Na tocaia


Luiz Tito

As manifestações das ruas, que tiveram todo fôlego em julho, estão na tocaia. Pelo menos por enquanto. Recebidas com surpresa e aprovação pela sociedade (exceto pelos atos de vandalismo e violência), admitidas como a marca da indignação com os desmandos dos governos e com os equívocos das prioridades atendidas pelas decisões e pelo orçamento público, os tumultos de julho acenderam os avisos de que eram necessárias mudanças de rumo que levassem mais atenção, projetos e recursos a antigas demandas sociais, cujo não atendimento vem ampliando, com história, nossas diferenças e desigualdades.

Não bastou o Brasil ser alçado à condição de sexta maior economia do mundo tendo em oposição o quadro de misérias que assistimos. Temos um dos piores sistemas de educação pública do mundo, comparável a países da África. Temos um programa de saúde que se funda prioritariamente na contratação e distribuição cartográfica de médicos, sem provê-los de recursos adequados e eficientes. Entrega-se ao médico, quase nu, a responsabilidade de levar a saúde onde ela não está por falta de saneamento básico, de alimento, de cidadania, sobretudo. O festival de bolsas, produzido na esmolaria do governo federal, que deveria ser um programa que gerasse compromissos de seus beneficiados, mostra-se cada vez mais incapaz de promover transformações. Virou meio de vida para a maioria dos que o recebem.

O crédito, distribuído fartamente pelo sistema financeiro, garantido por instrumentos leoninos firmados entre bancos e seus tomadores, certamente vai estourar. Não vão socorrê-lo sua vinculação às folhas de pagamentos dos servidores públicos e aposentados, a alienação dos bens dos quais incentivaram a propriedade e o consumo a uma significativa parcela da sociedade. Quando ficar impossível a liquidação desses créditos e a opção for pagá-los ou comer, ou morar, ou vestir, podemos esperar por novas manifestações.

FORA DO CARDÁPIO

Os grupos que levaram às ruas seu inconformismo com a corrupção, com o desvio do dinheiro, com o enriquecimento ilícito e com os privilégios de políticos não estão atendidos nem satisfeitos. No meio das manifestações ainda voaram os jatos da FAB, conduzindo convidados de casamentos à Bahia, a Alagoas, e torcedores aos jogos da seleção. Helicópteros já foram o meio preferido da família do governador do Rio para ir à praia. Foram, não são mais. Diminuíram-se as decolagens mas seguem os jatos voando sem justificativa, com equipamentos, pilotos e combustível pagos com os recursos do erário.

Tem que diminuir. Já foram retirados do cardápio alguns privilégios de parlamentares e é público o desejo de que a composição do Senado seja feita sem suplentes, que o são porque pagaram campanhas ou negociaram seus apoios. Deputados condenados à cadeia deverão perder seus mandatos pela impossibilidade de se conciliar o fato de serem excelência de dia e, à noite, simples detentos.

Juízes, desembargadores e ministros do Judiciário julgados como corruptos deverão perder o benefício da aposentadoria com vencimentos integrais. Um bom motivo para manifestações seria a demissão de assessores parlamentares em excesso nas câmaras municipais de todo país, nas assembleias estaduais e no Congresso Nacional.

O recado foi dado e continua latente no sentimento da sociedade. Cabe aos governos e aos políticos entender o que pedem as ruas e as redes sociais. (transcrito de O Tempo)

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4 thoughts on “Na tocaia

  1. (Blog)Construindo pensamentos
    Não existe caminho para a liberdade. A liberdade é o caminho.

    Preparem-se: as mentiras deles estão só começando.

    Uma das marcas desta década de petismo à frente do governo federal é sem dúvida a institucionalização da mentira como instrumento do embate político. São tantas, que é até difícil lembrar de todas: Dirceu cada vez mais convencido da própria inocência, Palocci repelindo “com veemência” as acusações de ter quebrado o sigilo de um caseiro, a gritaria acusando Alckmin de tramar a privatização das estatais (antes fosse verdade…), a Dilma gerentona sacada da cartola de Lula… Exemplos não faltam.

    Apoiado na subserviência de grande parte da imprensa nacional, sempre pronta a repercutir qualquer invenção saída da cabeça dos petistas (com medo de ser acusada de fazer parte do malfadado PIG), e numa minuciosamente orquestrada rede de difamação virtual, financiada com banners de estatais e maximizada por meio de anúncios pagos nas redes sociais, o PT construiu uma eficientíssima máquina de moer reputações, que usa com total desenvoltura contra qualquer um que se coloque em seu caminho. Essa estrutura serve, também, para dar eco às ações dos vários braços petistas na dita “sociedade civil” (MST, CUT, UNE…), dando sempre ares de convulsão social a qualquer baderna causada por uma dezena de pelegos cuidadosamente colocados em locais estratégicos a fim de tumultuar as gestões que não são subservientes ao petismo.

