Mourão minimiza queimadas na Amazônia e diz que sabe onde há incêndios ilegais

Mourão acusou a imprensa de ter causado “ruído” com Merkel

Deu no O Tempo

O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB), classificou como “surreal” a forma como as notícias sobre incêndios na Amazônia são divulgadas. “Segundo os dados de 26 de agosto, existem 24 mil focos de calor na Amazônia. São 24 mil em 5 milhões de quilômetros quadrados, um incêndio a cada 200 quilômetros quadrados. É surreal como isso é colocado para as pessoas”, afirmou Mourão, que é chefe do Conselho da Amazônia, grupo criado pelo governo federal para combater a destruição da floresta e incentivar atividades ecologicamente corretas. “E 17% desses incêndios são legais. Sabemos muito bem onde estão ocorrendo (os incêndios ilegais)”, afirmou.

As afirmações foram feitas por Mourão durante o webinar “Brasil: Futuro Econômico”, promovido pela Federação das Câmaras de Comércio Exterior, Confederação Nacional do Comércio (CNC) e Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ).

COMÉRCIO EXTERIOR – Mourão respondeu perguntas de cinco entrevistadores: o presidente da Fecomércio RJ, Antonio Florencio de Queiroz Junior, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Sergio Ricardo Segovia Barbosa, o presidente da Federação das Câmaras de Comércio Exterior, Paulo Fernando Marcondes Ferraz, e o presidente do Conselho Superior da Federação das Câmaras de Comércio Exterior e embaixador do Brasil na Argentina, embaixador José Botafogo Gonçalves. Além da situação da Amazônia, Mourão também foi questionado sobre o comércio exterior e reformas necessárias ao desenvolvimento da economia brasileira.

Ele defendeu a reforma tributária, desprezou a saída de capital estrangeiro do Brasil alegando que são especuladores e afirmou que o Brasil precisa oferecer “um ambiente de negócios mais amigável” para atrair investidores estrangeiros. Segundo o vice-presidente, em função das mudanças provocadas pela pandemia de Covid-19, o ambiente de negócios está mudando e o Brasil precisa aproveitar a chance para ampliar seus mercados.

“A participação do Brasil no comércio (mundial) é muito pequena, cerca de 1%. Temos uma imagem ainda abalada por preconceitos, mas é hora do país se posicionar melhor nas cadeias de comércio”, disse. Segundo ele, o que importa é o resultado comercial, não “a orientação ideológica” do parceiro.

CANAIS DE NEGOCIAÇÃO – Mourão ressaltou a crise econômica vivida pela Argentina, principal parceiro comercial do Brasil na América do Sul, e disse que o acordo econômico entre Mercosul e União Europeia “começa a fazer água”. Por isso, segundo ele, é importante que o Brasil mantenha canais diretos de negociação com a União Europeia. “O Brasil tem um relacionamento muito bom com a Alemanha”, garantiu, afirmando que a imprensa causou “ruído” ao tratar da postura da premiê alemã Angela Merkel.

“(Há) pouco tempo a imprensa falou que a Angela Merkel teria dito que o acordo estaria sub judice, mas na realidade ela foi cobrada pela ativista ambiental Greta Thunberg e resolveu não fazer nenhum comentário a respeito. Mas o que já se publica na imprensa no Brasil é algo totalmente diferente do que está acontecendo na realidade”, criticou.

7 thoughts on “Mourão minimiza queimadas na Amazônia e diz que sabe onde há incêndios ilegais

  1. Mourão diz que “temos gente na Universidade que não devolve nada ao país”. Bem, temos 400.000 servidores nas forças armadas, gastamos R$ 63 bilhões/ano, mais de 700 recebem acima do teto de R$ 33.700 e devolvem o quê, exatamente, Sr. Vice Presidente?

  2. Dois bêbados. Essa é a impressão que tive quando vi Al Gore conversando com Bolsonaro, no Fórum Econômico Mundial. O primeiro toca o nome de Alfredo Sirkis, falecido ex-guerrilheiro e político de esquerda. Resta saber se tocou seu nome por provocação ou pq cria mesmo que Sirkis tivesse alguma relevância na política brasileira. Já Bolsonaro comete gafes típicas daquelas socialites deslumbradas quando estão na Disneylândia. Ele revela vícios típicos de nossas classes médias e altas cheias de sentimentos de inferioridade em relação aos Estados Unidos. Ou melhor, a direita brasileira revela aquele sentimento vira-lata tão denunciado por Nelson Rodrigues, aquele sentido de depreciação ao Brasil, conjugado à ignorância olímpica com relação à história do país. E um servilismo horroroso!

    Bolsonaro deu a resposta de um capacho para um sujeito que, segundo a direita, defende uma agenda globalista. Será mesmo que o ricaço Al Gore está preocupado com a Amazônia? O que ele entende por essa região? Matas, índios e animais silvestres? Contudo, Bolsonaro, como uma meretriz deslumbrada com cliente estrangeiro, diz o que Al Gore gostaria de ouvir, com mais uma provocação: a de que não entendeu a mentalidade de lacaio do presidente. Também pudera, dizer que os Estados Unidos “devem explorar” a Amazônia é algo que assusta até alguém alinhado com uma mentalidade contra o país. Contudo, todo aquele bla, bla, bla, de “nacionalismo”, de “defesa da Amazônia” foi por água abaixo. A diplomacia brasileira passa por uma vergonha bizarra de sujeição completa aos Estados Unidos. Ernesto Araújo, pupilo do guru estelionatário e escroque Olavo de Carvalho, está fazendo um senhor estrago!

    Bolsonaro é uma fraude em todos os sentidos!

    http://tribunadainternet.com.br/diretor-do-filme-que-viralizou-na-internet-diz-como-gravou-o-dialogo-de-bolsonaro-com-al-gore/#comment-762249

    • Discordo do que disse sobre o Al Gore. Ele é ricaço por seus próprios esforços. Além disso, sua participação na implantação da internet nos tempos iniciais foi reconhecida até pelos pioneiros Vint Cerf and Bob Kahn (autores do protocolo TCP/IP).
      Quanto á atuação do Bolsonaro nada a comentar, a não ser de que foi lastimável (he was not fit for the task).

  3. Tanto posso dar testemunho por um certo alinhamento natural dos militares em relação aos Estados Unidos, talvez como consequência da guerra fria e a majoritária adversão ao comunismo, como confirmar que desde os primeiros anos setenta, no começo do movimento de preservação ambiental por causa dos problemas com a camada de ozônio, quando convivendo no seu meio aprendi a expressão “ecochato”, que eles sempre refutaram quaisquer alusões à conservação do bioma amazônico como ameaça à soberania nacional, numa atitude obtusa, que perdura até hoje, de desprezar estudos e pesquisas internacionais que visam formular planos de preservação da natureza e novas tecnologias que adiem a extinção da humanidade.

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