Na poesia genial de Orestes Barbosa, a lua furava o zinco e salpicava de estrelas o nosso cho

O poeta carioca Orestes Barbosa (1883 1966) o letrista da antolgica cano “Cho de Estrelas, que Sylvio Caldas musicou e gravou em 1937, pela Odeon.

CHO DE ESTRELAS

Sylvio Caldas e Orestes Barbosa

Minha vida era um palco iluminado
Eu vivia vestido de dourado
Palhao das perdidas iluses
Cheio dos guizos falsos da alegria
Andei cantando a minha fantasia
Entre as palmas febris dos coraes.

Meu barraco no morro do Salgueiro
Tinha o cantar alegre de um viveiro
Foste a sonoridade que acabou
E hoje, quando do sol a claridade
Forra o meu barraco, sinto saudade
Da mulher pomba-rola que voou.

Nossas roupas comuns dependuradas
Na corda, qual bandeiras agitadas
Pareciam estranho festival:
Festa dos nossos trapos coloridos
A mostrar que nos morros mal vestidos
sempre feriado nacional!

A porta do barraco era sem trinco
Mas a lua, furando o nosso zinco,
Salpicava de estrelas nosso cho
Tu pisavas os astros, distrada,
Sem saber que a ventura desta vida
a cabrocha, o luar e o violo.

(Colaborao enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canes)

One thought on “Na poesia genial de Orestes Barbosa, a lua furava o zinco e salpicava de estrelas o nosso cho

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.