Na mira do STF, Weintraub volta a comparar ação da PF no inquérito das fake news com regime nazista

Comitê Judaico pediu um basta no uso político do Holocausto

Deu no Estadão

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, voltou a comparar a ação da Polícia Federal no inquérito das fake news com o regime nazista. Na manhã desta quinta-feira, dia 28, Weintraub publicou nas redes sociais uma foto de militares nazistas apontando armas para um grupo de judeus com uma mensagem comparando a cena ao Brasil atual.

“Primeiro, nos trancaram em casa. Depois, brasileiros honestos buscando trabalho foram algemados. Ontem, 29 famílias tiveram seus lares violados! Sob a mira de armas, pais viram suas crianças e mulheres assustadas terem computadores e celulares apreendidos! Qual o próximo passo?”, escreveu o ministro.

RELEITURA – O texto é uma clara releitura ao texto “E não sobrou ninguém”, do pastor luterano Martin Niemoller. “Primeiro, os nazistas vieram buscar os comunistas, mas, como eu não era comunista, eu me calei. Depois, vieram buscar os judeus, mas, como eu não era judeu, eu não protestei. Então, vieram buscar os sindicalistas, mas, como eu não era sindicalista, eu me calei. Então, eles vieram buscar os católicos e, como eu era protestante, eu me calei. Então, quando vieram me buscar… Já não restava ninguém para protestar”, diz o texto do alemão.

Não é a primeira vez que Weintraub compara a operação da PF a episódios vinculados ao holocausto. Na quarta-feira, dia 27, o ministro escreveu que o dia da operação seria lembrado como “a Noite dos Cristais brasileira”.

Noite dos Cristais é como ficou conhecida a noite de 9 de novembro de 1938, quando sinagogas, lojas e residências judias foram atacadas na Alemanha. O episódio é considerado um marco no enrijecimento a perseguição do povo judeu pelo regime nazista.

BASTA – A mensagem do ministro foi contestada pelo Comitê Judaico Americano, uma das principais organizações da comunidade judaica nos Estados Unidos, que pediu um basta no uso político do Holocausto por autoridades do governo Jair Bolsonaro.

“Chega! O reiterado uso político de termos referentes ao Holocausto por oficiais do governo brasileiro é profundamente ofensivo para a comunidade judaica e insulta as vítimas e os sobreviventes do terror nazista. Isso precisa parar imediatamente”, disse a associação pelo Twitter, em inglês, na quarta-feira.

REPÚDIO – A Confederação Israelita do Brasil (Conib) também condenou a comparação de inquérito do STF à Noite dos Cristais feita por Weintraub.

“Não há comparação possível entre a Noite dos Cristais, perpetrada pelos nazistas em 1938, e as ações decorrentes de decisão judicial no inquérito do STF, que investiga fake news no Brasil. A Noite dos Cristais, realizada por forças paramilitares nazistas e seus simpatizantes, resultou na morte de centenas de judeus inocentes, na destruição de mais de 250 sinagogas, na depredação de milhares de estabelecimentos comerciais judaicos e no encarceramento e deportação a campos de concentração”, disse a Conib.

“As ações do inquérito, por sua vez, se dão dentro do ordenamento jurídico, assegurado o direito de defesa, ao qual as vítimas do nazismo não tinham acesso. A comparação feita pelo ministro Abraham Weintraub é, portanto, totalmente descabida e inoportuna, minimizando de forma inaceitável aqueles terríveis acontecimentos, início da marcha nazista que culminou na morte de 6 milhões de judeus, além de outras minorias”, acrescentou a entidade no texto.

18 thoughts on “Na mira do STF, Weintraub volta a comparar ação da PF no inquérito das fake news com regime nazista

  1. Primeiro condenaram o José Dirceu, SEM PROVA. E poucos, muito poucos protestaram. Depois deram o golpe na Dilma. Muitos aplaudiram. Depois condenaram o LULA, novamente SEM PROVA. Agora estão reclamando de que? Estão arrependidos? Só agora percebem que a Gestapo existe?

  2. Do mesmo modo que o STF, nosso tribunal de exceção, adonou-se da Constituição da República … associações judaicas querem adonar-se dos fatos históricos. Pretensiosos, uns e outros.

      • Discordo, os judeus foram os mais sacrificados. Foram 6 milhões ceifados com requintes de crueldade.
        lógico, que ciganos, negros, comunistas, foram mortos pelos nazistas.
        Meu caro, uma única morte pela tirania, é a humanidade que está morrendo, isso é fato. No entanto, o povo judeu foi massacrado.
        O ministro foi muito infeliz. Errou feio.

  3. De onde surgiram estes nazifascistas, onde se escondiam, nem sabia que existia isto no Brasil, estavam todos malocados esperando a oportunidade para se manifestarem, apareceu Bolsonaro e estes troços deram as caras, se nada for feito, vão destruir a democracia que ainda existe no Brasil.

  4. Eu não entendo, primeiro o STF era um “soviet” protegendo comunistas, Lula, Dirceu e outros “esquerdalhas”, agora como de repente, virou quartel da Gestapo, investigando inocentes cidadãos ultradireitistas, vai saber…deve ser a gosto do comentarista de plantão.

    • Data vênia sr. Moreno. De onde você tirou que o STF protegeu o PTB, o PMDB, PT, PP.
      Você não viu pela televisão, as audiências do Processo do Mensalão, e depois o do Petrolão.
      Dirceu preso, Roberto Jeferson, Eduardo Cunha Genoino, Cabral, Valério, Delcídio, etc…Impeachment da presidente Dilma. E ninguém falou em fechar o Congresso, cassar os ministros do STF e tomar conta dos inquéritos da Polícia Federal.
      O Joaquim Barbosa, o Torquemada do PT, Relator, foi escolhido para ministro pelo Lula. Não teve esse negócio de terrivelmente evangélico não.
      Ninguém falou em fechar as instituições.
      Outra coisa, vocês ficam a toda hora, citando símbolos nazistas. Isso indica alguma coisa?
      Está parecendo tática de robôs, sempre o mesmo discurso. Poderiam pelo menos mudar a tática, pois a identificação é imediata.

      • Desculpe Sr Roberto, só agora eu tive tempo de passar por aqui. Acho que o senhor não entendeu ou eu não me fiz entender, eu me referia às críticas de “uns” e “outros” a respeito da possível orientação ideológica do STF, por isso eu dispenso o “vocês” usado pelo senhor em referência à minha pessoa. O senhor pode acreditar, eu não sou nem “nos” nem “eles”, a minha ideologia e torcida se chama BRASIL e Justiça Social. Um abraço e desculpe qualquer mal entendido.

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