Movimentos e desgastes na campanha sucessória

Carla Kreefft (O Tempo)

Em período pré-eleitoral, acontece de tudo. Como a campanha está muito antecipada, os fatos incomuns também começam a acontecer com mais antecedência.

Um bom exemplo disso são os protestos em função do reajuste das tarifas de ônibus coletivos em diversas capitais e especialmente, em São Paulo. Mas o que há de tão diferente nesse movimento? É preciso que se diga que a população, que é a maior interessada no valor da passagem de ônibus, se viu surpreendida com os protestos. Em outras palavras, não foram as pessoas que utilizam o transporte público que se posicionaram contra o aumento. Muito pelo contrário, esse segmento da população, que não é pequeno, se viu impedido de voltar para casa porque não havia ônibus.

A pergunta que se faz é: quem estava protestando então? Ao que parece, os estudantes eram maioria nas manifestações. É evidente que estudantes necessitam do transporte coletivo. Também é evidente que eles têm todo o direito de se manifestar. Porém a análise que precisa ser feita é se, realmente, o protesto teve como objetivo impedir o aumento da tarifa, que, aliás, foi de vinte centavos. Também é preciso analisar se a violência do movimento foi necessária, seja ela da parte dos manifestantes ou da polícia.

Fato é que, coincidência ou não, perto das eleições surgem, pontualmente, movimentos de todos os lados, sempre em uma tentativa de provocar tumulto e ganhar espaço na mídia – o que é ótimo para atingir os governos, sejam eles quem forem. Interesses políticos diversos sempre rondam esse tipo de manifestação. É legítimo? Possivelmente é, desde que não haja violência – o que não faltou em São Paulo. É uma tática interessante politicamente? Provavelmente não.

A realização de protestos para desgastar os governantes por meio de carona em alguma causa de apelo popular contribui para a despolitização da sociedade. O trabalhador que não conseguiu voltar para a casa nas noites de anteontem e ontem porque não havia ônibus circulando não vai aderir a um movimento que o incomodou. Mesmo sendo atingindo pelo reajuste da tarifa, ele se sente agredido pelo protesto. A possibilidade de atrair o cidadão para a defesa de causas importantes para a vida dele é reduzida com essa estratégia. E, pior, esse mesmo cidadão continua sem fazer a menor ideia de qual realmente era o objetivo daquela iniciativa. Sendo assim, ele também não vai apoiar uma causa que não conhece.

Mas não foram os manifestantes os únicos que erraram. A truculência da polícia também precisa ser ressaltada. Estudante não é bandido. Com ou sem razão, a manifestação é livre. Excessos precisam ser evitados, mas com negociação, diálogo e respeito – sem repetir os métodos da ditadura.

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6 thoughts on “Movimentos e desgastes na campanha sucessória

  1. Não só pelo aumento de vinte centavos no preço das passagens, mas sim pelo que o transporte publico (?)oferece. Moro em São Paulo e às vezes faço uso do metrô. É um horror. E não e somente nos horários de pico, pois aqui em São Paulo não tem mais essa de horário, é o dia todo. Problemas “técnicos”, vagareza, informantes mal educados, trens sem ar-refrigerado, gente sendo carregada pior que gado. Ônibus sujos, motoristas mal educados, avançando semáfaros, etc.

  2. “O fato é que, em termos de mudanças estruturais profundas no estado brasileiro, necessárias desde a proclamação da república (fruto de quebra-quebra, violência e golpe,que terminou no continuismo costumeiro), o partidarismo-eleitoral, ora protagonizado pelas versões PTMDB-agregados versus PSDEMB-agregados, tb já perdeu o TreM da História, por ora, ao que parece, a exemplo do gollpismo-ditatorial da famigera ditadura militar e agregados, sob a opção da violência, do terror e do frenesi pelo poder, que perderam o Bonde. Portanto, se violência resolvesse a carência histórica e as heranças malditas deste país já estariamos no primeiro mundo há muito tempo, até porque, no Brasil, a violência é entre irmãos, é interna, diária, e mais letal do que muitas guerras mundo afora e os números não mentem. Daí, dessa visão histórica, é que elaboramos sob medida, para o Brasil, A Revolução Pacífica do Leão ( RPL ), A Mega-Solução, porém no voto, pacificamente, em 2014, de forma inteligente, amorosa, sem colocar azeitonas nas empadas do solerte continuismo da mesmice, à paisana ou fardado, patrocinado pela oposição, situação e gollpismo-ditatorial, aparentemente invencível. Juizo moçada, 2014 já não parece tão distante. Troquemos o MPL pela RPL.”

  3. Os estudantes estão nas redes e não são analfabetos funcionais. è um pequeno numero que esta gritando pelo povão que assustado abre a boca por não entender. quem ganha mil reais e gasta 300 reais de passagens é um peso proporcional GRANDE. faz FALTA E TODO ANO TEM AUMENTO DE ÔNIBUS E O SALÁRIO Ó…

  4. Carla Kreefft, os movimentos sociais tem de ser violentos à altura da violência do Estado. A senhora não acha violento o atendimentos nos hospitais? A senhora não acha violento a porcentagem dos impostos? A senhora não acha violenta a ausência de punição para políticos bandidos? É difícil combater canhões com flores! Fala sério!

  5. Srª Carla Kreefft

    Quando um indivíduo entra em uma condução para ir ao trabalho, supomos que ele vá retornar, então, R$6,40 é no mínimo o custo do seu deslocamento, e isso é quase um por cento de um salário mínimo. Qualquer economista pode lhe mostrar que isso é um valor absurdamente caro para a porcaria de transporte que temos em nosso país.

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