Mourão avalia que “toma lá, dá cá” com Centrão faz parte do processo de negociação com Legislativo

“Erramos e não construímos a coalizão necessária”, afirmou Mourão

Gustavo Uribe
Folha

O vice-presidente Hamilton Mourão avaliou nesta terça-feira, dia 12, que o Poder Executivo errou ao não ter construído antes uma base aliada no Legislativo e ressaltou que a oferta de cargos e emendas faz parte do processo de negociação.

Em live promovida pela XP Investimentos, o general da reserva defendeu a participação dos partidos do chamado Centrão em uma coalizão de centro-direita, com cerca de 300 deputados, que permita assegurar uma estabilidade política.

PARTE DA NEGOCIAÇÃO – “Temos de buscar uma coalizão programática. É óbvio que cargos, emendas e essas coisas fazem parte da negociação entre Executivo e Legislativo. Não adianta querer tapar o sol com a peneira. Acho que está mais ou menos sendo conduzido dessa forma”, disse.

A formação de uma base aliada contradiz o discurso de campanha eleitoral do presidente Jair Bolsonaro, segundo o qual ele não governaria com o que chamava de “velha política”. Com o risco de abertura de um processo de impeachment, Bolsonaro mudou de postura.

NOMEAÇÕES – Desde a semana passada, o presidente tem nomeado indicados de políticos do centrão para postos de destaque na administração pública. O movimento tem irritado integrantes da equipe ministerial, que tentam resistir ao loteamento político.

“O presidente foi o ano passado todinho criticado porque ele não tinha feito isso. Aí, agora, ele chegou à conclusão de que tem de dar a mão à palmatória. Erramos e não construímos a coalizão necessária. Agora ele está buscando construir essa coalizão”, disse Mourão.

O general negou que Bolsonaro, ao ter iniciado uma negociação com partidos, tenha como objetivo escapar de um processo de afastamento do cargo. Segundo Mourão, a meta é conseguir apoio suficiente para aprovar as reformas administrativa e tributária.

TRAUMA – Na transmissão online, Mourão também avaliou que a saída do ex-juiz Sergio Moro do Ministério da Justiça foi traumática, mas considerou que, no final das contas, “a montanha pariu um rato”. Ao pedir demissão, Moro acusou Bolsonaro de querer interferir em investigações da Polícia Federal e de querer ter acesso a relatórios sigilosos. O presidente nega as acusações.

“Quando a gente olha o conjunto desse caso, eu digo para vocês com toda a sinceridade: a montanha está parindo um rato. O presidente querendo trocar o diretor da Polícia Federal é um livre-arbítrio dele”, disse Mourão.

O general afirmou ainda que o pedido de demissão do ex-ministro criou uma celeuma que, na avaliação dele, é “inócua”. Para Mourão, Moro não teve uma “saída do governo digna” e poderia ter deixado o cargo sem criar um imbróglio.

CRÍTICAS – “Não resta dúvidas de que prejudica toda a vez que o governo tem de alocar esforços e recursos e acaba tendo de se explicar para fatos que são totalmente anômalos do momento”, disse. O vice-presidente também criticou o Legislativo e o Judiciário. Segundo ele, os dois Poderes “esqueceram seus limites e as suas responsabilidades”. Ele defendeu que se acabe com o que chamou de “brigalhada” no país.

“Os demais poderes parece que esqueceram os seus limites e as suas responsabilidades. E todo mundo gosta de encher a boca e dizer que as instituições estão tolhendo o presidente. A gente tem de passar por cima disso”, defendeu.

17 thoughts on “Mourão avalia que “toma lá, dá cá” com Centrão faz parte do processo de negociação com Legislativo

  1. A vida, é uma eterna negociação; mas, tudo baseado na ética.
    Por ter mais de setenta anos, aceito o fato de na falta de um respirador, um garoto de vinte anos receber em detrimento a minha pessoa.
    Agora, é horrível saber que a precariedade dos serviços médicos hospitalares no SUS, é em função da corrupção.
    Isto é inaceitável. Este ponto colocado, podemos generalizar para todo o espectro da vida humana inclusive a parte politica.

  2. A.’ irmãozinho Mourão,diria nosso Alceu Colares,menas verdade,poderia ter ficado em silêncio. Não captei vossa mensagem venerável mestre,(personagem da escolinha do Prof. Raimundo),
    Quem criou todos os imbróglio desde do início di governo foi o clã Bolsonaro e seus “amigos”.

    Não vamos tapar sol com peneira,o Maia,Alcolumbre,
    Toffoli,”são dos nossos”,fizeram a reforma da previdência que é um escárnio, deixou os militares e outros di fora. Afinal,o quê é ISONOMIA?
    Bolsonaro,pediu e levou o POER aos bancos que são os 500 maiores devedores da União,etc ..

    Agora,logo o senhor vem propagar aliança com os fora da lei,com os tornozeleira eletrônica..
    É, estão em belas companhias.

    PS: Realmente,senhor MORO, é ruim di negócios.’.

  3. Não é por nada que os generais que fazem parte do staff de Bolsonaro tiraram a farda, e andam de terno.

    A verde-oliva acusaria manchas indeléveis de contradição, de subjugação à política deletéria, safada, corrupta, improdutiva e danosa ao povo e país!

    Heleno, Mourão, e outros generais menos conhecidos, arrancaram seus galardões dos ombros, e se amasiaram com a prostituição parlamentar, onde o toma lá, dá cá, significa noites de amor pagas com o dinheiro do povo!

    A orgia, a suruba política, regada a propinas e ofertas de cargos, diretorias e secretarias, corrompeu Bolsonaro, e jogou no lixo carreiras militares elogiosas.
    Se, em tese, a força dos militares é maior que a dos civis, neste país o poder do parlamento derrota as armas mais sofisticadas e mortais existentes nas FFAA nacionais, e vence honras e dignidades com extrema facilidade!

    O gen. Mourão não teria nada para comentar sobre o seu colega de farda e também de 4 estrelas no ombro, Heleno, quando cantou em público o hino do Centrão?
    “Quem gritar pega ladrão não sobra um meu irmão”.

    Ou porque agora afirma o vice-presidente que o troca-troca faz parte do “processo de negociação com o Legislativo”, independente de tais acordos serem estabelecidos com … ladrões?!

    O Centrão não mudou a sua filosofia política …

  4. A nova politica seria tentar construir um congresso de pessoas honestas , com afinco de fazer o país chegar ao primeiro mundo em todos os sentidos elogiáveis .

    Mas , como não conseguiremos , porque grande parte das leis formuladas, são para absolverem os próprios de crimes que praticam , leis , patrocinadas por várias agremiações de ladrões do dinheiro público ..

    Como governar com honestidade e harmonia entre poderes ??

  5. Articulação política é uma coisa.

    Agora, por apoio dar ao Centrão R$ 78 bilhões para administrar é outra coisa.

    Ou seja, comprou apoio.

    Aí virão os lesados e dirão que era assim que funcionava com FHC, Lula, Dilma e Temer. E mais, vão dizer que é mentira e blá blá blá.

    Mas, então, cadê a nova política? Com o “mito” nunca teremos.

  6. Bom dia , leitores(as):

    Senhores Gustavo Uribe ( Folha ) , Carlos Newton e Marcelo Copelli , não me que o vice-presidente Hamilton Mourão tenha defendido e exigido respeito aos ex-ministros Bebiano e ao general Cruz , por parte do Presidente Jair Bolsonaro que os demitiu na base da mentira e agressões diversas , até mesmo desqualificando-os perante a opinião pública , e agora critica a forma com que o então ministro da justiça Sergio Moro pediu demissão, mesmo sabendo que o presidente Jair Bolsonaro é um mentiroso contumaz e de corpo todo , isso é público e notório .

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