Nada como o tempo para diferenciar a planície do planalto, em matéria de política.

Roberto Nascimento

Em relação à suposta campanha midiática para apear o presidente Lula do poder, em 2006, alegada por José Dirceu para se declarar mártir da democracia, ressalte-se que o fato é recorrente na história da política brasileira, desde o nascimento da República em 1889. O primeiro presidente, marechal Deodoro da Fonseca, por exemplo, foi derrubado pelo também marechal Floriano Peixoto.

Terminada a Segunda Grande Guerra, Getúlio Vargas em 1945 foi obrigado a entregar o poder ao Marechal Eurico Gaspar Dutra e instado a voltar para sua instância no Rio Grande do Sul. Retornando em 1950 pelo voto direto, foi levado ao suicídio em agosto de 1954 depois de uma campanha ferrenha da UDN, partido de oposição ao PTB e PSD.

Seu sucessor Juscelino Kubitschek também sofreu duas rebeliões de militares da Aeronáutica e quase não tomou posse. O Marechal Henrique Teixeira Lott colocou os tanques da Vila Militar nas ruas e garantiu a posse do presidente.

João Goulart foi derrubado em 1964 por uma ampla coalisão oposicionista no Congresso com apoio das classes conservadoras, tendo à retaguarda os Estados Unidos da América.

O general presidente Ernesto Geisel (1974 /1979) também sofreu tentativa de golpe de seu ministro do Exército, general Silvio Frota.

Desde que o Partido dos Trabalhadores foi criado, deputados e senadores da sigla eram considerados oposição raivosa. Todos os projetos dos governos constituídos recebiam voto contrário em bloco. Quem se insurgia era execrado e expulso da legenda.

Na anticandidatura (1979) de Ulisses Guimarães, tendo como vice, o ilustre jornalista, presidente da ABI, Barbosa Lima Sobrinho, eles só tiveram o apoio da sociedade e do MDB, porque ainda não havia o PT. Mas e depois?

Foi emblemática a orientação para não votar em Tancredo Neves na eleição indireta de 1985. Os deputados Airton Soares, José Eudes e Bete Mendes votaram no político mineiro e foram expulsos do PT.

Fernando Collor foi levado a renunciar por uma campanha ampla de adversários, dentre os quais pontuava o PT como um dos partidos mais influentes na derrubada, que contou com o apoio das classes empresariais e da juventude “cara pintada”.

No caso de Lula, em 2006, creio que não interessava aos partidos de oposição, PSDB e DEM, a derrubada do presidente, pois inferiram que ele estava muito fraco devido ao escândalo do mensalão e apostavam que venceriam a eleição de 2006 até com certa facilidade. Entretanto, os fatos mostraram que a oposição cometeu um grave erro de estratégia.

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SIMILARIDADE DAS PRÁTICAS DO PODER

O “mago” José Dirceu não percebeu ainda que o veneno que usavam contra os outros se volta agora contra o partido. O PT se posicionou contra o PLANO REAL, contra a CPMF, contra as DOAÇÕES E PRIVATIZAÇÕES DE EMPRESAS ESTATAIS, contra a REFORMA DA PREVIDÊNCIA, contra a supressão dos DIREITOS TRABALHISTAS, contra o PROER (ajuda aos bancos), e a favor das PRÉVIAS para escolha de candidatos a cargos majoritários.

Agora está no poder há 9 anos, o que fazer? Tudo ao contrário?

A oposição perdeu as condições de criticar tudo aquilo que os petistas implementaram, por isso o desespero de tucanos e demos. Raquíticos na representação das duas casas congressuais, sabem que dificilmente vencerão as próximas eleições, salvo ocorram reflexos na economia nacional fruto do agravamento da crise que assola Europa e EUA. Logo, desse mato não sairá nenhuma aventura golpista, Dirceu pode ficar descansado.

O poder realmente muda as pessoas e os partidos políticos. Assim foi e assim sempre será. É a sina, a maldição da humanidade nos atormentando ao longo da história.

 

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