Molon se rebela contra a cúpula do PT, que tenta manter o incompetente Eduardo Paes na prefeitura do Rio.

Carlos Newton 

Fala-se muito em reforma política, porém nada se faz. Os parlamentares fingem se interessar pelo importante tema, mas acabam deixando tudo como está. Na Tribuna da Imprensa e aqui no Blog, Helio Fernandes sempre defendeu uma tese admirável, dizendo que os partidos deveriam ser obrigados a apresentar candidatos aos cargos majoritários, fazendo coligações apenas no segundo turno.

Se essa sugestão fosse adotada, no último fim de semana não teríamos visto aqui no Rio de Janeiro o prefeito Eduardo Paes e o ministro da Pesca, Luiz Sérgio, presidente do PT fluminense, tentarem promover um ato para dar como fato consumado o apoio dos petistas à reeleição do prefeito em 2012.

Num cenário armado no histórico auditório da Associação Brasileira de Imprensa, com a participação do presidente estadual do PMDB, Jorge Picciani, as cúpulas dos dois partidos queriam cravar, no evento, a indicação do vereador Adilson Pires, líder do governo Paes na Câmara, como vice na chapa da reeleição.

Confiante na armação, na véspera Pires até postou no twitter a seguinte mensagem: “PT-RJ vai confirmar em reunião amanhã meu nome como vice na chapa de Eduardo Paes, que concorrerá à reeleição em 2012”.

Mas acontece que o deputado federal Alessandro Molon, do PT, compareceu à ABI, foi chamado para compor a mesa e aproveitou para implodiu o suposto acordo. Num pronunciamento inflamado, Molon disse que não reconhecia aquele ato nem a indicação de Pires, assinalando que a militância petista deveria ser ouvida sobre esse fato inédito: uma aliança que deixaria o PT sem candidato próprio a prefeito do Rio.

“Ao contrário do que o Picciani disse em entrevista ao site do IG, o PT tem sim lideranças fortes para a disputa e não precisa ser burro de carga do PMDB. O projeto do PMDB do Rio é fazer do PT um partido subalterno para tentar se manter no poder até2022”– disse Molon após o evento na ABI, acrescentando: “A cúpula do PT do Rio tem uma visão menor nessa disputa, não a visão de cidade que o eleitor espera do PT. Quer o caminho mais fácil para se manter no poder e não o melhor caminho para o Rio”.

Traduzindo: nem tudo está perdido, porque Molon é um dos melhores quadros do PT e seria uma grande candidato a prefeito do Rio. Mas o grande problema dele é a cúpula do PT. Se Lula atender a dupla Sergio Cabral/Eduardo Paes e mandar o partido fazer acordo, teremos de aturar esse prefeito incompetente por mais quatro anos, infernizando a vida dos cariocas.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *