Na empolgação, Temer e Mariz abrem a guarda e colocam Gilmar numa fria

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Charge do Pataxó (pataxocartoons. blogspot.com)

Carlos Newton

É impressionante a empolgação do presidente Michel Temer com a suposta vitória obtida na Câmara, que impediu seu afastamento do governo, durante 180 dias, para ser processado criminalmente por corrupção ativa. Na empolgação, o chefe do governo nem percebeu que não se tratou propriamente de uma vitória, mas de uma moratória, porque nenhum dos deputados que votaram contra o processo defendeu a inocência dele – a justificativa era de que tentavam evitar o agravamento da crise socioeconômica. Aliás, muitos deputados fizeram questão de ressalvar que pretendiam apenas adiaram o processo contra o presidente, já que inevitavelmente será aberto assim que terminar o mandado-tampão.

Portanto, a vitória foi apenas uma moratória, mas Temer não raciocinou assim. Pelo contrário, a vaidade subiu à cabeça, passou a se considerar inexpugnável, saiu dando entrevistas desancando o procurador-geral, como se Janot estivesse usando o Ministério Público Federal com objetivos meramente políticos.

NA CALADA DA NOITE – A estratégia do Planalto, que estava esboçada desde decisão da Câmara na quarta-feira, ganhou contornos definitivos na noite de domingo, durante jantar que Temer ofereceu ao amigo Gilmar Mendes e ao ministro Moreira Franco, fora da agenda, no Palácio Jaburu.

No dia seguinte, Gilmar Mendes deu uma explosiva entrevista à Rádio Guaíba, na qual abandonou a serenidade que deve pautar o comportamento dos ministros da Suprema Corte, perdeu completamente a linha e proclamou que Janot “é o procurador mais desclassificado da História”, mas não apontou, concretamente, um só erro dele. Ou seja, para agradar ao amigo Temer,  o ministro Gilmar Mendes cuidou de condenar o chefe do Ministério Público Federal pelo “conjunto da obra”, sem julgamento nem possibilidade de defesa,

Mas a ofensa foi tão despropositada que não atingiu Janot, mas explodiu no próprio colo de Gilmar Mendes, no estilo da desastrada bomba do Riocentro, e prejudicou também o próprio Temer, que no sábado já desancara Janot no Estadão.

O DIA SEGUINTE – Na terça-feira foi ainda pior, porque o advogado de Temer resolveu arguir ao Supremo a suspeição do procurador Janot. Na empolgação, rumo à Praça da Apoteose. Temer e Antonio Mariz erraram o passe, atravessaram o samba-enredo e deixaram em péssima situação os ministros Gilmar Mendes e Alexandre Moraes, que são notoriamente amigos íntimos do presidente.

Se Temer se julga no direito de levantar a suspeição de Janot, sem apresentar evidências concretas de que o procurador estaria movendo perseguição ao réu (Temer tecnicamente é réu, porque a denúncia foi aceita no Supremo, apenas está suspensa), não há dúvida que é muito mais evidente a suspeição de Gilmar e Moraes, na forma da Lei Orgânica da Magistratura e dos Códigos de Processo Civil e Penal, por se tratar de fatos públicos e notórios.

SEM CHANCES – Na opinião do jurista Jorge Béja, não há a menor possibilidade de prosperar esta petição da defesa de Temer:

“É certíssimo que o relator, ministro Edson Fachin, vai indeferir o pedido de plano, submetendo ou não sua decisão ao plenário. Embora não se conheça a petição de Temer, conhecemos os fatos, pela imprensa. E não existe nenhuma hipótese prevista no Código de Processo Penal, pelo menos que seja pública e notória, que dê motivo para que Janot venha ser considerado suspeito ou mesmo impedido. Se não foi suspeito até agora, depois do oferecimento da primeira denúncia, não será depois. Quanto ao chamado fatiamento da denúncia, não é o mais recomendável. Salvo se os fatos de uma denúncia não sejam conexos nem minimamente ligados com os da outras. Também aquela metáfora “enquanto houver bambu há flecha” é mera figura linguística, para o povo entender. Nem isto leva à suspeição”, assegura Béja.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Outra ponta da estratégia do Planalto foi espalhar o boato de que Janot tem ambições políticas e será candidato ao governo de Minas Gerais em 2018. É o que se diz em Brasília, revela o sempre bem-informado José Carlos Werneck, um dos principais articulistas da “Tribuna da Internet”. (C.N.)

7 thoughts on “Na empolgação, Temer e Mariz abrem a guarda e colocam Gilmar numa fria

  1. Eu, no lugar de Janot sairia do país com minha família.
    Não seria ato covarde pelo fato de estar condenando pessoas de alto poder e extremamente perigosas.
    Penso o mesmo sobre Moro.
    Quando se encerrarem os processos da Lava Jato este nobre juiz deverá proteger a si e sua família.
    Não se pode brincar com a realidade, por mais que haja a tentativa de se acobertá-la cotidianamente!

  2. Todos sabemos que 99% dos advogados é “CARA DE PAU” ou “PAU PRA TODA OBRA” mas o advogado de Temer é “CARA DE MADEIRA DE LEI”.

  3. Janot se aliou a bandidos confessos para tentar pegar o Temer. Sabemos que o Temer não é santo. Mas, nós, da classe trabalhadora honesta e da classe média, queremos, primeiro, ver o bandido-mor na cadeia, assim também o seu poste burro e mal-educado. Depois que trancafiarem o Molusco e a Mulher Sapiens, além de extinguir a maior organização criminosa de todos os tempos na história mundial (o PT), aí sim, nós arrancaremos o Temer e sua quadrilha.
    O Janot, como colaborador e aliado da ORCRIM, apelando até para gravação clandestina e livrando empresários-bandidos da punição, já vai tarde. Aliás, a sugestão de sair do Brasil foi boa. Pelo caráter dele, só países como Venezuela, Cuba e Coreia do Norte se en

  4. A promiscuidade dos poderes é evidente, não há mais credibilidade de quem hoje detém o poder, são encontros as ocultas, o verdadeiro patrão é o último a saber, o povo está atônito com tanta safadeza, até quando assistiremos estas mazelas.

  5. O “beiçola” vai acabar dando com os burros n’água. Já não basta sua “ligação” com aquele governador cuja delação “monstruosa” surpreendeu o outro Ministro do Supremo?

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