Na democracia, a propaganda partidária visa sempre a conquista de voto

Pedro do Coutto

No regime democrático não há como separar a propaganda partidária do objetivo de sensibilizar a opinião pública, entusiasmar o eleitorado, com as legendas buscando conquistar o eleitorado, com as legendas buscando conquistar votos para as primeiras eleições que vão se realizar pela frente. É natural esse movimento, inerente à democracia, cujas fontes principais encontram-se na liberdade e nos resultados das disputas eleitorais. Impossível separar um plano do outro, uma coisa da outra. Por isso surpreende a decisão da ministra do TSE Laurita Vaz, Corregedora Geral da Justiça Eleitoral, determinando a suspensão de um dos blocos da propaganda partidária do PSDB por considerar que se tratava da propaganda antecipada da candidatura do senador Aécio Neves à presidência da República.
Reportagem de Maria Lima, O Globo de 28, inclui no contexto iniciativa anterior da vice-Procuradora Geral Sandra Cureau pedindo ao Tribunal que pelo mesmo motivo multasse a presidente Dilma Rousseff e o PT que ao utilizarem o espaço partidário destacaram a atuação do governo. Equívoco também pelas mesmas razões. No caso do despacho da ministra Laurita Vaz, ainda um detalhe: a interdição de um dos filmetes protagonizados por Aécio Neves foi solicitada pelo Partido dos Trabalhadores. O PT, assim, tenta proibir um estilo de divulgação que ele utiliza para si próprio.
EQUÍVOCOS
Mas eu disse que em todo esse panorama houve dois equívocos. Claro. Porque a democracia, em síntese, se afirma a conquista pelo voto na urna. Chegar à vitória pelo voto livre e popular é objetivo inerente a todo universo político, está contido em todas as atividades e atitudes políticas. Não há como se dissociar os dois polos. A corrente democrática vai de um a outro, iluminando o panorama nacional. Essencial. E se alguém quiser definir a democracia pode recorrer à pergunta se no país existe liberdade de imprensa e eleições livres. Os políticos, que são os atores do exercício democrático, portanto, voltam-se sempre para a conquista de simpatia, de apoio popular, e do realce de suas imagens junto à opinião pública. Não importa que as exceções sejam numerosas como episódios recentes confirmam e se transferem inclusive para a esfera de julgamentos criminais e processos diversos. São violações da essência democrática. A democracia, em si, é outra questão.
O que a ministra Laurita Vaz não levou em consideração foi que nas propagandas partidárias sejam do PT, PSDB ou PSB, serão sempre normalmente destacadas as figuras da presidente Dilma Roussef, do senador Aécio Neves e do governador Eduardo Campos. A primeira candidata declarada à reeleição como é seu direito. O segundo nome mais forte para concorrer pelos tucanos. O terceiro candidato potencial do Partido Socialista Brasileiro. E ainda temos a ex-senadora Marina Silva, em busca de uma legenda, mas que pode aparecer, como convidada, a participar de um programa político de qualquer outra agremiação. Retirando os espaços que cabem ao PT e ao PMDB, como é óbvio, a hipótese de um convite pode partir de uma sigla de oposição ao governo.
Nem por isso, deixará de ser legítima a exposição da presidente da República no horário de propaganda política, nem de Aécio Neves e Eduardo Campos. Pois se o debate sucessório transcorre livre nos jornais e junto às comunidades, qual o motivo de excluí-lo da TV e do rádio? Logicamente nenhum. A eleição é tema público e assim deve ser aberto ao máximo. Democracia é assim.

 

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One thought on “Na democracia, a propaganda partidária visa sempre a conquista de voto

  1. Em primeiro lugar cidadão do bem confia em Deus, e em segundo lugar nas forças armadas, mas precisamos lembrar que o exercito não é um bisturi, e sim uma espada longa e afiada!

    O tempo urge; e o câncer da corrupção já atingiu os três poderes, e esta corroendo as entranhas da nação, o remédio para combater estas células cancerosas, é acabarmos com a imunidade e com o foru privilegiado dos corruptos.

    O mesmo cidadão que é obrigado a votar e eleger o político devera ter o direito de julgar este político em um júri popular, e se o corrupto for condenado, devera ser punido e devolver o valor surrupiado!

    É justo o político ter salário principesco repleto de mordomias, exercer vários cargos ao mesmo tempo, ter duas férias por ano, décimo terceiro, décimo quarto, décimo quinto, ajuda moradia, ajuda combustível, ajuda vestimentas, cartão corporativo, e mesmo assim roubar, desviar, superfaturar, ser julgado por seus iguais, e ter a lei de imunidade para acobertá-lo?

    Se o poder emana do povo; e em uma democracia deve prevalecer o direito e a vontade da maioria, que estamos esperando?
    Seja político quem quiser, mas se for desonesto, devera ser punido e devolver o valor surrupiado! Isso sim seria justiça, dentro de um sistema democrático! O resto é balela!

    Chega de demagogia e hipocrisia.

    Para o bem da Nação, divulguem.

    http://www.peticaopublica.com.br/?pi=Janciron

    ESTE É O PRIMEIRO PASSO PARA TERMOS UM PAÍS DEMOCRÁTICO, COM DIREITOS IGUAIS E JUSTIÇA SOCIAL!

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