Momento político é paradoxal, difícil e profícuo

Pedro Beja

Vivemos um momento profícuo e, ao mesmo tempo, difícil, na política brasileira. Explico o paradoxo. Vejo vantagem no crescimento das discussões políticas nos centros urbanos. Ninguém mais se omite no já conhecido “em cima do muro”. Todos têm uma opinião formada – ou em formação -, o que leva a uma busca interessante por novas informações políticas, algo impensável tempos atrás.

Somos jovens ainda nesta prática de luta e discussão. Precisamos aprender com a vida, com o tempo, saber que uma discussão deve ficar apenas na troca de argumentos, na contundência de fatos, sem chegar às vias de uma luta livre. Discutir não é brigar, discutir é contrapor opiniões.

O outro lado do paradoxo é o momento difícil de pensar a política como um bem público, pertencente a todos – por isso, democrático. A quem interessam as operações do Mensalão e da Lava Jato? A quem interessa a publicação nas mídias das provas de corrupção realizadas por políticos? Com certeza não deveria interessar aos círculos políticos do Congresso. Interessa a nós, eleitores.

No momento em que ficamos de lado nas discussões sobre quem deve sair ou não, os políticos eleitos se rogam o poder de dizer se fulano ou sicrano é ou não corrupto, mesmo que existam provas que demonstrem o contrário. O que o povo acha disso? Perguntaram em algum momento para nós? O PT e o PSDB é que devem discutir a permanência de Eduardo Cunha na Presidência do Congresso, de acordo com seus interesses escusos? Com certeza, não.

MEMÓRIAS DE FHC                                                                

Discordo de Jorge Bastos Moreno e sigo a leitura de Pedro do Coutto sobre o grande momento editorial brasileiro, a publicação dos diários gravados por Fernando Henrique Cardoso ao longo do seu primeiro mandato. Antes mesmo de o primeiro volume chegar as livrarias – no dia 30 deste mês -, vários trechos já foram publicados na revista Piauí – edição 109 – e em reportagens no jornal O Globo e na Folha.

Posso concordar em parte com Moreno quando FHC assume o papel de mocinho em sua narrativa. Claro, compreensível (percebam, não digo que apoio, mas que é compreensível). No entanto, tendo a concordar com Coutto de que esta publicação é um signo importante para o nosso momento histórico, não apenas pelas movimentações por fora dos holofotes jornalísticos – “os bastidores políticos, as articulações, as pressões exercidas”, mas também pela postura direta e incisiva que já deu para perceber nos trechos já vistos.

FHC foi e é uma figura imprescindível para pensarmos a política contemporânea brasileira. Tanto positiva como negativamente. E arrisco destacar que agora, fora da presidência e com liberdade para opinar sobre tudo e todos, Fernando Henrique Cardoso tem-se se tornado um grande arauto da crítica política.

4 thoughts on “Momento político é paradoxal, difícil e profícuo

  1. Pedro, mesmo que você não queira, não goste e nem me tenha feio pedido algum, me vejo na obrigação de dizer a todos os leitores que este texto é de um jovem de 23 anos de idade, já professor de História (UFRJ) e mestrando em Letras, pela mesma universidade. É a certeza de que, no quase ontem, nem toda juventude brasileira não tinha futuro, e no hoje e no amanhã e gerações para frente, há e haverá brasileiros que mudarão este país. Um deles é você, Pedro.
    Jorge Béja

  2. Excelente artigo, muito bem escrito pelo jovem e ilustre Prof. PEDRO BEJA. Realmente vivemos um momento Político que é paradoxal, difícil e profícuo. É paradoxal porque nossa Presidenta depois de um primeiro Mandato de 4 anos seguindo um Programa de “Nova Matriz Econômica””, ( Aumento reais de Salário Mínimo; Expansão máxima do Crédito; e aumento constante e acelerado das Despesas do Governo), logo que ganhou as Eleições ABRUPTAMENTE mudou para uma Política de “Consenso de Washington” via seu Tripé Estabilizador: ( Metas de Inflação; Câmbio flutuante e bota flutuante nisso; e Superavit Primário). Demitiu um velho e bom Ministro da Fazenda com quase 10 anos no cargo, Sr. GUIDO MANTEGA ( PT ), e nomeou outro, Sr. JOAQUIM LEVY ( PMDB ), para executar o “AJUSTE FISCAL”.
    Aí ficou Difícil porque o Ministro JOAQUIM LEVY está praticamente executando o Programa que a Oposição “dizia ser necessário”, mas que nas Eleições, a Nação rejeitou. A Base Aliada rachou, o Congresso Nacional está REBELDE e a Presidenta perde popularidade/aprovação.
    Mas como bem diz o brilhante Autor, Prof. PEDRO BEJA, esse momento Político é muito profícuo, porque nos tira da nossa costumeira Zona de Comodismo.
    Frente ao Corte de Gastos do Governo (inclusive partes de Programas Sociais, Investimentos Públicos, etc, frente ao aumento de Impostos, inclusive a forte ameaça de uma CPMF 0,38% para também atender Estados/Municípios, a Recessão e seu terrível efeito colateral DESEMPREGO), somos obrigados a TOMAR POSIÇÃO. Abrs.

  3. É um “nepotismo” muito bem vindo. Excelente artigo, com o qual concordo sobre a importância do “tijolo” de 910 páginas sobre os dois primeiros anos do governo FHC narrados pelo próprio.

    Acho que Moreno ficou foi com ciúmes de Roberto Pompeu de Toledo.

  4. Bom artigo. Penso que estamos na era da Impolítica.

    Mestre Houaiss, em seu Dicionário, informa que “Impolítica: 1caráter ou condição de impolítico. 2 Política errada. 3 Falta de cortesia, incivilidade”.

    Temos vários Partidos Impolíticos e Parlamentares (municipais, estaduais e federais) Impolíticos. Não estou generalizando.

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