Na delação, lobista Milton Pascowitch entrega Dirceu e Vaccari

Deu no Estadão

“O juiz perguntou ao delator se ele conheceu João Vaccari Neto. “Conheci e cheguei a passar valores para ele. Eu conheci o João Vaccari por apresentação do Renato Duque em 2009. Acho que ele (Vaccari) já havia sido indicado para a Secretaria de Finanças do Partido dos Trabalhadores. Nessa época coincidiu com o contrato de 3 bilhões de dólares relativo aos cascos repliclantes. O grupo político não era mais representado por José Dirceu, apesar de indiretamente poder ter participação.”

Segundo o delator, o ‘grupo político passou a ser representado pelo João Vaccari’.
Pascowitch revelou repasses da ordem de R$ 14 milhões para ‘o grupo político’, dinheiro oriundo de comissões a serem pagas pelo contrato dos cascos. Parte foi para o PT, declarou. “João Vaccari necessitava de pagamentos em dinheiro e me ressarcia em contratos junto com a Engevix quando fazia doações para o partido, o diretório nacional do PT.”

Desses recursos, afirmou o delator, R$ 10 milhões foram repassados em dinheiro entre 2009 e até meados de 2011. “Eu recebia recursos 700, 800 mil reais por mês provenientes de contratos de serviços terceirizados. Muitas vezes eu saía do escritório da empresa (terceirizada da Petrobrás) e ia entregar ao senhor João Vaccari, entregava pessoalmente.”

DINHEIRO EM ESPÉCIE?

O juiz Sérgio Moro questionou o delator se tanto dinheiro não significava um ‘volume expressivo em espécie’ e como ele fazia o transprte. “Era expressivo, mas cabia na malinha, cabia R$ 500 mil, eu entregava dentro do Diretório Nacional do PT, na sala dele (Vaccari).”

Sobre José Dirceu, preso desde 3 de agosto de 2015, o delator disse que bancou a reforma da casa do ex-ministro no município de Vinhedo, no interior de São Paulo, até 2014. O juiz perguntou a ele se não o preocupava o fato de que, em 2012, ter sido iniciado o julgamento de Dirceu no processo do Mensalão no Supremo Tribunal Federal e, mesmo assim, prosseguiu fazendo depósitos para bancar a reforma do imóvel.

O juiz insistiu, apontando depósitos de até R$ 100 mil por parte de Pascowitch já em 2013, quando Dirceu foi condenado, e em 2014, quando o ex-ministro foi preso. “Não havia preocupação, excelência”, respondeu o lobista que também chegou a ser preso na Lava Jato e, para se livrar da cadeia, fechou acordo de delação.

CONTRATO DE FACHADA

Pascowitch confirmou existência de contrato de fachada entre sua empresa, a Jamp Engenheiros, e a de Dirceu, a JD Assessoria e Consultoria, firmado em abril de 2011. O objetivo, segundo o delator, era ‘dar cobertura das necessidades de José Dirceu’.

“Valores absolutamente desproporcionais com a necessidade dele. José Dirceu assinava contratos de R$ 20 mil por mês e as despesas dele eram de um milhão. A pressão dele e do Luiz Eduardo (irmão do ex-ministro), em alguns meses, era muito forte.”

(texto enviado pelo comentarista Virgilio Tamberlini)

4 thoughts on “Na delação, lobista Milton Pascowitch entrega Dirceu e Vaccari

  1. Qual o motivo de ‘segredo de justiça ‘ ???

    ” Em depoimento nesta quarta-feira no processo criminal do caso Bancoop, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto negou as acusações do Ministério Público de que o dinheiro desviado da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo tenha abastecido o caixa do partido. Vaccari falou à juíza Cristina Ribeiro Leite Balbone Costa, da 5ª Vara do Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo, por 2 horas e 15 minutos. Ele chegou ao local com escolta da Polícia Federal, trazido do Complexo Médico Penal de Pinhais, no Paraná, onde está preso por determinação do juiz federal Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato. Após o depoimento, Vaccari voltou ao Paraná.

    Segundo o promotor José Carlos Blat, Vaccari mentiu. “A Bancoop, como organização criminosa, serviu de embrião para outros escândalos que estamos vendo hoje estourarem pelo Brasil afora”, disse, em referência ao esquema desvendado pela Lava Jato ele. De acordo com o promotor, as irregularidades cometidas pela cooperativa “fomentaram não só o bolso de diretores como também campanhas políticas-partidárias”. Blat estimou o prejuízo aos cooperados em 100 milhões de reais. “Em seu direito de defesa, ele negou todas as acusações”, disse Blat.

    O advogado Luiz Flávio D’Urso, que defende Vaccari, disse que seu cliente negou as irregularidades e deu todas “verdadeiras” explicações. “Construíram uma acusação totalmente improcedente contra a Bancoop e contra o Vaccari. Hoje ele teve a oportunidade, pela primeira vez, porque nunca foi ouvido durante as investigações e o processo, de prestar todos os esclarecimentos, demonstrando que a acusação é totalmente improcedente”, afirmou o advogado. “Inexiste qualquer doação da Bancoop para qualquer partido político. Isso é sonho do Ministério Público, que não se comprova de maneira alguma”, completou D’Urso.