    Recentemente, a engrenagem da falsa propaganda petista entrou em ação novamente e o vereador tucano Andrea Matarazzo foi tratado como o pior dos corruptos por gente que ainda hoje se dirige a José Dirceu como “guerreiro do povo brasileiro”. Indiciado pela Polícia Federal por corrupção passiva, Matarazzo deve, nos próximos dias, ter sua reputação restaurada quando o Ministério Público determinar o arquivamento do inquérito que o investigou. Segundo apurado pelo IG, fontes do MP disseram que o inquérito não tem sustentação jurídica, mas isso – claro! – não importa aos detratores da moral alheia. O estrago político já foi feito e restabelecer a verdade é sempre mais complicado (e não se poderá contar com a retratação da canalha que concorreu para caluniar e difamar, logicamente).

    Outro alvo do PT (já há alguns anos) é o governador de São Paulo Geraldo Alckmin. O PT não se conforma de até hoje ter sido repelido pelos paulistas, sempre que tentou tomar o governo estadual. Planeja uma nova e virulenta investida em 2014, quando contará com as máquinas federal e municipal para apoiá-lo na empreitada. Mas isso não basta: é preciso atacar o adversário político ao ponto de transformá-lo em inimigo. O PT não tolera o embate democrático, pois não consegue conceber uma realidade em que não seja onipotente. Por isso precisa “extirpar” quem lhe é oposição – como Lula anunciou no passado, referindo-se ao DEM. Vejam um trecho da coluna Painel, da Folha de São Paulo de ontem:

    O PT decidiu replicar com Geraldo Alckmin (PSDB) em São Paulo o cerco que Sérgio Cabral (PMDB) enfrenta no Rio. O partido atua na organização de protestos marcados para esta semana e a próxima, que farão menção à investigação de cartel em governos tucanos. Dirigentes da CUT vão engrossar ato do Movimento Passe Livre na quarta-feira. No dia 28, na marcha pela reforma urbana, movimentos de moradia também ligados ao PT vão à rua pedir CPI sobre o caso Siemens.
    Temos, pois, uma central sindical servindo de esbirro para o petismo. A intenção não poderia ser mais clara: desestabilizar um forte adversário às vésperas de um ano eleitoral que desde já se anuncia um dos mais duros desde a redemocratização.

    Apesar de conhecida, essa estratégia, por ser corriqueira, acaba passando batida pelo cidadão comum, que apenas verá no Jornal Nacional, antes da novela, alguns segundos de frases prontas citando lugares-comuns como “protestos contra corrupção” e “mobilização da sociedade”. Mais uma vez estará completa a estratégia: um braço petista na sociedade civil é usado para tumultuar o ambiente e criar um fato político apenas para que a rede de propagação de mentiras, organizada com apoio da imprensa e dos blogprog, possa repercutir a – como é mesmo que eles falam? – “indignação das massas”.

    O exemplo mais recente da desenvoltura com que atua a máquina petista de moer reputações é a denúncia de que o senador Aécio Neves estaria respondendo na justiça pelo desvio de 4,3 bilhões de reais em recursos da saúde, quando foi governador de Minas Gerais. É mentira! Não houve desvio algum. Nem um mísero centavo de dinheiro público saiu da esfera pública e deixou de ser investido em benefício de Minas.

    O que existe é uma ação judicial na qual se questiona se o investimento de 4,3 bilhões feito pelo então governador Aécio Neves em saneamento básico pode ou não ser considerado como recurso aplicado na saúde pública. Repito: nenhum valor foi “desviado”, como tenta fazer crer a rede de mentiras construída pelo PT na imprensa escrita e na internet.

    Na verdade, o único “crime” aparentemente cometido por Aécio foi investir em prevenção, coisa que todo gestor público deveria fazer. Afinal sabe-se que cada dólar investido em saneamento básico representa uma economia de cinco dólares em gastos com saúde pública (como pode ser confirmado aqui).

    Assim, tem-se apenas mais um episódio no qual o PT torturou os fatos a fim de atacar um adversário direto por meio da propagação de mentiras. Aécio não é réu por desvio de dinheiro público, mas isso não interessa ao petismo. Também não interessa saber que o mineiro atuou diligentemente na prevenção dos problemas de saúde pública, investindo em saneamento básico (coisa que até o governo Lula fez!). Não! Nada disso importa, pois a máquina de falsa propaganda do PT não se importa com fatos, mas com maneiras de conseguir atacar seus oponentes. Pouco importa se a verdade for uma baixa colateral nessa guerra suja.

