Mito da ‘democracia racial’, como todo mito, é uma construção sem base na realidade

Final da Eurocopa aconteceu nesse domingo (11)

Jogadores negros sofreram ataques racistas após a final

João Gabriel de Lima
Estadão

A final da copa europeia de seleções, entre Itália e Inglaterra, foi uma partida eletrizante, cuja transmissão bateu recordes de audiência no mundo inteiro. Será lembrada no futuro não apenas pelo caráter épico, mas também por um episódio infame: os ataques racistas aos três jogadores britânicos que não converteram suas cobranças na decisão por pênaltis.

Os episódios de racismo se tornaram tristemente comuns no futebol europeu. Em protesto contra eles, jogadores de quase todas as seleções se ajoelharam antes das partidas da Euro.

CONDENAÇÃO – As ofensas de alguns torcedores ingleses, nas redes sociais, contra os craques Saka, Sancho e Rashford foram – não poderia ser diferente – condenadas com veemência pelo primeiro-ministro Boris Johnson, pelo prefeito de Londres, Sadiq Khan, e pelo príncipe William. Crimes que são, devem ser investigadas e punidas.

Os brasileiros costumam dizer que episódios assim não ocorrem em nosso país. De Leônidas da Silva a Neymar, passando por Didi, Pelé, Garrincha, Romário e Ronaldo, alguns dos maiores craques do nosso futebol são negros e se tornaram ídolos nacionais. Durante muito tempo o mito da “democracia racial” foi forte entre nós. Como todo mito, é uma construção sem base na realidade.

Um exemplo na mesma arena, a esportiva: os jogadores Fernandinho e Gabriel Jesus foram igualmente vítimas de racismo nas redes sociais quando o Brasil foi eliminado pela Bélgica na última Copa do Mundo.

TEMA MAIS RELEVANTE – “O racismo permeia todas as camadas e toda a trajetória da sociedade brasileira”, diz o escritor Laurentino Gomes, ex-editor do Estadão. Ele acaba de lançar o segundo volume da trilogia “Escravidão”. Laurentino diz que, em sua pesquisa para a obra, formou a convicção de que abordava o tema mais relevante de nossa história.

A libertação dos escravos não foi o ato de piedade de uma princesa, mas resultado de um dos primeiros levantes da sociedade civil brasileira. Este jornal – na época chamado de A Província de S. Paulo – foi um dos defensores do movimento. Pouco antes da abolição, a população negra já predominava no Brasil, e um contingente grande já conquistara a alforria.

“O maior problema de nossa sociedade é a desigualdade, e a desigualdade é, em parte, herança da escravidão”, diz Laurentino.

ABANDONO OFICIAL – Ele se refere ao fato de que, depois da Lei Áurea, as autoridades brasileiras deixaram a enorme população de ex-escravos completamente desamparada.

Sem saúde pública, sem condições mínimas de saneamento – e sem educação decente que possibilitasse acesso aos melhores postos do mercado de trabalho.

O livro mostra também a enorme riqueza dessa África que cruzou o oceano e aqui viveu em condições sub-humanas. Ela se expressa, entre outras coisas, na cultura, na religião e nas técnicas agrícolas.

CONDIÇÕES PRECÁRIAS -Mais de um século se passou desde a abolição, houve avanços inegáveis – mas o fato é que grande parte da população afrodescendente ainda vive em condições precárias e não tem acesso a uma educação de qualidade. Na era do conhecimento, em que diversidade é um valor, é uma perda inestimável não apenas humanitária, mas também econômica.

O Brasil, como defende Laurentino, precisa se aprofundar no estudo da escravidão e atacar veementemente essa herança perversa. É bom que existam heróis negros no panteão do País. Isso, no entanto, não nos exime do acerto urgente que precisamos fazer com nosso passado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Há um detalhe a ser lembrado: A Europa é toda ela racista. Só aceita imigrantes para fazerem os trabalhos menos remunerados, rejeitados pelos europeus. Praticamente não há casamentos intra-raciais. Criaram-se guetos até em países como a Suécia. Comparar com o que existe no Brasil, o país mais miscigenado do mundo, parece ser um equívoco, desculpem a franqueza. (C.N.)

4 thoughts on “Mito da ‘democracia racial’, como todo mito, é uma construção sem base na realidade

  1. O racismo aqui no Brasil é de classe social.

    Se tiver muita grana no bolso ou poder, ninguém é segregado.

    Há uma hipocrisia imensa neste Brasil de meu Deus.

    Claro que há casos de racismo, não nego isso, mas honestamente isto é de um exagero enorme.

    O país está doente, doente terminal…
    Onde todos gritam e ninguém tem razão…

    Há um vitimismo exacerbado de todas as minorias…
    Simples assim!

    JL

  2. E, ademais, os tais movimentos soias brasileiros, inclusive is antiracismos, cooptados pela Organização Criminosa Petista e incorporadas pelo Estado Clepto-Patrimonialista, não representam ninguém, se não a corrupção como método , sistema e regime de governo. Como podem ser incorporados os excluídos num país que tem 100 bilhões engalfinhados pelas gangues de centro, direita e esquerda que dominam o país, com a benção de nossas mais supremas cortes?

    Os movimentos dessa turma de apologistas do roubo dos direitos de seus possíveis representados é o léxico-intestinal. Preto passou a ser p”portador de excesso de melalina dado suas condições genético-geográficas”. Que lindo!

    O Sérgio Moro, para esses defensores de corruptos, s é racista e louros miscigenados rastafaris são apropriadores, ou ladrões, culturais.

    Que tal lutarem para que os 100 bilhões roubados todos os anos pelas organizações criminosas que defendem, voltassem para a inclusão REAL, e não tão somente lédxica-intestinal, , dos seus ditos representados?

    É a Indústria da Miséria.

  3. O racismo brasileiro está de tal forma introjetado que o não-negacionismo do mesmo é que seria de estranhar.

    (E mais não digo porque quem não percebeu isso até hoje, dificilmente admitirá sequer a possibilidade de pensar sobre o que seja racismo, quanto mais “racismo estrutural”.)

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