Na gestão de Luciano Coutinho, BNDES favorece e privilegia multinacionais, bancos e grandes corporações.

Carlos Newton

A atuação do BNDES precisa ser analisada em profundidade e revista pelo governo, pelo Congresso e pelo Tribunal de Contas da União. Da forma como vem funcionando, o  importantíssimo banco de fomento está se tornando um expressivo fator de endividamento da União.

Desde que assumiu a presidência do BNDES, em abril de 2007, o economista Luciano Coutinho vem conduzindo equivocadamente o banco estatal, beneficiando multinacionais, instituições financeiras e megacorporações, que são aquinhoadas com generosos empréstimos de 6% ano, ou seja, inferiores à própria inflação do período, e ainda ganham prazo de carência para pagar.

Por sua ligação direta com o ex-presidente Lula, Luciano Coutinho tornou-se uma espécie de cidadão acima de qualquer suspeita. Ninguém se mete com ele. Hipoteticamente, seu superior imediato seria o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, que está totalmente desmoralizado e já não manda nem mesmo no garçom que lhe serve cafezinho. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, também não dá ordens a Luciano Coutinho. E a presidente Dilma Rousseff, idem idem. Portanto, somente Lula poderia enquadrar Coutinho. Mas como o ex-presidente da República não entende nada de economia, estamos conversados, e la nave va.

Há alguns dias, o jornal Valor anunciou que o Tesouro Nacional estuda novos aportes ao BNDES. Segundo a matéria, na gestão Coutinho o BNDES recebeu repasses da União no valor de R$ 22,8 bilhões em 2008, R$ 100 bilhões em 2009, R$ 105 bilhões em 2010 e R$ 55 bilhões em 2011, dos quais R$ 10 bilhões estão sendo liberados agora.

Isso significa que o governo está se endividando para privilegiar grandes empresários, pois os R$ 282,2 bilhões repassados ao BNDES em apenas 4 anos foram obtidos mediante emissão de títulos públicos da dívida interna, que pagam juros superiores a 10% ao ano. E o pior é que  o BNDES desenvolve uma gestão catastrófica: em 2011, por exemplo, os recursos aumentaram, mas os desembolsos do banco diminuíram, encolhendo 17%.

Detalhe importantíssimo: no BNDES, os juros para micros, pequenas e médias empresas é muito maior do que os cobrados às grandes corporações. As micros e pequenas empresas que usam o cartão BNDES pagam mais do que o dobro dos juros cobrados às multinacionais, bancos e megacorporações. Não é preciso dizer mais nada.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *