Ministro do Planejamento ajudou Odebrecht em aprovação de MP, diz delator

Dyogo operava a corrupção do PT e foi mantido…

Eduardo Bresciani
O Globo


Fora da lista de investigados, o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, é citado por um delator como tendo ajudado a Odebrecht na aprovação da Medida Provisória 613, proposta que teria rendido propina de R$ 100 milhões ao PT. Carlos Fadigas, ex-presidente da Braskem, relatou que Marcelo Odebrecht recorreu a Dyogo em agosto de 2013 para tratar da retirada de um tema que atrapalhava a aprovação no Congresso e obteve sucesso. Fadigas entregou ainda e-mails nos quais Marcelo relata a conversa. Não há menção sobre Dyogo ter recebido recursos da empreiteira. O ministro do Planejamento disse ao Globo não se lembrar da conversa, mas ressaltou que era sua função acompanhar o andamento de propostas no Congresso.

A Odebrecht tinha como principal tema de interesse na MP o Regime Especial da Indústria Química (Reiq), desenhado de forma extremamente benéfica a Braskem, empresa do grupo. Mudanças na área de etanol também interessavam à empresa.

ACERTO COM MANTEGA – A negociação para a edição da MP incluiu um acerto entre Marcelo Odebrecht e o então ministro da Fazenda Guido Mantega para o pagamento de R$ 100 milhões ao PT. A proposta, porém, encontrou dificuldades na tramitação no Congresso. Um dos entraves foi a entrada no projeto de uma emenda que tratava de portos secos. Esse tema colocou a proposta em risco e foi aí que Marcelo entrou em ação novamente na Fazenda. Ele procurou Sérgio Bath, que era assessor de Mantega.

“É que está bem confusa a coordenação deste tema na Câmara. Parlamentares acusam o governo de toda hora mudar de posição e voltar atrás. E não estamos conseguindo nem nos situar neste tiroteio para poder apoiar”, escreveu Marcelo em um e-mail enviado a Bath e entregue aos investigadores por Fadigas.

O ex-assessor de Mantega, então, recomendou Dyogo, na época secretário-executivo interino, como interlocutor porque ele “está à frente do processo negociador”. Marcelo concorda e Bath avisa ao empreiteiro na noite do dia 23 de agosto de 2013, uma quinta-feira, que tinha avisado Dyogo que ele ligaria.

ACERTO COM DYOGO – No dia seguinte, Marcelo relata a seus executivos o resultado da conversa. “Falei agora com Diogo. Vão tirar tudo do Porto Seco da MP e tentar aprovar sem isto, pois não concordam com o texto. Na segunda-feira pela manhã vão coordenar ação no Congresso entre Casa Civil e Fazenda. Fiquei de ligar na segunda-feira se perceber algo ou puder contribuir”, escreveu Marcelo no dia 24.

Fadigas atribui o sucesso a essa ação do ex-presidente. “O Marcelo busca o ministro e consegue que esse tema que não estava alinhado fosse retirado e aí, no tema que estava alinhado, no restante da MP, a MP tramitou na Câmara e foi aprovada “— diz Fadigas.

Os investigadores questionam quem era Dyogo, e Fadigas, após ser lembrado por um de seus advogados, deixa claro que estava se referindo ao atual ministro do Planejamento.

NÃO SE LEMBRA… – Questionado pelo Globo, o ministro disse não se lembrar da conversa mencionada por Marcelo. Ele ressalta, porém, que pela função que ocupava acompanhava a tramitação de projetos e fazia contato tanto com parlamentares quanto com empresários.

— Uma das funções da secretaria-executiva da Fazenda é acompanhar o trâmite das medidas relacionadas com a Fazenda. Então eu fazia isso e, em virtude disso, eu tinha contato com parlamentares, com associações setoriais e, eventualmente, até com algum representante de empresa. Faz parte do trabalho. Dentro disso, pode ter tido alguma ligação da Odebrecht, do Marcelo, de algumas pessoas. Mas não me recordo de ter tido essa conversa com ele. Mas isso, digamos, é parte do trabalho — afirmou Dyogo.

O ministro disse não se lembrar também de ter atuado para retirar a emenda que atrapalhava a aprovação e ressalta que como o tema já estava no plenário da Câmara a decisão cabia mais ao Congresso. Dyogo diz ainda nunca ter participado de qualquer reunião de negociação de propina entre Marcelo e Mantega. “A minha questão era estritamente técnica, verificar se estava dentro da legislação, da LRF, dessas questões políticas aí, graças a Deus, nunca tive conhecimento e fico vendo isso agora pelas notícias com uma certa preocupação. Mas, graças a Deus, não tive conhecimento nem participei de nenhum tipo dessas coisas” — disse o ministro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGDyogo Oliveira não é melhor nem pior do que a maioria dos ministros de Mantega. É inacreditável que tenha sido preservado no governo de Temer, depois de ter servido com tanto empenho a Lula e a Dilma. Não há nenhuma novidade nesta denúncia. Dyogo era operador da corrupção na equipe econômica de Temer, isto já era mais do que sabido. Depois voltaremos a esse assunto. (C.N.)

2 thoughts on “Ministro do Planejamento ajudou Odebrecht em aprovação de MP, diz delator

  1. Realmente, Josias de Souza, mui dura a vida de Temer e camarilha, empurrando com a barriga, tergiversando, morrendo de velhos no poder, nos esquemas, nadando na dinheirama, nas vantagens, nos privilégios, mamando à beça nas tetas do erário, da Odebrecht, da banqueirada, dos rentistas, dos agiotas e CIA. Mole é a vida da população do Brasil, honesta e trabalhadora, com o piano nas costas, acossada pela recessão, pelo desemprego, pela asfixia financeira, pela carestia, pelas faturas que não param de chegar em sua casa, pela alta bandidagem da nação, pelo $istema político podre, pelo partidárismo-eleitoral, o golpismo-ditatorial e seus tentáculo$, velhaco$, enfim, pela plutocracia com jeitão de cleptocracia e ares de bandidocracia dos quais tornou-se vítima, refém e escrava, e dos quais parece quase impossível se libertar. http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/04/18/temer-tenta-retirar-cartolas-de-dentro-do-coelho/

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