Morreu Chávez, um admirador do Brasil, um amigo dos brasileiros

Carlos Newton

A morte do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, aos 58 anos, na capital Caracas, após um ano e meio de luta contra o câncer, não pode ser sendo entendida como o fim de um ditador impiedoso, como a mídia brasileira tenta fazer crer.

Um era ditador. E o outro?

Para entender Chávez, primeiro é preciso entender a Venezuela, um país que cultiva uma das elites mais corruptas do mundo. O coronel Hugo Chávez nunca aceitou isso, se revoltou contra isso, tentou um golpe de estado que no final não deu certo.

Mas nem precisava dar golpe de estado, ele acabou sendo eleito constitucionalmente em 1998, para mudar um pouco as coisas nesse controvertido país.

CORRUPÇÃO DOMINANTE

Como paraíso da corrupção, a Venezuela teve se suportar presidentes como Carlos Andrés Peres, um verdadeiro debilóide. Para agradar as grandes potências, Andrés Peres concedeu  à suposta tribo Ianomani uma aréa extensa na fronteira com o Brasil, mais ou meno do tamanho de Portugal. E declarou essa região como “patrimônio da Humanidade”. Ou seja, deixou de pertencer à Venezuela.

Do lado do Brasil, outro presidente debilóide, Fernando Collor de Mello, se apressou em seguir o exemplo e destinou à mesma suposta tribo Ianomani uma área mais ou menos do mesmo tamanho, formando então a chamada “Nação Ianomani”, do tamanho da Itália, para abrigar menos de 4 mil índios, que nem são da mesma etnia, não falam a mesma língua e nem se conhecem.

Logo depois, Collor era cassado por corrupção, e Andrés Peres também. Nasceram um para o outro.

MILAGRE PETROLÍFERO

Quando Chávez assumiu, iniciou logo sua luta contra as elites corruptas e saiu vencedor no primeiro round, ao tornar lucrativa a grande refinaria que a PDVSA (a Petrobras venezuelana) tem nos Estados Unidos. A unidade jamais havia dado lucro. Na gestão da equipe de Chávez, logo no primeiro ano teve superávit de meio bilhão de dólares. Nada mal.

Chávez transformou-se numa espécie de pai dos pobres (a imensa maioria da população).  Era um grande admirador do Brasil, ligou-se comercialmente a nós, em poucos anos nos tornamos o terceiro maior exportador para a Venezuela, conquistando preciosos superávits que ajudaram – e muito – a balança comercial brasileira.

Essa aliança Brasil-Venezuela sempre foi altamente proveitosa para nós. Fez o Brasil abrir os olhos para a América Latina, com vultosos ganhos no comércio exterior, conforme já divulgamos aqui no Blog da Tribuna da Imprensa. A grande mídia, é claro,  não fala no assunto. Com a Venezuela no Mercosul, as coisas iam melhorar ainda mais, especialmente depois da criação do Banco del Sud, uma espécie de BNDES continental. Sem Chávez, será que haverá isso?

A aproximação com a América Latina foi a melhor coisa que aconteceu na política externa brasileira nas últimas décadas. Mas quem se interessa?

O grande defeito de Chávez foi pretender se manter indefinidamente no Poder. Uma infantilidade. Deveria fazer como Lula, que colocou um poste no Poder e continua mandando no país, fazendo o que bem entende, e ninguém o chama de ditador. Ainda vamos sentir saudades do Chávez.

 

 

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