    Como mencionado alhures, 2014 vai se desenhando como um ano onde os embates eleitorais serão mais cruentos do que nunca. O petismo, como é da natureza dele, terá na rede de propagação de mentiras um dos pilares de todas as suas campanhas. É preciso estar sempre vigilantes a fim de “combater o bom combate”, como ensinou São Paulo, o apóstolo: não permitir que eles repitam suas mentiras tantas vezes, a ponto de se tornarem verdade aos olhos da sociedade. A verdade objetiva dos fatos continua sendo o melhor escudo contra quem faz da leviandade sua principal arma de ação política.

  2. O comportamento coletivo se propaga em padrões proporcionais já definido instintivamente, através deles se escrevem algoritmos para que possa estabelecer qual o comportamento que a coletividade vai tomar em um dado futuro, proporções fibonacci, médias moveis, momentum, são alguns dos osciladores que se empregam a um conjunto de comportamento provocados por uma coletividade, que quanto maior o numero de participantes menor é a capacidade de se manipular.

    Esse processo de previsão através de estatística, proporções e oscilações de comportamento visa identificar a intensidade além do período que ocorrer os eventos, de uma forma fractal os comportamentos se repetem seja ele em períodos e intensidade, conforme um padrão de comportamento é identificado ele é relacionado com os históricos registrados em inventários de modo que o comportamento passado vai ditar o que acontecerá no futuro do comportamento padrão, assim e montado o algoritmo que tem uma ampla utilização pelas agências de inteligência para rastrear “possíveis terrorista”, pela policia para definir os locais onde há maior incidências de criminalidade, no mercado financeiro para precificar um ativo, no comercio e indústria para definir estratégias de marketing.

    As manifestações podem ser representada por um esquema de algoritmo, já que se propagam por um comportamento coletivo, dentro dos osciladores de momentum há as definições de exaustão do comportamento já que os mesmos se desencadeiam através de períodos, dentro dos períodos haverá a exaustão da intensidade que reverte o sentido do movimento para que haja um alivio dos osciladores. Conforme as informações alimentam certo comportamento a um sentido já determinado, maior vai ser a intensidade do movimento sempre oscilando através da exaustão respeitando proporções pre definidas.

    As informações que alimentam as manifestações não param de sair, logo houve um ponto de inflexão onde se deu a reversão do movimento de inercia para a mobilização popular, onde o ponto de ruptura do sentido do movimento se deu na Presidente Vargas na marcha de um milhão, agora temos um começo de tendência de movimento onde a intensidade, que é a adesão ou números de pessoas que se deslocam para as manifestações varia de acordo com as proporções Fibonacci, ledo engano para aqueles que acreditam que haverá o enfraquecimento das manifestações, o que não falta é informação que alimente o comportamento de se manifestar o que há é acomodação do movimento, a exaustão da intensidade, repique ao movimento anterior, que toma folego para seguir sempre o movimento da tendência até que haja informações suficiente para que inverta a tendência do movimento.

    Fibonacci. Divina Proporção.

    http://www.youtube.com/watch?v=PJZ79yGkik8

  3. Sr.Luiz Tito, muito bom o artigo.
    Num país em que a corrupção corre solta, ladrões travestido de Senadores, de Deputados, Ministros e etc.,o povo tem mesmo é que sair às ruas.
    Nesta semana, duas revistas de circulação semanal, trazem reportagens que envergonham, cada vez mais, o brasileiro decente.Dinheiro desviado do erário para os partidos, com um gravíssimo porém , constituindo caixa dois para a campanha da atual governanta do país.
    Ministro do Supremo exigindo que o TCU aprovasse as contas de campanha do PT de 2010, cheia de irregularidade,é mais um capítulo do descalabro da era da mediocridade, implantada pelo PT.
    Até quando vamos vê essas putarias[com a licença do C.N pelo palavrão]a enxovalhar a nação?

    PS:. Não faço comentário com rascunho, tudo que escrevo vem na hora.Portanto, qualquer deslize de concordância ou erro de ortografia, me desculpem.

  4. Tito,
    Belo artigo.
    Complementando com o artigo do Hélio Fernandez, mais acima, mostram um quadro nacional terrível.
    Sem duvida alguma, pelo horizonte que vislumbramos, a eleição do Lula para presidente será um passeio.
    E, é aí que mora o perigo!
    Considerando o desrespeito que esse senhor tem pela democracia, pela desfaçatez com que age, com o despreparo pessoal para administrar, pelo aparelhamento do estado que fez e continua a ser feito e, por ultimo, pela qualidade do animal politico que é, nosso futuro é preocupante.
    Se já estamos num processo de desqualificação operacional do Estado e no descrédito da sua capacidade gestora dos interesses comuns, eleito esse senhor, o que nos resta será a ditadura. Regime adorável para aqueles que querem se perpetuar no poder exercendo a politica do poder pelo poder.
    SDS
    Vitor

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