Na entrevista a New Yorker, Lula lançou Dilma à reeleição em 2014

Pedro do Coutto

É o tal negócio. No jornalismo a repercussão maior ou menor das reportagens e dos artigos depende do lide, ou seja, da parte destacada no início dos textos e muitas vezes nos títulos. Em algumas ocasiões, entretanto, a passagem do conteúdo assinala que o ponto nevrálgico encontra-se, não no começo, mas na metade do relato.

Aconteceu isso, exatamente, com a matéria publicada pelo Globo na terça-feira 29, ao traduzir entrevista do ex-presidente Lula à revista americana New Yorker, concedida em agosto mas publicada agora, em novembro.A reportagem a que me refiro não saiu assinada. No título e no lide ela destaca uma afirmação que Lula fez de que poderá voltar a disputar a presidência da república. Assim, admite-se que poderia ser em 2014 ou em 2018.

Porém, no decorrer das suas declarações, afirmou textualmente que só há um jeito de Dilma Rousseff não disputar a reeleição: “Se ela não quiser”, acrescentou. É um direito dela. Logo, o grande eleitor do país, recordista mundial de eleições presidenciais, pois já as disputou cinco vezes, firmou uma posição bastante sólida na realidade de hoje. Não estava sofismando.

Poder-se-á dizer que Lula agiu politicamente, no sentido de fortalecer sua sucessora. Possível. Mas foi bastante enfático, mais até do que precisaria ser se suas palavras ocultassem uma blindagem tática. Não me parece.Foi sincero. Inclusive revelou que, antes de escolher Dilma Rousseff como sua candidata, pensou em José Dirceu e Antonio Palocci. Ele, Lula, demitiu Dirceu no vendaval do mensalão. E demitiu Palocci no episódio do caseiro Francenildo. Vejam os leitores como são as coisas na política. José Dirceu, que teve também o mandato parlamentar cassado, jogou a presidência da República fora. Antonio Palocci o seguiu no abismo das contradições humanas.

A entrevista a New Yorker fortaleceu acentuadamente a posição de Dilma. Com reflexo nas eleições municipais de 2012. Estarão em jogo três cidades essenciais, extremamente importantes em termos de futuro próximo: Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte. Na capital paulista, o PT não está firme: disputa com Fernando Haddad, não se sabe ainda se contra José Serra. Em Belo Horizonte, diante do lançamento da candidatura Aécio Neves, o PT terá de se empenhar para derrotar seu candidato na capital mineira. No Rio, o Partido dos Trabalhadores não está bem situado. Não apresentou candidato próprio, apenas indicou o vereador Adilson Pires para vice de Eduardo Paes.

A reeleição de Paes não acrescenta nada ao PT. E, ainda por cima, atrapalha a caminhada de Lindberg Farias à sucessão de Sérgio Cabral em 2014. Vamos ver.                                                 

X X X X X

Um outro assunto. Na edição de 27 de novembro, O Estado de São Paulo, reportagem da correspondente em Washington Denise Crispim Marim revelou que uma pesquisa feita pela CNN na área dos republicanos apresentou mudanças. O empresário Herman Cain desceu em consequência das denúncias de assédio sexual contra ele desfechadas. Era o primeiro, passou para terceiro. O deputado Newt Gingrich, ex-presidente da Câmara dos Representantes, assumiu a liderança com 24 pontos. Em segundo, o ex-governador de Massachussets, Mitt Ronney, com 20 pontos das preferências da oposição.Já esteve na frente, caiu, foi ultrapassado. Indefinida a escolha.

Enquanto isso, Barack Obama, sozinho entre os Democratas. A indefinição Republicana reflete sem dúvida a fraqueza de seus candidatos. Newt Gingrich é muito contestado dentro do seu próprio partido. Principalmente por dois posicionamentos. Um agora. Outro no passado recente. Hoje, ele defende a legalização de 11 milhões de imigrantes ilegais que entraram nos Estados Unidos. Em 95, comandou a campanha pelo impeachment do presidente Bill Clinton. Que se reelegeu por larga margem de votos em 96.

Conclui-se, com base na CNN, que Obama perdeu votos na atual disputa. Mas os republicanos não têm até agora um nome capaz de arrebatá-los para as urnas de novembro do ano que vem.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *