Mudar voto na reta final nem sempre altera as posições dos candidatos na chegada

Resultado de imagem para eleição municipal charges

Charge do Newton Silva (newtonsilva.com)

Pedro do Coutto

Com base na mais recente pesquisa do Datafolha, reportagem de Guilherme Ramalho e Marlene Couto, O Globo de sábado, destaca a hipótese de 40% dos eleitores da cidade do Rio de Janeiro mudarem de voto, ao longo desta semana, portanto na reta final da campanha para a Prefeitura. A perspectiva existe, mas não significa obrigatoriamente qualquer mudança da colocação dos candidatos. Pode ser que sim, pode ser que não.

Com base em minha experiência de observador do dilema das urnas há mais de 50 anos, posso afirmar que Marcelo Crivella chegará na frente a 2 de outubro, ficando no ar se haverá ou não segundo turno. Até porque – matéria de Fernanda Krakovics na mesma edição – o candidato Pedro Paulo sustentou, diretamente, ser o único capaz de derrotar o senador no confronto final.

Com tal declaração, Pedro Paulo deixou claro que Crivella chega na frente e ele, com apoio do prefeito Eduardo Paes, decidirá a segunda colocação com Marcelo Freixo, Jandira Feghali e Índio da Costa. Os demais, opinião minha, não têm chance de decolar. Se tivessem já teriam decolado. Os dados são do Datafolha.

EXPLICAÇÃO – Mas por que digo que mudanças de voto podem não refletir nas colocações? Pelo fato simples de alguém mudar de Freixo para Jandira e outro mudar de Jandira para o candidato do PSOL. A mudança aconteceu, porém a troca manteve as posições anteriores. Da mesma forma que as trocas que vierem a ocorrer de Índio para Freixo ou de Freixo para Índio.

E o voo de Crivella continua sendo de cruzeiro. Explico por quê. A reportagem de Guilherme Ramalho e Marlene Couto revela a informação essencial para se interpretar e traduzir pesquisas eleitorais: a divisão das intenções de voto por classes sociais. Marcelo Crivella domina amplamente o grupo dos que ganham de um a dois salários mínimos. Tem 39%. Entre os que recebem de dois a cinco pisos, registra 34%. Logo, tem a preferência de nada menos que 73% nas faixas de renda menor, mas que compõem a maioria do eleitorado. E tem mais: os setores de menor renda são os que mais decidem seu voto no final da ópera. Marcelo Crivella parece bastante próximo do Palácio da Rua São Clemente.

One thought on “Mudar voto na reta final nem sempre altera as posições dos candidatos na chegada

  1. Caríssimo Pedro do Coutto, creio que há um erro matemático na sua avaliação.

    São suas as seguintes palavras: “Marcelo Crivella domina amplamente o grupo dos que ganham de um a dois salários mínimos. Tem 39%. Entre os que recebem de dois a cinco pisos, registra 34%. Logo, tem a preferência de nada menos que 73% nas faixas de renda menor, mas que compõem a maioria do eleitorado.”.

    Salvo engano, essa soma (39% + 34%) = 73% nada significa.

    Se o candidato apontado tivesse 52% da preferência dos eleitores de uma determinada faixa de renda e 54% de outra, chegaríamos à conclusão de que 106% das faixas de renda menor apoiam o candidato?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *