Mudar como?

João Gualberto Jr. (O Tempo)

O SUS estima em R$ 22 bilhões seu investimento, em 2013, no tratamento de doenças consequentes do tabagismo. Você foi às ruas para reivindicar um sistema de saúde público melhor, com “padrão Fifa”? Se fuma, é melhor trocar o cigarro por uma caminhada. Mas, se a bandeira foi educação, atire uma pedra quem não copiou um trabalho na última hora ou não colou numa prova. Que tal você, estudante que engrossou as marchas pelo país, ouvir com mais atenção seu professor e ler com mais dedicação os textos indicados?

Este colunista está “moralista demais” hoje? Ora, do que trataram todas as passeatas senão da moralização de práticas? É um tema quente. Reflita, caro leitor/eleitor: você é alçado à cadeira de gestor público com respaldo do voto. Passam, amiúde por suas mãos, documentos que destinam milhões e milhões de reais para um projeto aqui e outro acolá. Além disso, tem que preencher centenas, quiçá milhares, de cargos na administração: quem recrutaria? Como gastaria?

Do sonho à vida dura: você avisa ao garçom que a conta do bar veio com dois chopps a menos? Na fila de entrada do show, encontra um amigo em posição vantajosa, mas vai para o último lugar? Bate em um carro estacionado e vazio: deixa um bilhete com nome e número de telefone? Tem gato de TV a cabo? Compra produto pirata? Vai às ruas, agora, para protestar por uma estrutura melhor de serviços públicos e tem aversão a pagar Imposto de Renda, IPTU e IPVA?

Melhor disse foi um cartaz bem-bolado: “Nada muda se você não mudar”. É isso e nada mais. Sim, caro, o Congresso nos representa, assim como os titulares do Poder Executivo, na cidade, no Estado e em Brasília. Sabe por quê? Porque refletem a preferência da maioria de nós.

MAIS JUSTO

O tal despertar do gigante de seu berço esplêndido cria, sim, um rosário de esperanças por um Brasil mais justo. Não porque o furor popular irá destituir poderes e instituições constituídas. Seria pueril crer em revoluções numa sociedade aberta em plena era de (quase) acessibilidade total às informações. Antes, devemos depositar fé é na evolução.

A democracia, pilar do poder que emana do povo, é obra em construção permanente. Está mais firme hoje do que quando meu pai era jovem e veio trabalhar na cidade grande. Ela está mais bem-assentada do que quando meu avô mal tinha um rádio para escutar na roça. E, sem dúvida, no dia em que nossos filhos saírem da universidade, encontrarão um sistema de poder representativo mais refinado porque mais complexo e, assim, espelho de maior fidedignidade. Os valores tenderão com maior exatidão ao exercício do respeito mútuo e à noção concreta de dignidade individual. Já o zelo pelo bem coletivo, seja ele material ou imaterial, será, igualmente, coletivo e também infatigável.

Chegaremos lá? Só depende de nossa boa vontade em querermos mudar, primeiro nossos hábitos, nossa casa, nosso convívio em família e entre amigos e, posteriormente, reformar o país, tijolo por tijolo, dia após dia, com trabalho, anteparo ético e consciência cidadã.

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4 thoughts on “Mudar como?

  1. “O importante não é apenas saber.
    O importante também não é apenas fazer.
    O importante também não é saber fazer.
    O importante é fazer saber”
    (Confúcio)
    É tempo de conscientização das massas. Sobre o que estão fazendo com o país. Há décadas e décadas.
    Nossos jovens estão se comunicando (rapidíssimamente), se informando … e começando a gostar de participar. Ficar parado, desenvolvendo teorias e choramingando … já vimos que de nada adiantará.
    Temos que FAZER SABER porque o Brasil até hoje ainda depende de “investimentos externos” (argh!!!), nunca desenvolve sua infra-estrutura … e seu saneamento básico permanece em índices mais do que vergonhosos.
    A LUTA … está apenas começando. Tudo mudará, de um jeito …ou de outro.

  2. Este Sr. esta ofendendo franca e abertamente, nivelando por baixo, TODOS os cidadãos de bem, como se não existissem. Qual é a sua intenção Sr.Gualberto ? Justificar todo esse status quo político reinante em nosso país?

  3. A moralidade na Administração Pública não pressupõe que o indivíduo investido do cargo seja de ilibada moral. A CF88 não estabelecesse que tipo de moralidade deva ter o indivíduo para assumir um cargo público. sua moralidade pessoal não é o cerne da questão.

    Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência…

    O que ela determina é que todos, independentemente da sua linhagem ético/moral devem agir com moralidade no trato com a coisa pública.

    Assim se elegemos um proxeneta, este deve agir dentro do que determina o Princípio Constitucional da Moralidade e não como no seu habitat.

    Portando a CF88 não é moralista ao estabelecer esse princípio.

    Afinal, numa democracia, seria muito complicado e beiraria uma ditadura, estabelecer critérios morais individuais fluídicos para dizer quem poderia ou não se candidatar.

    Ademais, de caçadores de marajás estamos cheios.

  4. O Sr. Gualberto queria que alguém o ensinasse alguma coisa e conseguiu. Parabéns, Sr. Delcio do Carmo Lima. O Sr. Gualberto é um diversionista, conformista e relativista ao mesmo tempo. Está medindo a população com a régua dele.

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