Morre no Rio o jornalista Murilo Melo Filho, da Academia Brasileira de Letras

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Murilo Melo Filho morreu aos 91 anos, no Rio de Janeiro

José Carlos Werneck

Morreu nesta quarta-feira, aos 91 anos, o escritor e jornalista Murilo Melo Filho, membro da Academia Brasileira de Letras. Estava internado no Hospital Pró-Cardíaco, e foi vítima de falência múltipla de órgãos. O sepultamento será no mausoléu da Academia Brasileira de Letras e, atendendo às recomendações de se evitar reuniões e aglomerações por conta do coronavírus, não haverá velório.

O  presidente da ABL, Marco Lucchesi, disse que“Murilo Melo Filho foi um dos grandes jornalistas brasileiros da segunda metade do século XX. Acompanhou de perto a política nacional, a construção de Brasília e a guerra do Vietnã. Conheceu inúmeros chefes de Estado, a quem dedicou páginas antológicas, dos mais variados espectros políticos. Foi também um acadêmico exemplar, assíduo, com a disposição de emprestar seu talento aos mais diversos cargos e serviços na Academia. Guardo a imagem de um homem bom, de uma alta sensibilidade humana, voltada sobretudo para os mais vulneráveis e desprovidos. Um momento de tristeza”.

TRAJETÓRIA – Murilo Melo Filho nasceu em Natal no dia 13 de outubro de 1928, sendo  o mais velho de sete irmãos.  Aos 12 anos de idade começou a trabalhar no Diário de Natal, com Djalma Maranhão, escrevendo um comentário esportivo. Posteriormente passou por outras publicações do Nordeste.

Aos 18 anos, veio para o Rio de Janeiro, onde estudou no Colégio Melo e Souza e foi aprovado em concursos públicos para datilógrafo do IBGE e do Ministério da Marinha, ingressando a seguir no Correio da Noite, como repórter de polícia.

Trabalhou também na Tribuna da Imprensa, com Carlos Lacerda; no Jornal do Commercio, com Elmano Cardin, San Thiago Dantas e Assis Chateaubriand; no Estado de S. Paulo, com Júlio de Mesquita Filho e Prudente de Moraes Neto; e na Manchete, com Adolpho Bloch.

ERA ADVOGADO – Estudou na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e na Universidade do Rio de Janeiro, pela qual se formou em Direito, e exerceu a advocacia durante sete anos.

Como repórter free-lancer, entrou para a Manchete, criando a seção “Posto de Escuta”, que escreveu por 40 anos. Nessa  época, dirigiu e apresentou na TV-Rio, com  Walter Clark, Boni e Péricles do Amaral, o programa político Congresso em Revista, que ficou no ar ininterruptamente por sete anos,  inicialmente produzido e apresentado no Rio e, depois, em Brasília.

Murilo morou em Brasília de 1960 a 1965, onde fez inúmeras reportagens e acompanhou a construção da sede de Bloch Editores e da Manchete. A convite de Darcy Ribeiro e de  Pompeu de Souza, foi professor de Técnica de Jornalismo na Universidade de Brasília.

GRANDE REPÓRTER – Como repórter, acompanhou os ex-presidentes Juscelino Kubitschek a Portugal; Jânio Quadros a Cuba; João Goulart aos Estados Unidos, e ao México e Chile; Ernesto Geisel à Inglaterra e à França; e José Sarney a Portugal e aos Estados Unidos.

Cobriu a Guerra do Vietnã, com o fotógrafo Gervásio Baptista, em 1967, e foi o primeiro jornalista brasileiro a cobrir a Guerra do Camboja, com o fotógrafo Antônio Rudge, em 1973, tendo chegado a Saigon e Phnom-Penh, via Tóquio.

Murilo Melo Filho foi o sexto ocupante da Cadeira nº 20 da ABL, para a qual foi eleito em 25 de março de 1999, na sucessão de Aurélio de Lyra Tavares sendo recebido em 7 de junho de 1999 pelo acadêmico Arnaldo Niskier, seu colega da Manchete.

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