Morosidade da Justiça livra mais um envolvido no valerioduto tucano: Mares Guia, que foi ministro de Lula.

Carlos Newton

A lentidão da Justiça beneficia mais um político. O ex-ministro Walfrido dos Mares Guia (PSB), um dos réus do do processo do valerioduto tucano, vai se livrar da denúncia de peculato e lavagem de dinheiro. Como o ex-ministro de Relações Institucionais do governo Lula fará 70 anos em novembro de 2012, seus advogados poderão pedir a prescrição dos crimes. Normalmente, esses crimes prescrevem em 16 anos, mas para quem atinge 70 anos o prazo cai pela metade.

O valerioduto tucano foi um esquema de desvio de recursos públicos e financiamento irregular de campanha eleitoral. A Procuradoria alega que houve uso de patrocínios de estatais do governo em evento esportivo, como justificativa formal para desviar recursos públicos. A denúncia diz que os desvios foram para a campanha que tentou reeleger governador de Minas o hoje deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB). O operador desse esquema era o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, o mesmo do mensalão do PT.

No processo que tramita na Justiça de Minas são 11 réus. No STF (Supremo Tribunal Federal) são mais duas ações contra o deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB) e o senador Clésio Andrade (PR), que têm foro privilegiado. Mares Guia era vice-governador na ocasião e coordenador da campanha. Clésio era candidato a vice-governador. Os dois, juntamente com Azeredo e Cláudio Mourão, o tesoureiro da campanha, foram denunciados como “arquitetos” do esquema.

Na ocasião da denúncia da Procuradoria-Geral, no fim de 2007, um réu já havia morrido e três, por terem mais de 70 anos, se beneficiaram com a prescrição. Agora, o promotor João Medeiros, do Ministério Público de Minas Gerais, admite que o ex-ministro Mares Guia também pode se beneficiar, pois considera que o processo ainda pode se arrastar muito.

Portanto, não é sem motivo que se diz que o Judiciário é um podre poder.

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