Na reta final, governo e oposição pressionam os “indecisos”

Charge do Leo Villanova, reprodução da Gazeta de Alagoas

Bernardo Caram
Estadão

A previsão de que o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff seja votado em plenário daqui a duas semanas faz com que governo e oposição intensifiquem a busca por deputados “indecisos” ou “indefinidos”. Em comum, ambos os lados recorrem à “pressão das ruas” e ao “sentimento de culpa” para atrair parlamentares aos grupos favorável ou contrário ao afastamento da petista.

Segundo levantamento publicado domingo pelo Estado, o alvo prioritário são 55 deputados que se disseram indecisos, 9 que não quiseram declarar seu voto – mesmo com a opção de permanecerem sob anonimato – e 71 integrantes de 15 partidos diferentes que não foram localizados pela reportagem. A reportagem mostrou que, por ora, 261 deputados votariam a favor da abertura do procedimento e 117 se posicionaram contra o impeachment. Para o processo seguir para o Senado, são necessários 342 votos, o equivalente a dois terços dos 513 deputados da Câmara.

OTIMISMO MÚTUO

Tanto governistas quanto oposicionistas procuraram ver os números do levantamento do Estado com otimismo. No Planalto, a avaliação é de que a reforma ministerial a ser promovida nesta semana – pela qual Dilma trocará cargos e pastas pelo voto de deputados de partidos do chamado “Centrão”, como PP, PR e PSD, contra o impeachment – será suficiente para conter o avanço da onda pelo afastamento da petista. Fora isso, o governo insistirá na tese de tachar o processo como “golpe”.

Para o deputado Bohn Gass (PT-RS), os números mostram que o governo tem capacidade de barrar o impeachment. O parlamentar aposta na presença – mesmo que informal – do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na articulação do governo e na pressão dos movimento sociais de esquerda.

“Os deputados que votarem a favor do impeachment vão levar para a vida deles o legado de serem golpistas”, acusou Gass, que vê como fator positivo ao Planalto a decisão do PMDB de romper com Dilma. “O setor do PMDB que saiu fez um bem para o País. Eles estavam dentro do governo, mas operando contra o governo.”

PRESSÃO DAS RUAS

A oposição, por sua vez, conta com a pressão das ruas e dos movimentos organizados contra o PT para atingir o mínimo de 342 votos – pelo levantamento do Estado, faltariam 81 votos para tanto. O líder do DEM, Pauderney Avelino (AM), lembra que parlamentares que foram contra o impeachment de Fernando Collor de Mello em 1992 “passaram maus bocados nos anos seguintes”. Segundo ele, políticos contrários ao governo Dilma são aplaudidos nas ruas, enquanto os favoráveis são hostilizados. “O cara tem que ter muita coragem para votar contra o impeachment, a pressão é muito grande”, disse o deputado.

O líder do PSDB na Câmara, Antônio Imbassahy (BA), acredita que os números a favor do impeachment revelados pelo Estado são elevados e a tendência é de ampliação. “O governo está tão fraco, sem perspectiva, que é muito difícil conseguir reverter isso”, disse, ressaltando que novos fatos da Operação Lava Jato também geram um ambiente favorável ao impeachment.

4 thoughts on “Na reta final, governo e oposição pressionam os “indecisos”

  1. Como a cidade de São Paulo é pequena…… kkkaaass

    EXCLUSIVO: VENDEDOR DO SÍTIO DE ATIBAIA É VIZINHO DE YOUSSEF
    Brasil 04.04.16 16:00
    Adalton e Neuza Santarelli, que venderam o sítio de Atibaia para Lula em 2010, compraram em junho daquele ano o apartamento 141 do edifício Walk Vila Nova, na rua Afonso Braz, número 747, em Vila Nova Conceição (SP).

    O endereço é conhecido pelos investigadores da Lava Jato. Alberto Youssef também morava lá. Em 2009, ele comprou por meio da GFD o apartamento 111, frequentado pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa.

    Pelo visto, o endereço é nobre.

  2. O que o Brizola diria disso ??????????

    O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro deu parecer contrário a um pedido feito pelo escritório do criminalista Nilo Batista, em nome da Petrobras, para atuar como assistente da acusação em um desdobramento da Lava-Jato.

    Trata-se de uma ação aberta em decorrência da delação do executivo Julio Faerman, ex-diretor da holandesa SBM.

    O Ministério Público apontou “evidente conivência ou conflito” ao recusar a inclusão do escritório de Batista na causa, pelo fato de ele ser defensor do ex-presidente Lula na operação

    ( Radar Veja ).

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