Moreno ficou branco de susto, quando viu que Temer não iria demitir Osório

Por sua amizade com Temer, Moreno foi usado e se deu mal

Carlos Newton

Jorge Bastos Moreno é um dos jornalistas mais conhecidos de Brasília. Tem trânsito livre nas esferas do poder e se orgulha de receber telefonemas do atual presidente da República, Michel Temer.  Embora esteja há mais de 30 anos na estrada da política, o consagrado Moreno ainda demonstra uma certa ingenuidade que os jornalistas veteranos e famosos decididamente não podem cultivar.

Neste sábado, por exemplo, o colunista de O Globo embarcou numa canoa furada, ao anunciar que o ministro Fábio Medina Osório, da Advocacia-Geral da União, estava sendo demitido em situação desonrosa, por ter dado uma “carteirada” para viajar num jatinho da FAB e por ter sido omisso no processo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em que o governo foi derrotado na fase liminar.

INFORMANTE MAL INTENCIONADO

Moreno acreditou no informante, não se deu ao trabalho de checar a notícia com a FAB nem com a AGU, foi logo publicando a nota, sob o título “Queda a jato”. O fato é que o ministro Medina Osório realmente corria o risco de ser demitido, mas as alegações acolhidas pelo jornalista eram levianas e mentirosas.

Na própria manhã de sábado, Moreno foi informado de que nada disso acontecera, porque Osório não dera nenhuma “carteirada”, viajara num voo normal, previamente requisitado, e a AGU nada tinha a ver com o processo da EBC, que estava a cargo da Subchefia Jurídica da Casa Civil.

Mesmo assim, apesar de ter recebido esclarecimentos sobre a versão verdadeira, Moreno insistiu em confirmar a demissão de Medina Osório e ainda ironizou: “Se ele soubesse quem me passou essa informação…”

DIFAMAÇÃO PERMANENTE

Inicialmente, os outros jornais acreditaram na nota de Moreno, que se recusou a publicar a versão de Medina Osório, e a intriga palaciana dominou a mídia. Mas pouco a pouco a verdade foi surgindo. Primeiro, saiu a nota da Aeronáutica, no próprio sábado, esclarecendo que o voo fora requisitado legitimamente, para que o ministro cumprisse compromisso oficial, na forma da lei e tudo o mais. Ou seja, não houve “carteirada”.

O Correio Braziliense então se deu ao trabalho de entrevistar Medina Osório, e o ministro explicou que o presidente Temer não consultara a AGU sobre a questão da EBC, preferindo ser defendido pela Casa Civil. Quer dizer, a AGU nada tinha a ver com o processo, Osório ainda tentou ajudar e até orientou a defesa, que depois soube ter sido elaborada equivocadamente pela Subchefia Jurídica da Casa Civil.

Mesmo assim, Moreno continuou “bancando” a informação no site de O Globo. Outros jornalistas da Folha e do Estadão, por saberem que o jornalista global é íntimo de Temer, não somente continuaram a confirmar os termos da matéria furada de Moreno (“carteirada no aeroporto” e “omissão no processo da EBC”), como também acrescentaram outros detalhes depreciativos, tais como “ministro deslumbrado”, “criticado por integrantes da AGU”, “exigiu uma sala no Planalto” e muito mais. Ou seja, ocorreu um verdadeiro festival de difamação, e tudo partia do próprio Planalto, mostrando o alto índice de esculhambação reinante.

APOIO A MEDINA

Como diz o velho ditado, a mentira tem perna curta e a verdade foi aflorando. Depois da nota da FAB, desmentindo a “carteirada”, e da explicação sobre o processo da EBC, Medina Osório foi ganhando total apoio das mais importantes entidades jurídicas, como a Associação dos Juízes Federais do Brasil (AJUFE), o Movimento de Defesa da Advocacia (MDA), o Movimento dos Advogados Públicos Aposentados (MAPA), a Associação Nacional dos Advogados da União (ANAUNI) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Na verdade, o ministro da AGU estava sendo demitido por seu incondicional apoio à Lava Jato. Viajara a Curitiba na quarta-feira, junto com um procurador da União e dois assessores, para participar de encontros com a força-tarefa, reforçar a participação da AGU na Lava Jato e fazer uma palestra em evento da Associação dos Juízes Federais do Brasil, em que foi entusiasticamente saudado pelo juiz Sérgio Moro e aclamado pela seleta platéia.

Este era o verdadeiro motivo da demissão de Medina Osório – sua intransigente defesa da Lava Jato e os processos que a AGU está movendo para que os empreiteiros reembolsem os cofres públicos. Apenas isso.

TEMER RECUA

Diante dessa reação avassaladora, Temer não tinha mais condição de demitir Medina Osório, que é um dos ministros que ainda dão uma certa dignidade a um governo repleto de corruptos.

