Na hora de fazer as reformas, é preciso acertar nos perdedores

Charge do dia 21-05Fernando Canzian

Michel Temer e o Congresso que o colocou na Presidência têm pela frente a enorme tarefa de ajustar as contas públicas. Parcelas da sociedade terão de pagar por isso. Como haverá perdedores, é melhor eles sejam as pessoas certas. A concentração de renda no Brasil é horrível não apenas por ter começado lá atrás, mas por ser reforçada há décadas.

Os deputados e senadores que agora terão o poder de votar a perda de privilégios de alguns não o fizeram antes mais em função da influência de grupos organizados do que para proteger a maioria dos eleitores, que é pobre.

No Brasil, é bom lembrar, só 6% das famílias têm renda superior a R$ 8.000 por mês. Mais de 60% vivem com menos de R$ 2.500, segundo estratificação do Datafolha.

OS MAIS POBRES

Os mais pobres gastam quase tudo o que ganham em transporte e sobretudo alimentos, em que já incide uma carga tributária média de 30%.

Ainda assim, eles deveriam dar sua cota de sacrifício neste ajuste. Não podendo se aposentar aos 55 anos, por exemplo, quando essa média nos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico)  é 65 anos.

Entre outras, esta é uma das razões pelas quais a Previdência Social fechou 2015 com um rombo de R$ 86 bilhões (1,5% do PIB). Por trás desse déficit há quase 30 milhões de brasileiros beneficiados por um dinheiro que alguém terá de pagar no futuro.

E OS SERVIDORES?

Mas o rombo provocado por esses 30 milhões não é muito maior do que o de R$ 73 bilhões (1,2% do PIB) de apenas 1 milhão de servidores federais civis e militares que estão na previdência do setor público.

Lula e Dilma tomaram algumas medidas para reduzir esse absurdo, mas a questão demandaria ainda uma nova rodada de perdas entre os eles.

Ao assumir o Ministério da Fazenda, Henrique Meirelles disse que o mais importante neste momento é começar a dizer a verdade sobre as contas públicas.

CONCENTRAÇÃO DE RENDA

Se é verdade que os governos Dilma e Lula promoveram uma inédita distribuição de renda em 13 anos de PT, também o é o fato de terem patrocinado uma enorme concentração de riqueza na outra ponta. Só em subsídios via créditos do BNDES a empresas, foram mais de R$ 120 bilhões em oito anos.

O “time dos sonhos” que Meirelles montou na economia parece saber quem deve perder mais neste ajuste. A dúvida é se terá sustentação do entorno político e fisiológico que ungiu Temer no momento em que a conta for apresentada.

6 thoughts on “Na hora de fazer as reformas, é preciso acertar nos perdedores

  1. Persiste em mim uma dúvida inerente aos céticos: O atual Ministro da Fazenda era o todo poderoso da economia nos oito anos do governo Lula, como presidente do Banco Central. Então, o atual comandante da Economia do governo Temer não sabia de nada em relação a farra dos recursos do PT para as empreiteiras e campeões do setor privado?
    A hipocrisia nesses novos tempos chega a assustar. Quando tudo ia bem, ninguém reclamou sobre os repasses de recursos para empresas privadas fazerem o que bem entendiam com o dinheiro subsidiado. Agora dizem que foi 120 bilhões. Mas, o novo comandante da Economia alega que o rombo nas contas públicas foi de 170 bilhões. Para onde foram os 50 bilhões da diferença.
    O certo é que não se pode confiar em governos e muito menos nos números de déficits e de superávit que anunciam. Geralmente divulgam esses detalhes quando querem aprovar alguma medida de seus interesses assustando a sociedade ou adulando seus sonhos de acordo com a conveniência de suas excelências.
    Ricupero é que estava certo: “O que é bom a gente divulga ao contrário a gente esconde”.
    Nos últimos dias, a divulgação de notícias ruins sobre a economia só pode significar objetivos ocultos. Precisamos ficar de olho.

