documento assinado pelo ministro chegou ao Congresso em 12 de junho, endereçado ao gabinete do deputado Ivan Valente (PSOL-RJ), conforme antecipou o jornal “O Estado de S. Paulo”. Tratava-se de uma resposta a um requerimento do parlamentar, enviado também ao Ministério da Justiça, com pedido de informações sobre os radares em rodovias federais.

QUAL ESTÁGIO? – Em uma das seis perguntas enviadas à pasta de Tarcísio Freitas, Valente questiona qual o estágio das negociações para a contratação de empresas de manutenção e instalação de radares.

Na resposta, o ministro da Infraestrutura explica que o Departamento Internacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) vem celebrando contratos relativos ao edital lançado por Temer em 2016, mas que foi necessária uma reavaliação, em razão da atual situação fiscal do país. Essa análise, de acordo com Freitas, considerou os pontos mais críticos das rodovias, onde há mais acidentes por excesso de velocidade, e a disponibilidade orçamentária da pasta. Foi o principal critério, segundo ele, para reduzir, em 2019, as instalações de oito mil para 4.204 radares.

Ao tratar do assunto, há três meses, Bolsonaro afirmou que existe um sistema abusivo de cobrança de multas de trânsito com o objetivo de aumentar a arrecadação do governo, o que o teria levado a cancelar integralmente o edital do governo anterior.

DISSE BOLSONARO – “Após revelação do Ministério da Infraestrutura de pedidos prontos de mais de oito mil novos radares eletrônicos nas rodovias federais do país, determinei de imediato o cancelamento de suas instalações. Sabemos que a grande maioria destes tem o único intuito de retomo financeiro ao estado”, escreveu Bolsonaro em 31 de março.

Freitas salienta, no ofício à Câmara, que acidentes rodoviários são causados por motivos diversos, mas admite que, no caso de excesso de velocidade, é “fato” que “a instalação dos equipamentos eletrônicos controladores e redutores nos pontos críticos definidos é uma medida eficiente, associada com outros investimentos na manutenção da malha rodoviária”, como adequação dos traçados das pistas, melhora na sinalização e campanhas educativas.

MORO DEFENDE – O ministro da Justiça, Sergio Moro, já havia contrariado a posição de Bolsonaro ao responder ao mesmo requerimento. Um ofício elaborado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) e enviado à Câmara em maio, com o aval de Moro, reconheceu que os radares têm “potencial para colaborar” com a redução da violência no trânsito no Brasil.

Para Valente, as respostas dos ministros aos requerimentos de seu gabinete mostram que tanto os profissionais do Dnit quanto os da PRF estão insatisfeitos com a posição de Bolsonaro quanto ao edital.

Os radares que fiscalizam excesso de velocidade em rodovias federais têm sido alvo recorrente do presidente. Recentemente, Bolsonaro também atacou os radares móveis, classificados por ele como “armadilhas para pegar motoristas”.

RADAR MÓVEL – A proposta de acabar com a operação dos equipamentos volantes foi mencionada em uma das transmissões ao vivo que Bolsonaro faz semanalmente, com a promessa de que ele consultaria a população sobre o tema através das redes sociais.

A contrariedade com que o presidente aborda a fiscalização foi objeto de uma ação que tramita na 5ª Vara Federal em Brasília. O processo foi movido pelo senador Fabiano Contarato (Rede-ES) e levou à proibição do cancelamento do edital aberto em 2016. Em resposta à decisão judicial, o governo se propôs a assinar um acordo com o Ministério Público Federal (MPF) para criar um cronograma que garantisse as novas instalações.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
No início do governo, quando Bolsonaro errava, ele mesmo voltava atrás. Agora, tomou gosto pelo poder, ficou mais pretensioso e abandonou a autocrítica. Precisa voltar urgentemente a ela. Sem autocrítica, nem governo consegue êxito. Quanto ao ministro da Infraestrutura, é uma grata surpresa. Está fazendo um belo trabalho, apesar da falta de recursos. (C.N.)

5 thoughts on “Ministro contradiz Bolsonaro e garante instalação de 4,2 mil radares em rodovias

  1. Ao ser questionado sobre o tema, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, disse, em coletiva, não existir polêmica com Jair Bolsonaro sobre radares em rodovias.
    “Não vai ter mais radar escondido”, ponderou.
    (O Antagonista)

  2. Já estão dizendo que a reportagem está incompleta, afinal de contas só trás a opinião do Ministro da Pasta. O que, segundo alguns, é pouco. Muito pouco.

    Estão dizendo que do jeito como está a funcionar a coisa, a opinião do ministro pode ser irrelevante.

    E ainda, que a opinião relevante e que não poderia faltar na matéria, é a do Zero Dois.

    Ou seja, querem, porque querem, saber a opinião do Zero Dois sobre o tema em questão.

  3. Dou razão a Bolsonaro, há que se acabar com a indústria da multa.
    Nunca houve bom senso no posicionamento dos tais radares, o que se observa é a intenção de multar.
    Radar não impede alta velocidade, existe outros mecanismos que poderiam ser usados.

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