Além disso, o autor da defesa equivocada na Subchefia Jurídica da Casa Civil, Gustavo do Vale Rocha, é figura altamente controversa, para dizer o mínimo. Era advogado do PMDB em Brasília e foi nomeado com apoio dos caciques do partido, como Renan Calheiros, Romero Jucá, Jáder Barbalho, Henrique Eduardo Alves, Edison Lobão e, especialmente, Eduardo Cunha, de quem era advogado particular. Todos eles, altamente envolvidos na Lava Jato.

O pior é que Gustavo Rocha está acumulando ilegalmente a Subchefia Jurídica do Planalto com as funções de integrante do Conselho Nacional do Ministério Público e a atividade de advogado, em afronta direta à legislação, comprometendo a imagem da Casa Civil e da Presidência da República.

Portanto, Temer deveria ter demitido o incompetente Gustavo Rocha e não o jurista Medina Osório. Mas como enfrentar os caciques do PMDB?

MORENO EMPALIDECU

Quando viu que Temer não ia mais demitir Medina Osório, o colunista Jorge Bastos Moreno ficou branco de susto e enfim percebeu que estava sendo usado pelo Planalto.

Moreno entrou em parafuso, mas teve uma reação altamente irracional. Ao invés de investir contra o informante mal intencionado, manteve fogo cerrado contra Medina Osório, passando a usar repórteres de O Globo em seu blog pessoal, para dizer que Medina Osório estava “passeando” de jatinho, quando todos já sabiam que o ministro apenas cumprira um compromisso oficial, e também para afirmar que o chefe da AGU não foi demitido apenas “por enquanto”. Bem, isso não é jornalismo e pode ser classificado como falta de caráter.

MORENO E MERVAL

No artigo de segunda-feira, aqui na Tribuna da Internet, afirmamos que Dilma Rousseff (a assessoria dela, é claro, porque a presidente afastada não lê jornais há meses, não sabe de nada) anunciou que vai processar Merval Pereira, porém jamais o fará.

Explicamos que a qualidade e o esmero de sua atuação profissional e pessoal transformaram Merval Pereira numa espécie de jornalista imune a processos judiciais. Ninguém consegue usá-lo para “plantar” notícias, tudo o que ele publica é fato comprovado, não há especulação em suas análises políticas.

Esta é a diferença entre Merval e Moreno, que embarcou numa furada dessas, mas continuou tentando difamar Medina Osório, ao invés de fustigar seu leviano “informante”.

CONTRA E A FAVOR DA LAVA JATO

O fato concreto que resta desse inquietante imbróglio é que hoje o governo se divide entre os que estão a favor da Lava Jato e os que estão contra. Portanto, o presidente Temer precisa decidir de que lado pretende ficar, para então mandar que o informante acione seu amigo Moreno e o jornalista possa publicar a notícia em primeiríssima mão, com um mínimo de credibilidade.

O resto, como dizia Érico Veríssimo, é apenas silêncio.

11 thoughts on “Moreno ficou branco de susto, quando viu que Temer não iria demitir Osório

  1. E o Moreno se retratou? Claro que não. Mais um jornalistazinho, igual aos do PT, que só serve para anunciar aquilo que o patrão quer. E, se o Temer, não tomar cuidado, a Dilma pega o cargo de volta. Aliás, quem nasceu para capacho do PT nunca passa de vice.

  2. Newton, assino em baixo, Moreno, com essa perdeu minha confiança, não cumpriu o “checar” a informação, porque não ataca os ministros envolvidos na Lava jato, cujo JUIZ É JUIZ, com sua equipe MPF E PF, que mostram à NAÇÃO, que ainda tem JUIZ QUE AMA , HONRA E TEM DIGNIDADE A Sr.JUSTIÇA, pondo na cadeia os poderosos indiciados, coisa nunca vista nesse PAÍS.
    DEUS proteja e ilumine, os que querem e agem por um BRASIL DECENTE E JUSTO.
    Que o Cidadão eleitor, mesmo com o VOTO obrigatório, defenestre os politiqueiros do PT & Cia.
    Deus escreve certo por linhas tortas, oremos a ELE.

