Moradia popular é um tema urgente, porém esquecido pelos candidatos

Famílias desabrigadas após o desabamento em SP

Quem se interessa pelos carentes e excluídos?

Bernardo Mello Franco
O Globo

A tragédia de ontem em São Paulo deveria exigir um debate a sério sobre a carência de moradia digna no Brasil. O assunto é urgente, mas tem sido praticamente ignorado pelo poder público. O tema também parece distante da agenda dos principais candidatos que disputarão a Presidência.

Em 2015, o déficit habitacional no país chegou a 6,35 milhões de lares, de acordo com a Fundação João Pinheiro. Na comparação com o ano anterior, o problema se agravou em 20 das 27 unidades da federação. É preciso esperar o próximo levantamento para se conhecer todo o estrago provocado pela recessão.

MORADORES DE RUA – Os efeitos da crise econômica são visíveis. Basta andar pelas grandes cidades para constatar o aumento da população de rua. Para não ficar ao relento, muitas famílias buscaram alojamento precário em favelas e cortiços. Outras engrossaram invasões de prédios abandonados.

Era o caso do edifício que desabou no Largo do Paissandu, no centro da capital paulista. A torre de 24 andares estava ociosa desde 2009. Pertencia ao governo federal, como tantos imóveis esquecidos pelo país. Sucessivos governos lavaram as mãos para o problema. No Rio, um edifício do IBGE passou cerca de 20 anos ocupado em condições insalubres. As famílias só foram removidas na sexta passada, por ordem da Justiça. O local dará lugar a um condomínio do Minha Casa, Minha Vida.

DESUMANIDADE – O programa habitacional da era petista repetiu erros do antigo BNH, como a construção de grandes conjuntos afastados dos centros urbanos. Mutuários também reclamam do uso de material de má qualidade, um truque para baratear obras e aumentar os lucros das empreiteiras.

É uma desumanidade culpar as famílias pelo desabamento de ontem, como se viu no submundo das redes sociais. Ninguém vive em condições precárias por opção. Sobreviventes relataram o medo de levar os filhos para abrigos dominados por “noias” (usuários de crack), o que só reforça a insensibilidade do poder público para lidar com os mais pobres.

Resolver o déficit habitacional é caro, mas não é impossível. Segundo o IBGE, o Brasil tem 7,9 milhões de imóveis vazios. Boa parte poderia ser reaproveitada numa reforma urbana, outro tema evitado pela maioria dos pré-candidatos.

13 thoughts on “Moradia popular é um tema urgente, porém esquecido pelos candidatos

  1. Tema realmente urgente:

    A PGR Raquel Dodge entrará para a história como a Prevaricadora Geral da República !

    Ela só atua para continuar engavetando a 3ª denúncia contra Temer !

    Famoso crime de prevaricação !!!

  2. O rapaz que diz ter visto onde o fogo começou, que foi numa briga entre um casal, saiu gritando para sua mãe correr para fora do prédio e levar seus 11 irmãos para segurança.
    Veja bem, um casal não tem onde morar, mas tem 12 filhos, ai não tem política social ou de moradia que de jeito.
    A irresponsabilidade na paternidade, aliada ignorância de se deixar levar por aproveitadores e ainda contar com o descaso do poder público, não pode acabar em algo diferente, termina em tragédia com esta deste prédio.
    Os edifícios legalizados, sofrem fiscalizações de todo o tipo, dos órgãos públicos, porém as “ocupações”, vivem sem ser incomodadas, porque será?

    • E quando o CB pede a interdição do prédio, não falta um desembargador para levantar a interdição. O Brasil é o país da leis que nunca serão cumpridas. Aliás, as leis são sempre compridas.

  3. Esse vagabundo do Guilherme Boulos é um dos maiores responsáveis por essa tragédia! Vive incentivando pobres diabos a invadirem e ocuparem prédios públicos e particulares, está pouco se lixando para as péssimas condições de segurança e higiene que essa gente estará sujeita quando ocupam irresponsavelmente esses imóveis. Agora fica tirando o corpo fora, dizendo que não foi a organização dele que promoveu a “ocupação” desse imóvel. É ELE SIM, O MAIOR RESPONSÁVEL POR ESSA DESGRAÇA, POR ESSAS MORTES QUE PODERIAM TER SIDO EVITADAS, mas o Poder Público acovardado não tem coragem de enfrentar essas organizações criminosas como MTST e MST para impor a Lei e a Ordem. O próprio Presidente Temer confessou isso, disse que não teve coragem de pedir a reintegração de posse do imóvel pertencente a UNIÃO. Não teve coragem sim, em outras palavras agiu com COVARDIA, ele e o Ministério Público que também teria obrigação de tomar essa iniciativa , mas também tem medo desses movimentos, verdadeiras organizações criminosas que infernizam a nação brasileira.
    ATÉ QUANDO CONTINUAREMOS SENDO INFERNIZADOS POR ESSAS ORCRIMS, PT, MST, MTST e outros?

  4. Não há planejamento urbano que dê conta quando as famílias, especialmente aquelas formadas por pessoas que não têm condições de se sustentar, procriam geometricamente. o Estado tem que prever que cada pessoa – não digo casal pq muitas mulheres são mães solteiras – irá gerar tantos e tantos filhos em meio à própria miséria? Sem contar aqueles casos de “noias” que, além de se drogar, e tb as “garotinhas adeptas do tal “baile funk” procriam irresponsavelmente. Como calcular isso? Deixei de ser mãe por opção. Por acreditar que é uma responsabilidade por filhos no mundo e que isso exige maturidade emocional e capacidade financeira pois filhos têm custos. E serão adultos procriando indefinidamente.Se não podemos ensinar-lhes limites ou dar-lhes suporte para serem bem sucedidos, é de se pensar onde anda a tal civilidade. Sem contar que essas pessoas do incêndio – brasileiras ou estrangeiras vêm sendo exploradas e usadas por elementos – dissidentes ou não do MTST – que não as respeitam, como de resto, não respeitam a sociedade brasileira.

    • Acrescento que venho de uma família pobre que mal tinha comida e cobertor no inverno,com dez irmãos.Numa época em que não era usual o uso de contraceptivos, hoje distribuídos pela saúde pública.Apesar disso, meu pai nunca se ausentou e nós, que começávamos a trabalhar aos 12, 13 anos de idade, por um espírito de solidariedade e de sobrevivência, claro, para alcançarmos melhores condições de vida, nos formamos e conquistamos, hoje, uma vida tranquila, não obstante os percalços que vieram nas vidas de uns e outros. Nunca dependemos do Estado para isso. Havia, então, educação e saúde de qualidade.E podíamos andar livremente pelas ruas, trabalhando de dia e estudando à noite, sem sermos molestados. Isso foi antes desses governos imprestáveis assumirem o poder, nos últimos 30 anos. E, nos últimos 20, subverterem todas as normas de civilidade, utilizando o povo para chegar e se manter no poder.

  5. Certamente a solução passa por entregar a presidência para o cara que cobra dos moradores de rua aluguel para ficarem instalados num prédio prestes a desabar. Vemos aí razão e sensibilidade atuando em sintonia.

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