Ministros-candidatos em alerta

Carlos Chagas

Na demorada reunião ministerial de ontem, verdadeira salada mista de assuntos de interesse do governo, chamou a atenção dos ministros-candidatos às eleições do ano que vem uma sutil referência do presidente Lula ao momento de suas exonerações.  O  presidente não pretende aguardar o prazo limite das desincompatibilizações, 31 de março de 2010. Cada caso será um caso, mas ele espera terminar este ano com a equipe completamente recomposta.  Perto de vinte ministros  disputarão cargos eletivos.  Mesmo com a tendência de aproveitar os secretários-executivos dos ministérios, haverá casos em que serão recrutados nomes fora das equipes hoje no governo. Foi um alerta, tanto quanto um estímulo aos ministros-candidatos para que se definam e participem suas decisões, para posteriores escolhas.

A preparação do marco regulatório do pré-sal ocupou parte da reunião, parecendo mais provável que seja criada uma nova empresa, paralela à Petrobrás, para explorar as imensas  jazidas de petróleo encontradas em nosso litoral mais profundo. Analisaram-se também as dificuldades que vem prejudicando o ritmo do PAC, com ênfase para a determinação do Lula de que confrontos e conflitos entre ministros fiquem restritos ao âmbito do governo, sem ganhar a imprensa. Há quem imagine que ao reafirmar essa diretriz o presidente tenha olhado  fixo para o ministro Carlos Minc, do Meio Ambiente.

Além das exposições feitas por muitos ministros, a respeito da crise econômica e de suas estratégias para superá-la, o ponto alto do encontro  foi a reafirmação,  pelo Lula,  da importância do projeto político de seu governo ser continuado no futuro, claro que pela ação da ministra Dilma Rousseff, reafirmada nas entrelinhas  como candidata.

Senadora em ebulição

Apesar de seus inegáveis méritos como  porta-bandeira das lutas  ambientalistas,  de vez em quando a ex-ministra e senadora Marinha Silva escorrega. Foi o que fez ontem em seu artigo semanal na “Folha de S. Paulo”.

Para ela, o cigarro é um dos maiores responsáveis pelos danos causados ao meio ambiente e à devastação das florestas, porque para abastecer os fornos onde secam as folhas de fumo,  árvores são abatidas e queimadas.  Fosse assim e deveriam  ser proibidas as  refeições quentes da metade da população nacional, porque no interior é imensa a utilização de fogões a lenha.

Como  José Serra, Fernando Henrique e demais desafetos do fumo, Marina Silva esquiva-se de enfrentar a verdadeira solução para impedir que perto de 200 mil brasileiros morram todos os anos por males causados pela fumaça nos pulmões:  por que não tem coragem de sugerir o fechamento das fábricas de cigarro? Porque a supressão dos recursos gerados pelos impostos pagos por  elas  seria capaz de desestabilizar o orçamento da União.

Acusar os fumantes de principais causadores do aquecimento global e da devastação das florestas é um pouco demais…

Voltaram, mas até quando?

Bastou caracterizar-se a crise econômica internacional, em outubro do ano passado, para que em poucos dias, até horas, os fundos de pensão americanos e de outros países retirassem imediatamente seus investimentos no Brasil, em especial na Bovespa. Da noite para o dia escafederam-se bilhões de reais, prática até muito justa para a defesa dos interesses dos países de origem, frente à débâcle anunciada. A economia brasileira quase entrou em colapso.

O tempo passou e, mesmo timidamente, os investimentos começam a voltar. Só que, como sempre, levando vantagem em tudo. A crise fez cair a cotação de montes  de ações de empresas nacionais, públicas   e  privadas. Ainda se  encontram na baixa. Pois é agora que vem sendo compradas em velocidade surpreendente pelos gringos.  Resultado: a desnacionalização aumenta a olhos vistos…

Quando as esmolas não resolvem

Encerrada a  reunião dos “gês”, porque a gente não sabe bem se foram o G-5,  o  G-8,  o G-20 ou o G-42,  mas com os presidentes e primeiros-ministros de volta a seus governos,  a mídia internacional exalta os países ricos por haverem disponibilizado 20 bilhões de dólares para os países pobres mitigarem a fome de suas populações.  Quem   primeiro   levantou o véu de mais essa esmola arrogante e insuficiente  foi mestre Hélio Fernandes, lembrando que só os Estados Unidos dedicaram  mais de um trilhão para suas empresas falidas,   sendo   que 60 bilhões para a General Motors fechar vinte fábricas  e desempregar dezenas de milhares de trabalhadores.

Quem se dispuser a fazer as contas chegará à conclusão de que depois de instalada a crise econômica internacional, a partir de outubro do ano passado, os países ricos e até  os emergentes  entregaram pelo menos dez trilhões de dólares aos responsáveis pela débâcle financeira mundial, ao tempo  em que perderam seus empregos pelo  menos um  milhão de trabalhadores, nos cinco continentes. Para que? Para que os mesmos de sempre continuem  explorando a miséria e a pobreza dos outros, indiferentes ao fato de que dois,  dos seis bilhões de habitantes do planeta, amanhecem todos os dias certos de que não vão almoçar.  Tudo em nome de uma apodrecida livre-competição entre quantidades desiguais que só  fará aumentar o fosso entre pobres e ricos.

É esse o resultado do   neoliberalismo que já saiu pelo ralo, com a crise,  mas teima em entupir os dutos capazes de levar a Humanidade a um regime mais justo, de fraternidade e esperança.  Dizem que  o socialismo morreu, sem lembrar que o capitalismo virou defunto.  Um dia desses explode tudo, dentro da canhestra concepção de que a preservação e até  o  aumento  do  consumo de  supérfluos constitui saída para o  impasse.

Previsão equivocada

Instalou-se ontem no Senado  a CPI da Petrobrás, imaginando-se que até quinta-feira o Congresso vote a Lei de Diretrizes Orçamentárias e possa mergulhar no refrigério de um recesso capaz de ocultar as lambanças descobertas ao longo do primeiro semestre.  Ledo engano, porque as denúncias da sujeira praticada a longo prazo no Legislativo apenas merecerão maiores investigações por parte da mídia. Assim como os fornecedores desse fétido material, boa parte deles incrustados no próprio Congresso, empenhados uns em tirar vantagens das maracutaias dos outros, nivelados  todos no mesmo patamar. Ao contrário do que a maioria de deputados e senadores imagina, o festival de denúncias só fará aumentar durante as férias parlamentares.

Por falar nisso: quem  vem  alimentando os meios de comunicação com documentos e acusações contra  senador José Sarney? Sem a emissão de juízos de valor a respeito de seu variado conteúdo, seria bom o presidente do Senado procurar parte da fonte entre seus supostos amigos,  auxiliares e aliados.

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