Motivos do insucesso de Sergio Cabral


Carla Kreefft

As articulações políticas estão perto das definições, pois todos os que pretendem ser candidatos no pleito de 2014 já estão filiados. As mudanças foram feitas depois de muita conversa de bastidor, quase sempre regada de muitas promessas.

Nesse cenário fica difícil falar de outro assunto, porém algumas situações são tão críticas que se impõem. O que está acontecendo no Rio de Janeiro é uma dessas imposições. Por mais que já fosse esperada, a confirmação por um inquérito policial de que o pedreiro Amarildo morreu após ser torturado por militares responsáveis pela Unidade Pacificadora da Rocinha assusta e causa muita indignação.

Um cidadão sem passagem pela polícia, sem nenhuma suspeita de nada, é assassinado com requintes de crueldade pelas mãos de quem deveria estar promovendo a paz. O fato comprova como tem fracassado a política para pacificação das comunidades no Rio de Janeiro. A estratégia, que foi copiada da experiência bem-sucedida de Bogotá e Medellín, na Colômbia, onde o governador do Rio, Sérgio Cabral, esteve justamente para conhecer as políticas de urbanização e pacificação, parece não estar obtendo sucesso.

FRACASSO DE CABRAL

Não é imprudente dizer que há motivos óbvios para esse fracasso. O primeiro deles diz respeito às polícias. Uma das medidas tomadas nas cidades colombianas, que eram conhecidas pelo intenso tráfico de drogas em seus morros, foi a mudança nas corporações. Os salários foram melhorados, os comandos, trocados, e, acima de tudo, todo e qualquer desvio passou a ser punido exemplarmente. A polícia ganhou outro tipo de treinamento. O objetivo alcançado lá foi o estabelecimento de uma relação de confiança entre a população e os responsáveis pelo policiamento. Desnecessário dizer que isso não está acontecendo no Rio.

Outra medida adotada foi a imediata urbanização dos morros após a expulsão dos traficantes. Esgotamento sanitário e rede de água potável foram as primeiras obras, e, em seguida, os teleféricos foram instalados para fazer o transporte de passageiros, evitando que os moradores precisassem subir alguns quilômetros por entre becos apertados para chegar em casa. Isso também não tem sido feito no Rio. Ou seja, parece que as comunidades não passaram por nenhuma melhoria. Houve apenas uma mudança de dono – do tráfico para a polícia. É preciso questionar se essa alteração significa mais paz.

A ministra de Direitos Humanos, Maria do Rosário,lamentou a morte de Amarildo, mas fez questão de ressaltar o inquérito como uma vitória. Declaração lamentável. Fazer um inquérito verdadeiro é obrigação das polícias. E é bom ressaltar que as coisas só aconteceram porque a população, pela internet, colocou a boca no mundo. O que foi mesmo que a pasta dela fez?  (transcrito de O Tempo)

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One thought on “Motivos do insucesso de Sergio Cabral

  1. jogaram para a população da zona sul que o governo do estado estava trabalhando,mais na verdade essa bandidagem está migrando para a zona oeste e baixada fluminense.e aliás o secretário josé mariano beltrame só aparece em inauguração de upp e não se pronuncia sobre as manifestações porquê?

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