Ministro da Agricultura, que pode ser o próximo a cair, diz que contratação de lobista já condenado por tráfico pode ter sido “um descuido”.

Carlos Newton

Jamais na História deste país se viu tamanha desfaçatez. O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, afirmou na Comissão de Agricultura do Senado que a equipe da pasta que controla o acesso de pessoas pela entrada privativa do ministério é “muito acolhedora” e que o acesso privilegiado do lobista Júlio Fróes ao ministério pode ter sido um “descuido”.

“Nunca me preocupei com isso [a triagem na portaria do Ministério]. Tenho uma equipe maravilhosa de pessoas que trabalham lá. Não são pessoas voltadas para a atitude de evitar a entrada de pessoas. Eles são muito acolhedores, talvez tenha tido esse descuido. Mas eu não posso assumir a responsabilidade de controlar a portaria”, disse espantosamente Rossi durante a audiência pública, tentando desmentir a revista Veja.

A reportagem publicada na edição desta semana afirma que Fróes, que dizia representar o ministro da Agricultura, desde o ano passado tinha sala no ministério e privilégios restritos ao ministro e a seus assessores mais próximos. O lobista agia de forma tão acintosa que chegava a elaborar pareceres e editais de licitações do Ministério para escolha das empresas prestadoras de serviço, sempre com o aval do então braço direito de Wagner Rossi, o secretário-executivo Milton Ortolan, que alega inocência, mas acabou pedindo demissão após a publicação da revista.

Em função do apoio recebido, segundo a Veja, o próprio Julio Fróes cuidava de distribuir propina para funcionários do setor de licitações do Ministério, diretamente do produtor ao consumidor, como se diz no linguajar agrícola.

Uma contradição: segundo a Folha, Rossi admitiu ter relacionamento com o lobista, disse conhecê-lo, mas negou as acusações. Mas, segundo O Globo, em seu depoimento Rossi voltou a negar que conheça Fróes e que o lobista tivesse uma sala em seu ministério. Em quem acreditar? Ora, nenhuma das versões dos jornais importa, e o ministro Wagner Rossi mentiu sem parar e procurou responsabilizar empresas terceirizadas pelas irregularidades na Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), esquecido de que ele próprio presidiu a estatal de 2007 a 2010 e foi responsável pela contratação ou manutenção dessa empresas inidôneas.

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LOBISTA PRESO COM UM QUILO DE COCAÍNA

Na verdade, o desenvolto Júlio Fróes, lobista oficial do Ministério da Agricultura, foi preso em 1992 e cumpriu três anos de detenção por tráfico de drogas, de acordo com o advogado Neuzemar Gomes de Moraes, que afirma ter feito a defesa dele no caso, fato que pode ser facilmente constatado.

Moraes afirmou que Júlio César Fróes Fialho, que era conhecido como César Fialho e depois virou Júlio Fróes, foi preso pela Polícia Federal ao chegar no aeroporto de Fortaleza com um quilo de cocaína. Ele foi julgado e condenado. Segundo Moraes, cumpriu parte da pena no Ceará e parte em Minas. Na época, os jornais locais noticiaram que ele colaborou com a polícia e ajudou a desmanchar um esquema de tráfico entre Fortaleza e Brasília.

Durante entrevista em um restaurante em Brasília na quinta-feira passada, o lobista justificou sua folha corrida e agrediu um jornalista da “Veja”. Segundo a revista, o entrevistado deu uma gravata e joelhadas na barriga e no rosto do repórter Rodrigo Rangel, o que levou o jornalista a perder um dente. A agressão foi comunicada à polícia, e nós, jornalistas, agora vamos precisar de seguranças.

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