Moreira Franco acentua divergência entre Michel Temer e os tucanos

Moreira Franco falou em nome de Temer, como se fosse porta-voz

Pedro do Coutto 

Numa entrevista ao repórter Pedro Venceslau, O Estado de São Paulo de terça-feira, o secretário de Investimentos Moreira Franco acentuou a existência de um desentendimento entre o Palácio do Planalto e o partido que compõe a base de governabilidade do presidente Michel Temer. As declarações de Moreira Franco, claro, refletem o sentimento de Temer, pois, caso contrário, não poderia ter feito as afirmações que fez.

A resposta saiu na edição de terça-feira e seu alvo direto foi o senador Aécio Neves que, em artigo na Folha de São Paulo de segunda-feira, criticou a atuação do ministro Henrique Meirelles no episódio da renegociação das dívidas que os Estados possuem para com a União Federal.

Ao Estado de São Paulo, o ex-governador do Rio de janeiro sustentou diretamente que Henrique Meirelles está sendo vítima de manipulação eleitoral.  Com esse posicionamento, Moreira reconheceu a existência de uma divisão que começa a emergir separando o PMDB e o PSDB, em função da luta pela presidência da república nas urnas de 2018.

JOSÉ SERRA – Era de esperar que tal viesse a acontecer, sobretudo porque José Serra foi o primeiro tucano a defender o apoio a Michel Temer, antes mesmo da aceitação do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Na época, José Serra até revelou sua intenção de integrar a equipe do governo Temer, condicionando, entretanto, seu apoio e sua aceitação ao compromisso de Temer não disputar a reeleição de 2018.

Agora as ondas começaram a se tornar mais fortes.           Os caciques do PSDB lançaram sua visão, e ação, contra o titular da Fazenda, vendo Henrique Meirelles como um obstáculo a uma ascensão tucana ao Planalto.

A contradição está assim colocada. Mas, afinal de contas, Meirelles tem pleno direito a disputar a sucessão, da mesma forma que Serra, Aécio ou Geraldo Alckmin.

REELEIÇÃO – Há também a perspectiva, não muito distante, de Michel Temer, atendendo a apelos, aceitar, como se diz na política, mais “um sacrifício” pela nação E se candidatar à reeleição. Isso de um lado. De outro, o problema maior situa-se no próprio PSDB, dividido entre as correntes de Alckmin, Serra e Aécio.

Geraldo Alckmin se fortalecerá na hipótese de seu candidato, João Dória, vencer as eleições para a prefeitura da capital paulista. Claro, como é também do jogo político, Serra e Aécio vão torcer contra ele. Pois se Dória vencer nas urnas de outubro, o governador paulista marcará um ponto importante para a sucessão presidencial de 2018, largando na frente na convenção do PSDB.

E como será a convenção do PMDB? Nesta altura dos acontecimentos, a aliança entre PMDB e PSDB parece ameaçada de se sustentar. Pois se hoje, dois anos antes, as divergências já se projetam de forma acentuada, que dirá na reta final da escolha dos candidatos. Ou candidatas, já que não podemos omitir o nome de Marina Silva no espaço crítico que vai anteceder as urnas presidenciais.

DIVERGÊNCIAS – O panorama, portanto, começa a ser traçado. Ao rebater as críticas  do PSDB, o secretário de Investimentos não falou apenas por si próprio. Na realidade, isso sim, expressou a irritação de Temer para a apressada tomada de posição tucana.

Houve precipitação, sobretudo porque, antes de mais nada, o calendário tem pela frente os votos finais do Senado, as eleições municipais deste ano, a formação definitiva de um governo, o de Michel Temer, que até o final de agosto ou início de setembro, ainda não é definitivo.

Aliás, não existe nada definitivo em política antes da hora decisiva.

5 thoughts on “Moreira Franco acentua divergência entre Michel Temer e os tucanos

  1. Dá um medo de ver essa bandidada esperneando.Acho que teremos de exigir que o velhote suma com essa gente pouco confiável. Ou isso, ou pressionaremos o TSE para cassá-lo com aquela lá.

    • Tamberlini, claro que emplaca. Caso contrário haveria eleição direta ainda este ano. Você acha que os tucanos iriam querer isso? Vão tentar ganhar no tapetão no ano que vem, oras…

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