Ministro Fernando Bezerra não somente protege a família, mas também os amigos

As denúncias contra o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, estão se multiplicando e ele não tem como se explicar. Depois da constatação de que Bezerra protege a familia em seus negócios políticos, beneficiando o filho, o irmão e um tio, agora uma reportagem de Catia Seabra e Leandro Colon, publicada na Folha, mostra que pelo menos R$ 6,7 milhões repassados pela ministério para o governo de Pernambuco aplicar em 41 cidades atingidas pela chuva foram parar na empresa de um aliado político do ministro e do governador do Estado, Eduardo Campos, ambos do PSB.

Uma investigação do TCU (Tribunal de Contas da União) apontou no ano passado suspeitas de irregularidades na contratação, mas nenhuma providência foi tomada contra o governo pernambucano e a empresa. Trata-se da Projetec Projetos Técnicos, dirigida por João Recena, que obteve contrato de R$ 4,2 milhões em Pernambuco, no ano passado, apesar de ter apresentado preço mais alto do que as cinco outras concorrentes. Recena é filiado ao mesmo partido do ministro, o PSB.

Procurada pelos jornalistas, a Projetec informou, por intermédio de sua assessoria, que “não há nenhuma vinculação político-partidária” na escolha, disse que não se manifestaria sobre os valores repassados pelo governo de Pernambuco e afirmou desconhecer a auditoria do TCU. O ministério não se manifestou.

Segundo a reportagem, a Projetec Projetos Técnicos, do empresário João Recena, recebeu para tocar as obras R$ 4,2 milhões em 2010 e os restantes R$ 2,5 milhões em 2011. Não há dúvida de que foi favorecida pelo ministro Fernando Bezerra, que tem uma grande qualidade – é amigo dos amigos.

***
UMA DEFESA ARDILOSA

No Congresso, quinta-feira, o ministro Fernando aegou que as denúncias de irregularidades em sua gestão e as acusações de nepotismo têm o objetivo de “atacar” o PSB, ora vejam só, até parece que o partido está com essa bola toda.

“O que se quer nessa campanha é atacar não só minha imagem, mas do meu partido. Sei relevar os ataques, sei aceitar as críticas, isso faz parte da democracia, mas é preciso também não atacar e não denegrir a imagem das pessoas”, sublinhou, acrescentando: “Tenho paixão pelo que faço e, às vezes, você se depara com adversários que tentam atacar sua honra e sua honestidade”.

Em um discurso de mais de meia hora, o ministro se esforçou para dividir a responsabilidade sobre a distribuição dos recursos de prevenção de desastres com outros ministérios e com o Palácio do Planalto.

Apresentando números do governo inteiro, ele tentou negar que tenha privilegiado Pernambuco, seu reduto eleitoral. Mas não pôde negar a realidade: 90% dos recursos de sua pasta na prevenção de enchentes foram mesmo para Pernambuco. 

Sobre as acusações de nepotismo na Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Paraíba), que teve seu irmão na direção da empresa interinamente por quase um ano, disse que pessoalmente nunca fez indicações, como se o irmão tivesse sido indicado pelo divino Espírito Santo. Parece piada.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *