Na poesia de Joo Cabral de Melo Neto, as aflies do “vulto longnquo de um homem dormindo”

A vida no se resolve com palavras. Joo Cabral de Melo Neto - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canes

O diplomata e poeta pernambucano Joo Cabral de Melo Neto (1920-1999), que tinha dores de cabea crnicas, em seu Poema de Desintoxicao fala sobre o que se passa com ele, quando apenas o vulto de um homem dormindo.

POEMA DE DESINTOXICAO
Joo Cabral de Melo Neto

Em densas noites
com medo de tudo:
de um anjo que cego
de um anjo que mudo.
Razes de rvores
enlaam-me os sonhos
no ar sem aves
vagando tristonhos.
Eu penso o poema
da face sonhada,
metade de flor
metade apagada.
O poema inquieta
o papel e a sala.
Ante a face sonhada
o vazio se cala.
face sonhada
de um silncio de lua,
na noite da lmpada
pressinto a tua.
nascidas manhs
que uma fada vai rindo,
sou o vulto longnquo
de um homem dormindo.

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