Na Copa do Mundo, cada jogo uma aventura nova

Pedro do Coutto

Praticamente ultrapassada a fase de classificao das oito chaves, selecionada a maioria dos favoritos, pelos resultados verifica-se a mxima eterna que, em Copa do Mundo, cada jogo um jogo, cada partida uma aventura nova, com emoes e circunstncias diferentes. Tem sido sempre assim. A Argentina, por exemplo, ganhou da Nigria por quatro a um. Contra a Grcia ficou no dois a zero. Portugal goleou a Coria do Norte por 7 a zero. Empatou com o Mxico: zero a zero. E agora os portugueses ase preparam para enfrentar a nossa Seleo de Ouro.

O que estou colocando pode parecer a tradicional e incerta afirmativa de que futebol no tem lgica. Tem lgica, sim. Lgica relativa, claro, mas lgica. Surpresa? Nem tanto. Depois de Einstein, que lanou a Teoria da Relatividade em 1905 e a consolidou em 1931, ficou ntida a viso de que tudo relativo. A relatividade no uma teoria apenas fsica e matemtica. Ela se projeta em toda cultura humana, no fundo em todo o comportamento humano. Mas esta outra questo.

A lgica projetada nos ndices de qualidade das equipes de futebol, est presente nas Taas do Mundo. Em dezoito Copas, o Brasil venceu cinco e esteve na final em sete desfechos. A Itlia conquistou quatro. A Alemanha trs. Argentina e Uruguai sagraram-se campes duas vezes cada um. A j tem noventa por cento dos ttulos. Inglaterra e Frana venceram uma vez cada um. Dez por cento. A hegemonia futebolstica futebolstica uma palavra desagradvel est nitidamente refletida nesse rol de conquistas, todas elas incorporando-se para sempre na histria esportiva universal. Principalmente depois da transmisso direta pela televiso. Hoje, uma final de Copa do Mundo assistida por cerca de 1 bilho e 200 mil pessoas, um quinto da populao do universo. Uma platia fantstica. Que influi diretamente vale acentuar na economia do esporte.

Joo Havelange me disse certa vez, caminhando pela calado de Ipanema, que assumiu a Fifa em 74 e naquela ocasio o mercado mundial do esporte, incluindo direitos de transmisso e equipamentos, era de 5 bilhes de dlares. Vinte anos depois, em 94, quando transmitiu o cargo para Joseph Blatter, o movimento econmico esportivo tinha alcanado nada menos que 200 bilhes de dlares. Hoje dezesseis anos depois, reflexo da estrutura montada por Havelange, deve estar oscilando em torno de, no mnimo, 250 bilhes de dlares. Talvez mais.

Mas eu falava que cada jogo um jogo. fato, pois a Copa do Mundo possui uma atmosfera prpria. Tanto assim que h jogadores de atuao extraordinria em seus clubes mas quando vestem a camisa do selecionado inibem-se, encolhem-se face ao peso da responsabilidade e da presso da cobrana. De outro lado, h aqueles que s vezes no so craques, porm crescem na medida em que aumenta a responsabilidade que impulsiona a competio universal.

Cada partida uma partida. Em 50, por exemplo, na fase final, a disputa por pontos entre os quatro semifinalistas, ganhamos da Espanha por seis a um. O o Uruguai empatou com a Espanha por 2×2. Derrotamos a Sucia por 7 a 1. O Uruguai venceu por 3×2. Fomos final em 16 de julho e perdemos o ttulo por 2 a 1. Cada jogo possui uma construo tcnica, ttica e s vezes entre a arte. Fatores que compem estilos e atuaes que, de um para outro podem no se repetir. Mas os panoramas permanecem. Vamos com firmeza e deciso para escrever outra histria: a do hexa.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.