Moreira Franco apoia Temer na tentativa de esvaziar o poder de Eliseu Padilha

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Moreira Franco está de olho nas armações de Eliseu Padilha

Carlos Newton

O ambiente no Palácio do Planalto está pesadíssimo. Embora seja extremamente discreto, o presidente Michel Temer já não consegue esconder o mau humor e o descontentamento com a postura de Eliseu Padilha, chefe da Casa Civil, que desde o governo interino vem se comportando como se fosse primeiro-ministro, em pleno regime presidencialista. O fato concreto é que Padilha, na empolgação por ter liderado o esquema de apoio ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, não entendeu seus limites na Casa Civil e tenta criar um governo paralelo, intrometendo-se em assuntos internos de outras pastas.

Com essa postura inconveniente, já conseguiu criar problemas com ministros da maior importância, como Henrique Meirelles, da Fazenda, e José Serra, das Relações Exteriores, que têm  garantido ao governo Temer o apoio estratégico do mercado e do PSDB,  maior partido da coalizão com o PMDB.

Mais recentemente, o chefe da Casa Civil criou problemas como Moreira Franco, secretário-executivo do Programa de Parcerias de Investimentos, que nem ministro é, mas goza da total confiança de Temer.

O CASO DO PORTA-VOZ – Nessa disputa entre Temer e Padilha, é claro que Moreira Franco optou por apoiar o presidente, que encontrou forte resistência à ideia de nomear um porta-voz, a pretexto de “alinhar a comunicação” do Planalto, porque Padilha logo percebeu que a intenção era esvaziar o poder da Casa Civil, que vinha comandando o setor no Planalto, através da Secretaria de Imprensa, diretamente subordinada à Casa Civil. Dirigida pelo jornalista Márcio de Freitas Gomes, que há 15 anos trabalha no PMDB, ligado aos caciques, a Secretaria de Imprensa era e ainda é o principal feudo de Padilha na estrutura palaciana.

Com a recriação da Secretaria de Comunicação Social (Secom), ocupada pelo diplomata tucano Alexandre Parola, ex-porta-voz de FHC, é óbvio que Padilha começou a ser esvaziado.

Espertamente, o chefe da Casa Civil até fingiu apoiar a nomeação da Parola, mas na prática começou logo a boicotá-lo e deu uma entrevista desastrada nesta sexta-feira em Porto Alegre, anunciando que o desemprego vai aumentar.

ISOLANDO PADILHA – A nova estratégia de Temer-Moreira, oficialmente adotada para conter os deslizes e as declarações desencontradas no primeiro escalão do governo, significa apenas o primeiro passo para conter os arroubos de Eliseu Padilha, que sempre contou com o apoio de Geddel Vieira Lima, secretário de Governo e Articulação Política, mas esse quadro também começa a mudar. Na hora da verdade, Geddel vai ficar ao lado de Temer-Moreira e deixar Padilha se virar sozinho, não tenham dúvidas.

A partir de segunda-feira, Alexandre Parola começa efetivamente a conduzir a recém-criada Secretaria de Comunicação, que ainda não tem funcionários e só existe no papel. Como diria Temer, assim “poder-se-á” avaliar melhor a situação. Se Parola ficar no terceiro andar, próximo a Temer, será uma figura decorativa. Se trabalhar no terceiro andar, junto com a Secretaria de Imprensa, poderá controlar melhor a situação. De toda forma, será fortemente repelido pelos serviçais de Padilha.

Vamos aguardar, porque essa briga que agita os bastidores do Planalto ainda vai durar muito tempo, enquanto la nave va, sempre à deriva.

8 thoughts on “Moreira Franco apoia Temer na tentativa de esvaziar o poder de Eliseu Padilha

  1. Bom dia para a Tribuna, daqui a pouco a tal maldição da casa Civil bate e leva ao ministro renunciar ou ser preso. Até 2018 muita vaidades, ganancias e outros males vão percorrer no planalto. Pior divida é aquele que esta próximo, pois olhos nos olhos a cobrança esta diante de si todos os dias.

  2. Não existe a mínima possibilidade de esvaziar Padilha. Padilha é cumplíce de todas as bandalheiras praticadas junto com Temer nas Docas de Santos. Há mais de 25 anos Padilha e Temer se lambuzam na lama das Docas de Santos.E continuam se lambuzando. Apesar de Moreira Franco (O gato angorá de Brizola), ser um perigo. Foi o único candidato a governador no período da Ditadura que foi apoiado na mesma eleição por Castor de Andrade “capo de tutti capo do jogo dos bichos” e o presidente da república General Figueiredo. Figueiredo foi para rua pedir voto. Coisa nunca vista. Brizola passou com uma motoniveladora sobre eles e se elegeu em 1982.

  3. Deu no Estadão.
    Os salários médios do funcionalismo público subiram, em termos reais (acima da inflação), 33% entre janeiro de 2003 e janeiro de 2016, enquanto na iniciativa privada esse aumento foi de 10%.
    O levantamento, feito com base em cruzamento de dados oficiais pelo consultor legislativo do Senado Marcos Köhler, confirmam as queixas do governo federal, governadores e prefeitos sobre o crescimento do custo da folha salarial dos servidores nas despesas públicas. Em 13 anos, pulou de cerca de R$ 880 para R$ 1.650 a disparidade média entre o que ganha um funcionário do Estado e um profissional do setor privado.

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