Moro diz que Senado deve garantir ao STF nome comprometido com combate à corrupção

Moro defendeu também o fim do foro privilegiado

Danielle Brant
Folha

O ex-ministro da Justiça Sergio Moro afirmou nesta quinta-feira, dia 1º que o Senado deve assegurar que o candidato a ocupar a vaga de Celso de Mello no STF (Supremo Tribunal Federal) seja comprometido com uma agenda de combate à corrupção. Moro participou de um evento virtual realizado pela Frente Ética contra a Corrupção sobre a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 333, do fim do foro privilegiado.

O ex-juiz afirmou que é importante que o “Senado exerça seu crivo sobre o candidato para saber se há o comprometimento ou não com a agenda anticorrupção.” “Se essa é uma demanda da sociedade, se esse foi um fator determinante em 2018, se essa é uma bandeira da agenda política, esses são detalhes que têm que ser muito bem analisados”, afirmou, sem citar diretamente nenhum potencial candidato.

INDICAÇÃO – Bolsonaro informou a ministros e senadores o favoritismo do juiz federal Kássio Nunes na quarta-feira, dia 29. Kássio tinha um encontro marcado com o presidente para tratar da sua indicação a uma vaga no STJ (Superior Tribunal de Justiça) pela qual trabalhava. Se confirmada a indicação do juiz, a expectativa no Legislativo e no Judiciário é de que o Supremo ganhe um reforço no grupo de ministros que costuma impor derrotas à Operação Lava Jato.

Moro defendeu também a figura de um promotor independente para investigar crimes e delitos cometidos por pessoas que ocupam posições “elevadas de poder, como presidente da República”. O ex-juiz não citou nenhum episódio específico, mas a atuação do atual procurador-geral da República, Augusto Aras, é criticada pelo alinhamento ao governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Citando os Estados Unidos, Moro defendeu a designação de um promotor independente, uma autoridade com uma grande reputação na área, “para que ela conduza investigações, para que faça uma apuração sobre eventuais malfeitos de pessoas que ocupam posições elevadas de poder, como presidente da República.”

EXEMPLOS – Moro citou como exemplos a atuação do promotor independente nos Estados Unidos em casos de grande repercussão, como Watergate, que levou à renúncia do ex-presidente americano Richard Nixon. Mencionou ainda as fraudes imobiliárias do ex-presidente Bill Clinton e as investigações do ex-procurador especial Robert Mueller sobre a interferência russa nas eleições presidenciais de 2016 no país. O ex-juiz, no entanto, afirmou não estar “fazendo nenhuma referência indireta a qualquer situação concreta específica.”

Entre manifestações encaminhadas ao STF e medidas adotadas pela própria PGR, a Procuradoria se alinhou ao governo em mais de 30 vezes. Na contramão desse número, em apenas uma oportunidade Aras apresentou uma ação constitucional contra ato do presidente Jair Bolsonaro.

O ex-juiz defendeu ainda o fim do foro privilegiado e afirmou que o benefício impede que investigações e ações penais regulares não tenham o curso normal. Além disso, afirmou que o governo deveria retomar a agenda ética, que está “esquecida”. “Acho que essa é uma agenda que pertence à sociedade”, afirmou. “Nós precisamos encontrar responsáveis por retomá-la, mais do que encontrar culpados por deixá-la de lado.”

SEGUNDA INSTÂNCIA – Outra pauta que deveria ser resgatada, na avaliação do ex-ministro, é a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da prisão após condenação em segunda instância ou o projeto no Senado que reformula a lei ordinária para prever essa possibilidade.

“É importante que os governados, a população, a sociedade saiba como se posicionam os seus representantes eleitos, quer seja para aprovação, quer seja para eventual reprovação dessas medidas”, disse.

10 thoughts on “Moro diz que Senado deve garantir ao STF nome comprometido com combate à corrupção

  1. Seu Moro, Senado se comprometer em garantir nome de candidato comprometidos com o combate á corrupção?
    Deixe-me elocubrar: quem aponta candidato é o seu Jair Messias. Esse estadista doou 7.5 milhões que não lhe pertenciam para a sua digníssima companheira distribuir para organizações religiosas caridosas. Todos já antevemos o que vai acontecer.
    Nesse contexto em mente, dá para esperar que um juiz contra a corrupção seja escolhido?
    Nem que a vaca tussa e o bode espirra. Lembre-se que quem governa é o Messias.

  2. O Sergio Moro sabe que está pregando no deserto. Como é que senadores corruptos e que lutam pela impunidade vão garantir um juiz comprometido contra a corrupção. É como dizer que os cabritos devem se comprometer com a preservação da plantação de verduras e cenouras .

    • A casa do PT caiu e tu ainda não viu porque não quis, ou não quer.
      Acorda, meu irmão.
      Moro se garante porque é trabalhador e guerreiro, enquanto teu guru é ladrão e frouxo.

  3. O desembargador não terá problemas no Senado, pois seu padrinho político é o senador Ciro Nogueira, e, entre outros, tem o apoio de Renan Calheiros, do ex-presidente José Sarney e do ex-senador Romero Jucá. Aquele que disse que seria preciso fazer um acordo, “com o STF e tudo”, para acabar com a Lava-Jato.

    É o que deve acontecer, pois Kassio Nunes se coloca contra os “exageros” de Curitiba, na mesma linha de Gilmar Mendes. Como vai ocupar a vaga de Celso de Mello, o futuro ministro deve ir para a Segunda Turma, completando o quorum para decretar a parcialidade do então juiz Sérgio Moro, e anular a condenação do ex-presidente Lula pelo triplex do Guarujá. Talvez não seja nem mesmo preciso fazer aquela manobra de colocar o ministro Dias Toffoli na Segunda Turma.

    • Quando for preciso o povo estará nas ruas para defender Moro.
      Tem hora de se defender, e é agora, e terá hora de atacar, se o STF se meter à besta, saberemos enfrentar os corruptos de toga que se acham inatingíveis ai tentarem livrar luiz inacio dos seus crimes indefensaveis.
      Estamos com o Brasil por isso estamos cim Moro.

  4. De tanto ver crescer a promiscuidade
    Do STF com o governo da maldade.
    De tanto ver rachadinhas prosperarem
    Sem que ninguém seja punido
    Dá vontade de ser candidato ao senado
    Ou ser filho de poderoso ou de bandido.

    (Que o Rui me perdoe)

  5. A solução para as mazelas do nosso país nunca virá de dentro do Estado Cleptocrático, nem, tampouco, dos organismos da política institucional.

    A classe média – varíável não significativa para os nossos “intelectuais” (presos que estão na dicotomia de séculos atrás, burguesia operariado) – tem sido e será a força capaz de confrontar o Estado Ladrão, com suas mobilizações (os tais movimentos sociais foram engolidos pelo propinoduto petista, que tornou suas lideranças castas ensimesmadas e fundamentalistas, há léguas da realidade de seus imaginários representados). Já colocaram, em várias manifestações, dezenas, se não centenas de milhões de pessoas nas ruas contra a corrupção e já derrubaram uma Presidente e, anotem, derrubarão o atual. O eleitor movido pelo estômago é insignificante politicamente, só tendo vez no voto de cabresto, que não é segurança pra nenhum político formal.
    Tida como uma escória, um acidente histórico, tem bagunçado as bases retroutópicas das ciências sociais. Notadamente a dos intelectuais do campo da “esquerda”, que se converteram em intelectuais orgânicos da corrupção e do assalto ao povo.

    Bom esse acidente da História é a única força capaz de fazer uma enorme pressão de fora, contra o Estado Gângster. Não é à toa que a Princesa da Filosofia, cujo partido aliou-se à burguesia, para roubar em bilhões o povo disse essa enorme asneira, parecendo uma vaca louca (com o perdão dos portadores de sofrimento mental): https://www.youtube.com/watch?v=sFIRrS6UiwM. É claro, pois sua turba, em conluio com a burguesia criminosa têm ostensivamente assaltando o povo e fortalecendo o Estado Cleptocrático: https://epoca.globo.com/tempo/noticia/2016/03/7-bilionarios-afetados-pela-lava-jato-tem-patrimonio-total-de-r-288-bilhoes.html

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