Ministro Orlando Silva, que já deveria ter sido demitido há meses, agora balança, mas não cai. Por enquanto.

Carlos Newton

O escândalo só faz aumentar. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que a Polícia Federal vai investigar as novas denúncias de desvio de verbas do Ministério do Esporte. De acordo com Cardozo, será ouvido o policial militar e ex-militante do PCdoB João Dias, que acusa o ministro Orlando Silva de receber dinheiro desviado de ONGs, que deveriam aplicá-lo  no Projeto Segundo Tempo –

“Já existem investigações em relação a convênios do Ministério do Esporte questionados anteriormente. Esses novos fatos podem exigir a abertura de um novo inquérito policial, na medida em que envolve uma outra autoridade, inclusive com foro privilegiado, ou vamos aproveitar os inquéritos em curso para fazer uma apuração imediata dos casos denunciados agora. Posso garantir que a Polícia Federal será criteriosa e rigorosa” – disse Cardozo a O Globo.

Traduzindo: as denúncias são antigas e comprovadas. A permanência do ministro durante os últimos meses é inexplicável. E por determinação da presidente Dilma Rousseff, o ministro do Esporte já voltou de Guadalajara, no México, onde acompanhava o Pan-Americano.

Ontem, no desespero, ele se antecipou à oposição e imediatamente encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) um ofício em que solicita a apuração do Ministério Público sobre denúncias de desvio de recursos do ministério, ou seja, pede uma investigação que já está sendo feita.

Segundo a assessoria de imprensa do ministério, no ofício Orlando Silva se coloca à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários. “É mais uma iniciativa para que todos os fatos sejam esclarecidos e que fique claro que as supostas denúncias não passam de mentiras e calúnias, feitas por um cidadão que está sendo processado pela Justiça”, afirmou o ministro, em nota divulgada por sua assessoria.

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E A COMISSÃO DE ÉTICA?

O presidente da Comissão de Ética Pública da Presidência da República, Sepúlveda Pertence, disse que a acusação contra o ministro é “grave”, mas que ainda é preciso ter mais elementos para se chegar a qualquer conclusão. “Talvez a coisa ainda esteja um pouco verde” – disse, acrescentando: “A acusação de suborno é sempre grave, depende de quem a sustenta”.

Detalhe: A Comissão de Ética do Planalto nada fará. É um órgão de ficção, que já inocentou a ex-ministra Erenice Guerra e o ex-ministro Antonio Palocci. E não é preciso dizer mais nada.

Na reportagem da revista “Veja”, o policial militar e ex-militante do PCdoB João Dias e o motorista Célio Soares Pereira acusam o ministro de receber dinheiro desviado de programa do governo. Orlando Silva foi apontado como mentor e beneficiário desse esquema. O policial disse na reportagem que as entidades só recebiam recursos se houvesse o pagamento de uma taxa de até 20% do valor dos convênios.

Ainda segundo a denúncia, o PCdoB indicaria os fornecedores e as pessoas encarregadas de conseguir notas fiscais frias. Célio Soares Pereira contou que entregava dinheiro pessoalmente a Orlando Silva na garage do ministério. Em oito anos, o esquema teria desviado R$ 40 milhões.

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