Ministro Negromonte admite ter encontrado com lobista, a Folha diz que ele será demitido, mas ninguém acredita.

Carlos Newton

Reportagem de Maria Clara Cabral, Leandro Colon e Natuza Nery, publicada na Folha, diz que a revelação de reuniões reservadas entre membros do PP com um empresário e um lobista para discutir projeto de informatização do Ministério das Cidades acelerou o movimento para a saída de Mário Negromonte na reforma ministerial em curso.

A matéria destaca que interlocutores do Palácio do Planalto classificaram o episódio divulgado ontem pela Folha como “terrível”, uma espécie de “extrema-unção” de Negromonte, já que sua situação era considerada delicada antes disso até por colegas de partido.

O próprio Negromonte admite ter encontrado o dono da empresa Poliedro, Luiz Carlos Garcia, pelo menos uma vez no apartamento do deputado João Pizzolatti (PP_SC), mas nega ter discutido com ele detalhes do projeto. Mas Pizzolatti parece ter problemas de memória, porque diz não se lembrar de suas conversas com Luiz Carlos Garcia, dono da Poliedro.

O certo é que integrantes da cúpula do PP, partido do ministro, negociaram com a empresa de informática Poliedro sua participação num projeto milionário do Ministério das Cidades antes que fosse aberta licitação pública para sua contratação, conforme reportagem de Leandro Colon, publicada na Folha de segunda-feira.

O assunto, repita-se, foi tratado em reuniões no apartamento do deputado Pizzolatti (SC), ex-líder do PP na Câmara e aliado do ministro Mário Negromonte, único representante do partido no primeiro escalão do governo. Após os encontros, o dono da Poliedro e um lobista foram recebidos no ministério por dois homens de confiança de Negromonte em 9 de agosto.

O objetivo da negociata é  contratar uma empresa para gerenciar suas redes de computadores e monitorar obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). O valor do contrato é estimado em R$ 12 milhões, mas pode alcançar R$ 60 milhões.

A oposição já entrou com uma representação na Procuradoria-Geral da República para que participação do ministro e aliados nas reuniões seja investigada. E aliados de Negromonte atribuíram o vazamento do episódio a integrantes do partido que estariam interessados na queda dele, repetindo a velha desculpa sacada desde que começaram as denúncias contra o ministro, que está para cair há vários meses, mas ninguém acredita, porque o Planalto (leia-se, o governo Lula Rousseff) não demite ninguém. Apenas espera que o corrupto caia de podre, vejam a que ponto chegamos.

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