Muita coisa mudou no Brasil. Hoje, quem está atrás das grades são os homens de bem

Francisco Vieira

Eu ainda era criança “na época em que a palavra democracia era esquecida”, como disse a atual presidente quando era ainda ministra. Mas podia tomar banho de córrego, jogar futebol na rua, mesmo à noite (com bola de capotão, a top da época, sem medo de ser assaltado).

Droga era coisa usada às escondidas e ocorriam menos de vinte mil homicídios por ano no país – o índice de assassinatos por cem mil habitantes era bem menor do que é hoje; e olha que era permitido ter armas, coisa que os “democratas” trataram de proibir!

Ora, ter um parente assassinado não seria uma forma de tortura? Caso positivo, quantos brasileiros são torturados, anualmente, pela nossa “democracia”? Quantas pessoas sofrem, diretamente, quando ocorre um único homicídio? Aposto que a relação das pessoas boas, democraticamente assassinadas, seja bem maior do que se pensa!

Lembro que o muro lá de casa tinha 1,10m de altura e servia, apenas, para sinalizar aos transeuntes que além daquele limite era uma propriedade privada.

Hoje, na democracia, abandonei a casa e o pomar para viver em uma cela apelidada de apartamento, atrás de muros de concreto de 2,50m, com cercas elétricas e de arames farpados na parte superior e com carcereiro, apelidado de porteiro, controlando a entrada e saída dos presos, digo, moradores. Tudo filmado. Tudo trancado.

Eu, minha mulher e as crianças estamos condenados a cumprir a pena de PRISÃO PERPÉTUA no regime semi-aberto, sem direito ao saidão de Natal, dos Dias dos Pais ou à progressão de pena.

O crime? Termos nascido em uma sociedade permissiva, sem regras e sem punição, onde o direito de ir e vir ficou reservado, democraticamente, apenas para os bandidos. Enquanto nos países sérios as pessoas sonham em comprar um bom carro conversível, por aqui se sonha em comprar um carro blindado, mesmo que financiado em 60 meses!

Sei que continuaremos a sair das grades apenas para estudar e trabalhar até o dia em que alguma AUTORIDADE DEFENSORA DOS DIREITOS HUMANOS DAS PESSOAS DE BEM apareça e seja tocada no coração pela coragem (ou até mesmo pela simples piedade, pois não acredito que o povo brasileiro tenha “sangue no olho” para forçar alguma coisa. Como sempre, permanecerá de cócoras, “bestificado”) e mude as leis, antes que os prisioneiros, digo, o povo comece a ter saudades da liberdade da ditadura e não se importe em ter um ditador como presidente, desde que possa sair à rua!!!

Será que também deveríamos culpar os militares e a ditadura pela demora do processo do jornal “Tribuna da Imprensa” e pelo fato da maionese feita no último sábado ter se azedado?

Em tempo: no dia 12 de fevereiro de 2008, o democrata Tarso Genro, então ministro da justiça, “passeando” em Genebra, disse que a meta do governo era reduzir o número de homicídios no Brasil, ao “nível chileno”, EM QUATRO ANOS. Na época, a média de homicídios no país era de 48 mil mortes por ano, o que dava uma média 29 por cada 100 mil habitantes, anualmente, enquanto a do vizinho era de 12 – índice 58% menor.

Eepero que o governo honre a promessa do ministro, que vencerá no dia 12 de fevereiro de 2012.

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