  3. Bom dia CN,

    Faço duas ressalvas à sua análise. A primeira é no sentido de duvidar que Moreno – ele deve ter ficado roxo ! – depois de mais de 30 anos em Brasília , entre cobras criadas , tenha cometido tal barrigada por inocência e boa fé e persistido nela por um descontrole hormonal.
    A segunda é que talvez haja mais fogo amigo neste enredo, além daquele disparado por Gustavo do Vale Rocha por desejar o lugar de Fábio Medina Osório na AGU ou para atrapalhar a Lava Jato.
    Algumas colunas , no meio desse tiroteio, mencionaram outro “inimigo” do Osório: Torquato Jardim, o ministro da Transparência.Segundo matérias publicadas recentemente, tanto no Antagonista quanto no de Cláudio Humberto Jardim deseja fechar os tais acordos de leniência que amaciariam a vida e aliviaram a barra das empreiteiras envolvidas no petrolão. Já Osório, diferentemente , trabalha para que os delatores paguem uma indenização de cerca de 23 bilhões de reais ao Tesouro.O tal Ministro da Transparência, é aquele que é cético sobre a Java Jato e que quando perguntado sobre o que deveria ser feito para aumentar a eficácia das ações contra a corrupção respondeu : “Se eu soubesse o que fazer, eu ganhava o Prêmio Nobel. Ganhava o Oscar da Política.”
    Ou seja , ninguém mais do que os empreiteiros possuem mais motivos para desestabilizar Fábio Medina Osório e talvez a imperdoável carteirada do AGU seja justamente essa : tentar recuperar na Justiça os R$ 23 bilhões que os poderosos afanaram da Petrobras.
    Mudando um tanto de tema , a grande manchete do dia é a que trata dos pedidos de prisão de Renan , Sarney e Jucá feitos por Rodrigo Janot. Beleza!
    Mas a gente entende que na Procuradoria Geral da República não existe ordem de chegada. Tem muita gente perguntando por aí pelas prisões dos petistas também flagrados em notórias gravações.
    No pedido de prisão dos caciques pmdbistas , Janot faz uma conexão não só entre as conversas da quadrilha do PMDB e a tentativa de obstruir a Lava Jato mas ,também , entre as conversas e o impeachment de Dilma:

    “Se a trama não fosse documentada pelas gravações de Sérgio Machado, a legislação seria modificada de acordo com o interesse dos investigados. Renan, Jucá e Sarney estão entre os políticos mais influentes do Congresso. Sarney, mesmo sem mandato, controla bancadas na Câmara e no Senado. Ele teria tido, inclusive, papel decisivo no processo de afastamento da presidente Dilma Rousseff”.

    Esse Janot anda precisando de doses cavalares de Memoriol ou acredita ue a sociedade é mentecapta. Ora , pelo que sabemos , as tais medidas provisórias e projetos de leis que pretendiam “amaciar” os acordos de leniência e implodir as delações premiadas foram da lavra de parlamentares PETISTAS, notadamente o Paulo Teixeira e o Waldih Damous.
    É complicado imaginar que o senador Jorge Viana , também do PT, presidirá o Congresso e que o sibilante Lewandowski presidirá o impeachment, quiça o Brasil, caso o interino sucumba , como está sendo esperado, diante das novas e futuras delações premiadas.

    Muito bem. Nós somos levados a crer, face ao exposto, que há forças poderosas trabalhando para que Dilma retorne vitoriosa ao Planalto , agora que cortaram a comida da coitada no Alvorada , pois mesmo fazendo a tal dieta Ravena , ela conseguiu a proeza de gastar R$ 53 mil reais em 18 dias de alimentação. A maluca deve ter começado a comer ouro em pó.
    Mas então, na Folha de São Paulo, a gente dá de cara com uma notinha da Mônica Bérgamo , a colunista social de estimação dos ex-donos petistas do Brasil , que diz o seguinte:

    “A proposta de Dilma Rousseff de convocar eleições presidenciais até o fim do ano, num grande acordo para voltar ao cargo e lançar uma campanha pelas “diretas já”, poderia virar pelo menos quatro votos no Senado para reverter o afastamento dela. A negociação, no entanto, não avança. Um dos motivos apontados: falta de empenho do próprio ex-presidente Lula para que a ideia prospere.Lula e setores do PT têm dado a parlamentares aliados a forte impressão de que preferem que Michel Temer (PMDB) governe até 2018, apostando em seu desgaste. Isso daria alguma chance novamente aos petistas de voltarem ao poder. Eleições agora, julgam, seriam desastrosas para o partido, que enfrenta a maior rejeição de sua história”.

    Chamaram a minha atenção no parágrafo da jornalista duas pretinhas: GRANDE ACORDO.
    Estamos carecas de saber que o discurso subsidiado “de golpe” é só para inglês ver e assanhar os militontos. E então a gente lembra que segundo Gilmar , o TSE só julgará as contas Dilma/Temer em 2017 , que desencavaram um precedente histórico que poderia , na chapa , não fritar o Temer, e conclui que está tudo combinado. A única variável, neste script , é mesmo a Lava Jato.
    A conferir

  4. Este jornalista não é confiável. Tende à imprensa marrom ou morena. Devia checar primeiro.
    Se fazia passar por intimo de diversos políticos da corja petista.
    Que fique com eles.

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