Morte do ditador norte-coreano mostra que já não se fazem serviços secretos como antigamente.

Carlos Newton

Já analisamos aqui no Blog da Tribuna a situação da Coreia do Norte, um país tido como independente, mas que vive sob controle da China. Agora, surge uma reportagem na imprensa sul-coreana revelando que apenas a China foi informada no sábado de que o líder norte-coreano Kim Jong-il havia morrido, o seja, dois dias antes da declaração oficial feita para o restante do mundo, enquanto os serviços secretos da Coreia do Sul, do Japão e dos Estados Unidos permaneciam completamente desinformados.

Segundo a agência Reuters, o jornal sul-coreano “JoongAng Ilbo” citou uma fonte não identificada em Pequim afirmando que o embaixador chinês na Coreia do Norte havia recebido informações de inteligência sobre a morte de Kim, e teria relatado a ocorrência para a capital chinesa no próprio sábado, 17 de dezembro, dia da morte dele, que teria sido vítima de um aparente ataque cardíaco enquanto estava num trem.

E uma fonte citada no jornal acrescentou que, “por meios diplomáticos” a Coreia do Norte informou a China sobre a morte de Kim no dia seguinte, domingo, desmentindo o Ministério de Relações Exteriores da Coreia do Sul, que havia dito em coletiva de imprensa na terça-feira que a China não tinha conhecimento da morte de Kim antes do pronunciamento oficial da Coreia do Norte.

“Ouvimos diversas vezes que (a China) não soube (da morte de Kim) antes”, disse o porta-voz do ministério Cho Byung-jae, fazendo com que altas autoridades da inteligência e das forças militares sul-coreanas fossem criticadas por não terem ficado cientes da morte de Kim antes do informe oficial da Coreia do Norte.

Assim, quando o presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, partiu para uma visita diplomática ao Japão na semana passada, o ditador norte-coreano Kim Jong-il já estava morto havia quatro horas, indicando que nem Seul, nem Tóquio e nem Washington faziam ideia da morte do ditador sul-coreano, mostrando que já não se fazem serviços secretos como antigamente, e a CIA vacilou mais uma vez.

E surge também a informação de que o jovem novo líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, terá de dividir o poder com um tio e com os militares, o que significa que o regime comunista terá um comando coletivo depois da morte de Kim Jong-il, segundo uma fonte que mantém estreitas ligações com os governos da Coreia do Norte e da China. Ou seja, o Baby Doc norte-coreano não está com essa bola toda.

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