      • Não há correção alguma a fazer, amigo Roberto Nascimento. realmente Meirelles era o condutor da economia, porque o ministro da Fazenda (médico sanitarista Antonio Palocci) obedecia a ele. Você está rigorosamente certo.

        Abs.

        CN

        • Muito obrigado pela lembrança caro e estimado editor Carlos Newton. Um médico não teria condições de tocar a Economia de um país como o Brasil. Vamos ver se agora como número um, Meirelles possa mudar de rumo e melhorar as contas deficitárias.
          No entanto, devo enfatizar que as condições do passado não são as mesmas de agora. O mundo capitalista está em crise e o petróleo em queda nos preços do barril, em torno de 30 dólares.

          Os sacrifícios serão cobertos pela sociedade que pagará pelos erros dos políticos e dos governos do PT. Vem aí uma Reforma da Previdência para o presente e não para quem ainda não entrou no sistema e uma ampla Reforma Trabalhista destinada a flexibilizar os direitos duramente conquistados desde a Ditadura Vargas. Isso até as pedras das ruas sabiam, que iria acontecer. O general presidente, Castelo Branco assessorado pelo Ministro Roberto Campos, também utilizou essas ações para “reequilibrar as contas” . Meu saudoso avô, aposentado do Cais do Porto recebia de proventos R$ 1.200,00 e passou a receber R$ 700,00, ainda em 1964. Ditadura nunca mais.

          • Caros Roberto Nascimento e CN … saudações!

            Mesmo sendo (pe)emedebista dos históricos, já questionei fortemente as nomeações de Meirelles e Goldfajn … nos tempos em que atuaram não havia 60.000.000 de inadimplentes – e esses existem por políticas em que tiveram forte participação … … … entendo que Temer esteja fazendo igual a FHC quando convenceu Fraga a sair dos derivativos e vir comer jabuticaba!!! !!! !!!

          • Lionço saudações:

            O povo irá pagar as contas da farra do dinheiro público, tanto do PT, o cabeça de chapa, quanto do PMDB o segundo, que deu respaldo aos governos do PT durante 14 anos.

            Disso tudo, o povo será sacrificado para o país zerar o déficit e em seguida voltar a liberar dinheiro a rodo para o setor produtivo e empreiteiras, a pretexto de gerar emprego e renda, quando todos sabem, que as pequenas e médias empresas é geram empregos estáveis.

            Infelizmente, o PT o “Partido dos Trabalhadores” enveredou por caminhos errados e tortuosos ao apostar nos campeões nacionais e nas empreiteiras, uns faliram e os outros envolvidos na lava jato, que estão entregando todos os acordos feitos com Lula para conseguirem redução de pena.

            De tudo, não querem amargar o mesmo destino de Marcos Valério e José Dirceu. Vejam só o caso de Delcídio , que abriu o bico para deixar o xilindró e ter sua pena reduzida.

            Lula, que era considerado infalível e por isso mesmo respeitado entre gregos e troianos, a ponto dele ter acreditado nesse mito, pois bem, vive o ex-presidente o seu momento de queda na política e no sonho de perpetuação do poder a moda do PRI do México. O PT perdeu pelos seus próprios erros e vai pagar por isso, pela traição a classe trabalhadora. Em outubro já virá o troco do povo, quando perderá o controle das capitais que controla. Fernando Haddad de São Paulo periga perder a eleição, apesar da fraqueza dos adversários. marta Suplicy não será perdoada por ter pulado fora do barco do PT e João Dória do PSDB é tão ruim de voto e de credibilidade, que seria melhor a reeleição de Haddad em contraponto a eleição dele. Alkimim é o fiador de Dória. Aécio e José Serra torcem por qualquer candidato só para ver o governador ser derrotado. ´

            É a luta pelo PODER causando a cizânia entre os integrantes do PT, do PSDB e do PMDB.

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