Moro vai fazer Lula falar sobre versões de Pinheiro, Emílio Odebrecht e Duque

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É pena que o interrogatório não seja exibido ao vivo

Pedro do Coutto 

Através das redes sociais da Internet, o juiz Sérgio Moro fez apelo aos que apoiam a Operação Lava Jato para que não compareçam na quarta-feira ao depoimento do ex-presidente Lula sobre acusações que lhe foram e estão sendo imputadas. O pronunciamento do juiz foi reproduzido pelos jornais da GloboNews. O objetivo é evitar que a audiência se transforme num confronto político, ao colocar em planos opostos os partidários e adversários do ex-presidente da República.

Moro quer evitar a radicalização da audiência que se volta principalmente para as questões que envolvem a propriedade verdadeira do apartamento do Guarujá e do sítio de Atibaia. Duas propriedades que são atribuídas a Luiz Inácio da Silva, mas que ele insiste em negar sustentando que pertencem à OAS e a amigos pessoais. As evidências apontam o contrário e neste ponto é que entram as versões de Emílio Odebrecht e de Léo Pinheiro ex-presidente da OAS.

DUQUE E LULA – Entretanto, embora sejam esses os temas centrais será inevitável que o diálogo a ser mantido se afaste das afirmações feitas por Renato Duque, nas quais o ex-diretor de serviços da Petrobrás sustentou taxativamente que recebeu orientação de Lula para obter recursos financeiros ilícitos.

Renato Duque afirmou ter recebido orientação de Lula para obter recursos procedentes de corrupção. As empresas doavam quantias ao PT, através de João Vaccari Neto. personagem escalado por Lula para recolher o produto financeiro decorrente do superfaturamento de contratos entre as empresas e a Petrobrás. Sérgio Moro, penso eu, vai perguntar a Lula sobre essa e outras versões apresentadas por delatores que tiveram suas iniciativas aceitas pelo Ministério Público.

SEM CONFRONTO – Dessa forma, sem dúvida bastante hábil, Moro vai afastar a possibilidade de Lula travar um debate com ele pessoalmente. E também vai retirar do acontecimento o caráter de um confronto político partidário. O Juiz conduzirá Lula para que ele se pronuncie sobre o que disseram Renato Duque, Emílio Odebrecht e Léo Pinheiro, um elenco de acusadores no qual se acrescenta o nome de Marcelo Odebrecht que também se dispôs a apresentar seu depoimento sob a forma de delação premiada.

Com isso, será amortecida qualquer investida espetacular de Lula para desviar o foco da audiência. Sérgio Moro provavelmente pedirá a Lula que se pronuncie sobre as afirmações que fizeram a seu respeito. Na mensagem que divulgou nas redes sociais, o juiz deixou claro que não está disposto a transformar a audiência num debate público, que depois será transmitido pela televisão. Deixará o problema com o próprio ex-presidente, não respondendo diretamente a ele, mas aos fatos de conhecimento geral.

3 thoughts on “Moro vai fazer Lula falar sobre versões de Pinheiro, Emílio Odebrecht e Duque

  1. De Mauro Santayana:
    Normalmente todo mundo sabe que em esquema de corrupção, quem pede a propina quase sempre fala que o pedido do dinheiro partiu de cima, normalmente de alguém a quem o corruptor não tem acesso diretamente, e que a primeira atitude de quem está fazendo a extorsão faz é exagerar o grau de intimidade com a “otoridade” que supostamente está pedindo o “favor”, para reforçar e valorizar a chantagem. 
    Se Lula recebeu dezenas de milhões de dólares, e aconselhou o próprio Duque, em outra ocasião, a não abrir contas no exterior – como, convenientemente, para sua narrativa, diz o próprio Duque – onde estão os recursos de que fala o narrador da vez, a quem cabe estar em destaque, nesta semana, nos meios de comunicação?
    Afinal, de que vale, para um suposto corrupto, se apropriar de uma quantia como essa se não vai ou não poderá gastar esse dinheiro? 
    Não parece estar claro, mais uma vez, que se tentará colar no ex-presidente a mal aplicada tese, no Brasil, da Teoria do Domínio do fato, para outra condenação sem provas, o que escancararia, no caso de um pré-candidato que está à frente na maioria das pesquisas para as eleições presidenciais do ano que vem, o descarado uso de “lawfare” pela justiça brasileira? 
    É preciso lembrar que a Lava Jato costuma dizer que provas serão apresentadas em sequência para corroborar denúncias e depoimentos, e que, em muitos casos depois se aparece – principalmente no caso de Lula – com mirabolantes apresentações em power-point e dois ou três tickets de pedágio.
    Se Lula pegou dinheiro para si mesmo, como fizeram outros acusados, como Eduardo Cunha e Sérgio Cabral, por que não adotou estilo de vida semelhante, viajando para Paris e Dubai, hospedando-se em caríssimos hotéis, gastando centenas de dólares em garrafas de vinho, pagando exclusivas aulas de tênis para Dona Marisa Letícia, comprando ou “ganhando” para ela, anéis de centenas de milhares de reais, e está sendo acusado de ter tentado comprar um triplex e possuir indiretamente um sítio mambembe – para os padrões dessa turma – em Atibaia, cheio de puxadinhos, nos dois casos propriedades que ridicularizariam o ostentatório, perdulário e mafioso cotidiano de bandidos que, em muitos casos já estão, na prática, soltos, ou só têm suas penas comutadas depois que acusam e delatam justamente Lula?
    Muitos podem dizer que, passando pelo delicado momento que está vivendo, o ex-presidente deveria medir melhor suas palavras, e evitar falar de improviso, o que não é, definitivamente, seu estilo.
    Seus adversários podem até discordar de suas posições, mas não podem negar que ele está fazendo o que se espera dele, considerando-se suas características pessoais e sua posição – vide novamente as pesquisas – de uma das principais lideranças políticas do país. 
    Assim como não se pode negar que, ao responder, por meio de um procurador, de forma pública, ao discurso feito por um dirigente partidário, pré-candidato à Presidência da República, falando em um encontro de seu partido, com a presença de convidados internacionais, o Ministério Público, ou a parte dele que está encarregada da Operação Lava Jato, prova o que até as pedras – portuguesas – dos calçadões litorâneos da orla da Zona Sul carioca e o resto do mundo, incluída a opinião pública internacional, já sabem: em certos casos, o que o MP brasileiro está fazendo nos últimos anos – contra o que determina a lei – não é justiça.

    https://goo.gl/dzOVvY

    O equilíbrio de Santayana como faz falta nestes tempos de pós verdades.

  2. “Dessa forma, sem dúvida bastante hábil, Moro vai afastar a possibilidade de Lula travar um debate com ele pessoalmente.”
    E pode? Um indiciado ou réu pode confrontar um juiz na corte? Eu, hein, mais uma jabuticaba brasileira.

  3. Lula, no Congresso do PT em São Paulo, disse ser vítima de uma conspiração incriminatória da Operação Lava Jato.
    O presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República respondeu para o Lula.
    Nome do cara: José ROBALINHO Cavalcanti.
    O ROBALINHO respondeu para o ROUBALÃO.

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