Moinhos de vento e improviso no continuísmo

Luiz Tito

A análise das últimas propostas da presidente Dilma realça o improviso de suas ações, tendo como único foco, seu e de seus conselheiros, o processo de sua reeleição. Com pequenas exceções, programas, projetos e atos gestados desde sua posse e até nossos dias foram produzidos para atender ao calendário eleitoral de 2014. O sucesso desse continuísmo estava, até então, pouco ou nada afetado pela balbúrdia como vinham sendo empreendidas as decisões governamentais. Para esse estado, contribuiu, até então, o desinteresse popular e sua desorganização política. As manifestações das ruas, surgidas em junho, colocaram a bomba no colo do governo Dilma, alertando que se precisava rever a rota.

No plano das relações internacionais, nosso governo se resumiu a uma agenda de viagens sem qualquer resultado relevante para as exportações brasileiras. Trocamos artesanato, inauguramos mais de uma centena de embaixadas sem metas e objetivos, ouvimos discursos inócuos e pouco ou nada de perspectivas. Perdemos tempo, incensando ditadores latino-americanos aos quais destinamos somas robustas de reservas, já insuficientes para resolverem nossos problemas internos.
Com a Bolívia, por exemplo, perdemos vultosos investimentos feitos pela Petrobras em instalações sumariamente tomadas pelo governo Evo Morales, disso resultando, ainda, o compromisso de importação do gás natural a um preço quase quatro vezes maior do que os EUA pagam para ter o mesmo produto, vindo de outros fornecedores mundiais.

Com a Argentina, tivemos revisto o acordo automotivo, reduzindo em muito os resultados econômicos na relação entre os dois países. E com a Venezuela, o acordo firmado entre a Petrobras e a PDVSA para construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e produção do diesel premium, até o momento, nada recebeu de recursos da sócia venezuelana, que ainda detém 49% do empreendimento. Aqui ficamos esperando, enquanto o valor orçado para construção da refinaria, antes marcado para R$ 4 bilhões, hoje evoluísse para R$ 12 bilhões.

POVO NAS RUAS

O povo foi às ruas paraexigir investimentos em saúde, educação, infraestrutura, mobilidade urbana e combate à corrupção – todas, endemias nacionais. Dilma e seus marqueteiros responderam com a promessa de convocação de uma constituinte, essa já sepultada, com a realização de plebiscito para sinalizar a reforma política e com a importação de médicos – segundo o governo, medida essencial para resolver nossas carências na prestação de saúde pública.

Sobre a educação, nenhuma proposta mais concreta, nem mesmo no grau de equívoco da que se ofereceu à saúde. O combate à corrupção não é o forte dos nossos atuais governos, em todos os patamares da administração pública. Prefeitos das 5.564 cidades brasileiras, os mesmos que vaiaram publicamente a presidente Dilma na última semana, criaram 64 mil cargos de recrutamento amplo nos últimos quatro anos, isso é, sem concurso público. Paralelamente, a baixíssima qualidade dos serviços públicos está na ordem do dia, disputando a linha de chegada com a corrupção. O emprego na indústria está caindo, como também se reduz o consumo interno. A inflação bate à porta e os juros voltam a incomodar. Se não tivermos mudanças, que ventos vão nos mover? (transcrito de O Tempo)

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One thought on “Moinhos de vento e improviso no continuísmo

  1. Bom se é vento não posso te dizer, mas o balançar das placas da moralidade convergente foi tocada, e o resultado é o POVOSUMI que esta chegando…

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