Na consagração da coletividade, a seleção brasileira de futebol reuniu o Brasil

Neymar enfim mostra que é um craque de perfil vencedor

Lucas Alvares

Embora Marcos Carneiro de Mendonça, o goleiro historiador e pai de Bárbara Heliodora, repetisse até seu último suspiro as proezas da seleção brasileira que venceu o Campeonato Sul-Americano de 1919, destacando que os negros pés de Leônidas e Domingos da Guia tenham encantado, nas ondas curtas narradas em espanhol ou francês, o povo brasileiro no terceiro lugar da Copa de 1938, é verdade inexorável que o batismo de sangue da interface entre o apaixonado torcedor brasileiro e o objeto de sua paixão se deu no espaço de três dias entre duas catarses em 1950: a da apoteose à carnavalização, quando a goleada por 6×1 sobre a favorita Espanha fez explodir no Maracanã um coral de 200 mil vozes ao som de “Touradas em Madri”,  e a catarse da mais hiperestimulada das dores, o luto convulso do gol de Ghiggia, na final contra o Uruguai. Na alegria e na dor, foi forjado, ainda de camisas brancas, um elo de uníssono.

Sim, pois há enorme valor no uníssono que sucede a derrota. Quando acompanhada da entrega em campo daqueles que portam o uniforme brasileiro, os contornos épicos do revés fazem do drama uma obra perene.

Quando a derrota vem caracterizada pela pura displicência, como nos célebres 7×1, o componente histórico não vem acompanhado da catarse, mas da infâmia. Os vexames que se seguiram à acachapante derrota de 2014 explicitaram uma seleção sem alma, descompromissada com o elo que representa e na qual a ausência de jogo coletivo sobrepujava a já notória limitação técnica das safras de jogadores brasileiros.

A safra atual, lamento informar, não é muito diferente no que tange à qualidade. Há problemas nas convocações e, sobretudo, na lapidação dos jogadores convocados. Quase invariavelmente, nossos atletas ascendem à seleção principal com problemas de formação.

MICALE, O VENCEDOR – A partir de hoje, não há mais, por outro lado, a incoerência com o papel histórico do futebol brasileiro. A dedicação ao trabalho do técnico Rogério Micale e ao prestígio dos torcedores que lotaram os estádios após o empate contra o Iraque, representaram o que não havia desde 2006: alma dentro de campo e coerência com os desejos de quem é a razão de existir do futebol, o torcedor. A anulação da boa equipe alemã na maior parte do tempo normal, exceção feita aos cinco minutos que precederam o gol de Meyer, é a maior prova de que o compromisso entre time e legado foi reconstituído.

Que o ouro obtido nessa final, não sem a devida dose catártica, em uma tarde digna do mesmo Maracanã onde foram sepultados, ainda em vida e com total injustiça, os personagens da derrota de 50, seja o que se demonstrou. A cada título do Brasil, há o festejo à brasilidade em sucupiras, saramandaias e asas brancas, existe a demolição temporária das barreiras impostas por nossos credos e o compasso irmanado das conquistas que nos fizeram, ao menos no futebol, tão soberanos ao longo dos tempos.

5 thoughts on “Na consagração da coletividade, a seleção brasileira de futebol reuniu o Brasil

  1. Gol de pênalti não se comemora. É obrigação.
    Quem conhece futebol, sabe o que estou dizendo.
    O grande “herói” da partida foi o goleiro que não falhou em nenhuma tentativa do time alemão de fazer gol nos pênaltis.
    O nome do goleiro do time brasileiro é Weverton.

  2. Vai ser a pá de cal na CORRUPISSAUM com essa Medalha.
    Tudo para debaixo de tapete, bem escondido e os Filhos do Marinho e Sua Rede Globells, fazem muito bem
    Esconder esqueletos…..
    Ainda bem que a Matrix prendeu o Velho Corruptola que tem uma carreira de crimes de mais de 60 anos no Brasil e sua CBF, porque senão ia faltar medalhas para entregar…..
    Por falar nisso alguém sabe se o ricardo teixeira tá preso??

  3. Eu já tinha falado que se a decisão fosse por pênaltes chamasse o grande goleiro Taffarel; não precisou. Impossivel esquecer as defesas de Taffarel . Concordo que ontem quem ganhou o ouro foi Weverton. Sempre são os bons goleiros os vencedores.

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