Movimento pela Anistia e o PDT perdem uma de suas mais históricas militantes: Alaíde Pereira Nunes.

Por sugestão do comentarista Sergio Caldieri, reproduzimos abaixo o texto da homenagem recebida pela companheira Alaíde Pereira Nunes, por ocasião da entrega da 22ª Medalha Chico Mendes de Resistência 2010, organizada pelo Grupo Tortura Nunca Mais/RJ e outras entidades.

Alaíde está sendo velada na capela do cemitério do Catumbi, no Rio de Janeiro, onde será sepultada amanhã, dia 2/9, às 10hs.

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NA LUTA, DESDE OS ANOS 30

Ricardo Pinheiro

Alaíde Pereira Nunes começou sua vida política nos anos de 1930, aos 16 anos de idade, quando da primeira tentativa de imposição da ditadura de Getúlio Vargas. Iniciou seu engajamento na luta pelo petróleo nacional, contra o entreguismo e o integralismo. No percurso foi presidente do Movimento Feminino pela Aliança Nacional Libertadora, na seccional de Campos, norte fluminense.

Logo após, em 1935, foi para a ilegalidade junto com seu companheiro de vida e de luta, Adão Manoel Pereira Nunes. Ficou nessa situação até a anistia que veio no ano de 1946. Entretanto, mesmo ilegal, em nenhum momento esmoreceu em sua luta contra as injustiças sociais, bem como pela integridade pátria.

Em 1946, com a anistia concedida por Getúlio Vargas, começaram a florescer novos movimentos políticos de oposição, pois Vargas tornou-se, em verdade, um ditador popular. E, sua luta continuava no território da oposição a esse regime que apenas parecia democrático, mas que na verdade não passava de um engodo.

E o tempo passou… Veio, então, o golpe de 1964, começando aí uma nova fase, quando Alaíde Pereira Nunes foi para o exílio, que durou quatro anos. No exílio sua luta resultou em muitos amigos – alguns que duraram toda uma vida – que chegavam e eram recebidos em sua casa, a qual se tornou, por assim dizer, um reduto de resistência e uma referência para os muitos brasileiros desalojados de sua terra.

Ao retornar ao Brasil, em 1968, tempos difíceis. No auge da ditadura militar que assolava nosso Brasil, tudo tinha que ser feito “por baixo dos panos”. Eram muitas as reuniões e as ajudas a amigos que precisavam se esconder para fugir das caçadas militares, amparadas pelo AI-5. Alaíde participou ativamente de toda uma luta de resistência ao terrorismo de Estado que se implantou no Brasil. Seu espírito revolucionário a impelia, cada vez mais, a lutar por esse país.

Em 1977, o Brasil vivia uma pseudo-abertura política, mas, ainda havia milhares de brasileiros presos e exilados. Foi criado, então, o Movimento Feminino pela Anistia, no qual se engajou imediatamente, para ajudar na libertação dos companheiros presos e dos que longe permaneciam, perdidos pelo mundo, sem identidade, distante da pátria que amavam, da língua… dos seus. No Movimento Feminino pela Anistia conseguiram-se muitas vitórias e a liberação de muitos companheiros.

Com o retorno de Leonel Brizola, em 1979, Alaíde ajudou, junto com seu companheiro Adão e outros tantos a fundar o Partido Democrático Trabalhista – PDT, onde permaneceu até hoje, sempre lutando contra as injustiças sociais e em prol de um melhor país.

A você, Alaíde, um exemplo de luta e de vida, as nossas homenagens!

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