    Os interrogatórios desta quarta encerram a fase de instrução do processo, que corre sob segredo de Justiça. O depoimento de Vaccari se deu cinco anos depois da denúncia e nove anos depois de os então cooperados que esperavam por apartamentos e foram lesados formarem associações e começarem a apontar os desmandos e desvios de dinheiro na Bancoop.

    ( Veja ).

  2. Peço licença para postar no blog , off-topic , um dos mais primorosos editoriais publicados pelo Estadão.
    //
    Opinião
    O asceta de Garanhuns
    21/01/2016 | 02h55

    “Se tem uma coisa que eu me orgulho, neste país, é que não tem uma viva alma mais honesta do que eu. Nem dentro da Polícia Federal, nem dentro do Ministério Público, nem dentro da Igreja Católica, nem dentro da Igreja Evangélica. Pode ter igual, mas mais do que eu, duvido.” Lula continua achando que o brasileiro é idiota. Reuniu ontem blogueiros amigos para um café da manhã em seu instituto e, a pretexto de anunciar que vai participar “ativamente” do próximo pleito municipal, aderiu pessoalmente – já o havia feito por intermédio de seu pau-mandado Rui Falcão – à campanha promovida por prósperos advogados e seus clientes, apavorados empresários e figurões da política, para desmoralizar a Operação Lava Jato, que procura acabar com a impunidade de poderosos corruptos.

    Lula conseguiu escapar penalmente ileso do escândalo do mensalão e, por enquanto, não está oficialmente envolvido nas investigações sobre o assalto generalizado aos cofres públicos. Os dois casos juntam-se numa sequência das ações criminosas que levaram dinheiro sujo para os cofres do PT e aliados e “guerreiros” petistas como José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares para a cadeia.

    O que é inacreditável é que, como presidente da República e dono do PT, Lula não tivesse conhecimento do mensalão e do petrolão que desfilavam sob seu nariz. Assim, é notável o atrevimento – talvez mais estimulado pelo desespero do que por sua índole de ilusionista – com que o personagem, que ficou rico na política, se apresenta como monopolista das mais prístinas virtudes.

    Só mesmo alguém empolgado pelo som da própria voz e pelas reações da plateia amiga cairia no ridículo de se colocar como referência máxima e insuperável em matéria de honestidade. “Pode ter igual, mas mais do que eu, duvido.”

    Apesar de inebriado com as próprias virtudes, Lula encontrou espaço para a modéstia – infelizmente de braços dados com a mendacidade, que alguns chamam de exagero retórico – ao se referir ao combate à corrupção. Fez questão de dar crédito a sua sucessora, deixando no ar a pergunta sobre a razão pela qual os petistas esperaram oito anos, até que o chefão deixasse a Presidência, para se preocuparem com os corruptos: “O governo criou mecanismos para que nada fosse jogado embaixo do tapete nesse país. A presidente Dilma ainda será enaltecida pelas condições criadas para punir quem não andar na linha nesse país”. E arrematou, falando sério: “A apuração da corrupção é um bem nesse país”.

    Lula não se conforma, no entanto, com a mania que os policiais e procuradores têm de o perseguirem, obstinados pela absurda ideia fixa de que ele tem alguma coisa a ver com a corrupção que anda solta por aí: “Já ouvi que delação premiada tem que ter o nome do Lula, senão não adianta”. Ou seja, os homens da Lava Jato ou da Zelotes não vão sossegar enquanto não obrigarem alguém a apontar o dedo para o impoluto Lula. Mas, confiante, o chefão do PT garante que não tem o que temer: “Duvido que tenha um promotor, delegado, empresário que tenha coragem de afirmar que eu me envolvi em algo ilícito”.

    Lula falou também sobre a fase mais financeiramente próspera de sua carreira política, quando, depois de ter deixado o governo, na condição de ex-presidente faturou alto com palestras aqui e no exterior patrocinadas por grandes empresas. Explicou que é comum ex-chefes de governo serem contratados para transmitir suas experiências ao mundo. Quanto a palestrar no exterior para levantar a bola de empreiteiras que para isso lhe pagam regiamente, Lula tem a explicação que só os mal-intencionados se recusam a aceitar: “As pessoas deveriam me agradecer. O papel de qualquer presidente é vender os serviços do seu país. Essa é a coisa mais normal em um país”.

    De fato, é muito louvável que um ex-presidente da República se valha de seu prestígio para “vender” os serviços e produtos de grandes empresas brasileiras aptas a competir no mercado internacional. Resta definir quando essa benemerência se transforma em tráfico de influência.

    “Nesse país”, porém, qualquer um que manifeste dúvidas em relação à absoluta integridade moral do asceta de Garanhuns é insano ou mal-intencionado.”

  3. A propósito da charge que instrui o comentário, cliquem no link abaixo, vejam e ouçam a indecorosa entrevista de Luiz Inácio Lula da Silva à jornalista Cristina Esteves da RTP.
    Nela o apedeuta diz para a entrevistadora que os mensaleiros não eram de sua confiança.
    É O MAIOR CARA DE PAU QUE NASCEU NA TERRA BRASILIS.
    Nos EUA a mídia afirma que o apedeuta superou Al Capone.
    https://www.youtube.com/watch?v=SvoFANN9lYk

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