Não dá para entender. Fundamentalista cristão anti-Islã assume ser o autor dos atentados na Noruega, mas se declara “inocente”.

Carlos Newton

Anders Behring Breivik confessou ser o autor do massacre que deixou 93 mortos na sexta-feira, na Noruega, mas se declara inocente. É um caso patológico, gravíssimo, a ser registrado nos anais da Psiquiatria.

Seu advogado parece ser mais alucinado do que o próprio trucidador. Segundo Geir Lippestad, que assumiu a defesa, Breivik acredita que seus crimes foram “atrocidades, mas necessários” e que não merece nenhum castigo por eles. O advogado disse ainda que Breivik se declara “não culpado”.

Para causar ainda mais sensação, ele queria a presença da imprensa ao ser interrogado hoje, para usar o tribunal como palanque e difundir suas ideias radicais, mas a audiência está sendo a portas fechadas.

Hoje de manhã, segundo as agências de notícias, manifestantes atacaram um carro que chegava ao tribunal, aos gritos de “traidor maldito”, acreditando que Breivik estava nele. Um dos manifestantes disse que o Volvo azul escuro levava o réu no banco de trás. Mas a polícia interveio e o automóvel seguiu em seu caminho.

“Todo mundo aqui quer ele morto”, disse uma das quatro pessoas que atacaram o carro.

Breivik, de 32 anos, definido como um fundamentalista cristão, anti-Islã e ultradireitista, usou balas especiais no massacre da ilha de Utoeya, onde quase 90 jovens morreram, de acordo com informações de um dos médicos que atenderam as vítimas no Hospital de Ringriket, nas cercanias da capital Oslo.

“Aquelas balas mais ou menos explodiram dentro dos corpos. E infligiram danos internos que são absolutamente horríveis”, comentou.

Especialistas em balística afirmaram que as balas chamadas “dum-dum”, a provável munição usada pelo atirador, são recortadas em forma de cruz, para que se abram dentro dos corpos das vítimas, atingindo-as com a maior gravidade possível.

Nunca se ouviu falar de um massacre de tamanha dimensão, cometido por uma só pessoa. É claro que se trata de um criminoso que sofre das faculdades mentais, não há dúvida.

Mas o fato de se tratar de um radical anti-Islã é um dado importante, que mostra como está evoluindo o racismo e o radicalismo religioso na Europa, como uma reação ao próprio avanço dos islamitas, que estão emigrando em massa para os mais diferentes países europeus. Essa história não vai acabar bem.

Viola Bjelland, porta-voz da polícia, confirmou à agência de notícias France Presse que, em circunstâncias excepcionais, podem ser pedidas oito semanas de detenção, o dobro do habitual.

“Geralmente, o máximo é de quatro semanas, mas em casos especiais pode-se pedir até oito semanas”, esclareceu Bjelland, que no entanto não soube dizer se este será o caso.

Na primeira ação, um carro-bomba explodiu próximo à sede do governo, no centro de Oslo, matando sete pessoas. No segundo ataque, o agressor atirou contra os participantes de uma colônia de férias da juventude do Partido Trabalhista (no poder) na ilha de Utoya, 40 km a oeste da capital, provocando ao menos 86 mortes.

Os dois ataques foram cometidos com apenas duas horas de diferença. A hipótese mais sólida era de que o suspeito tinha ativado o carro-bomba que explodiu na capital para depois seguir em direção à ilha, situada a cerca de 40 quilômetros da capital.

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