Não é tsunami, não é terremoto, não é tornado. São apenas chuvas de verão, previsíveis e desprezadas pelas autoridades incompetentes e corruptas.

Carlos Newton

A pungente texto situação de muitas comunidades atingidas pelas chuvas nos motiva algumas reflexões. Mas não é tsunami, não é terremoto, não é tornado. São apenas chuvas de verão, que todo ano se repetem, com maior ou menor intensidade. São como o Carnaval, o Natal e o Ano Novo, totalmente previsíveis, podem até ser marcadas no calendário (ou na agenda dos governantes).

Por que, então, as autoridades nada fazem? Aqui no Rio de Janeiro, o governador marqueteiro Sergio Cabral só pensa em viajar para Paris e sonhar em ser vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff em 2014. Recentemente, deu uma declaração chocante, ao afirmar, na noite de reinauguração do Palácio Guanabara: “O governador é o Pezão (vice-governador), o primeiro-ministro é o Regis (chefe da Casa Civil) e eu fico ali animando a festa”.

Na realidade, está provado que ninguém governa. Nem Cabral, nem Pezão, nem Regis. O Estado do Rio de Janeiro está à deriva, em meio às enchentes e desabamentos. Nenhuma obra importante foi feita. Das 54 pontes destruídas em 2010, apenas uma foi reconstruída, mesmo assim de forma provisória. A irresponsabilidade dos governantes é inacreditável, revela um chocante desprezo pela população.

Quem governa o Estado na verdade é uma quadrilha, cujas atividades serão alvo de um livro a ser lançado, que o ex-prefeito Cesar Maia anuncia sob o título de “A Privataria Pemedebista”, em preparo pela oposição no Rio. Seus capítulos estão quase basicamente listados e os textos em andamento. Segundo Maia, são tão óbvios que bastaria um olhar atento aos fatos para listá-los.

1. O aluguel de mão de obra como forma de desvio de dinheiro público.
2. As dispensas de licitações como caminho de favorecer os fornecedores e empreiteiros amigos.
3. O uso de ONGs como forma de se apropriar de recursos públicos.
4. A privatização da Saúde Pública através do uso concentrado de OSs improvisadas para este fim.
5. A privatização da Educação Pública, via ONGs, Institutos e Fundações.
6. A terceirização das próprias licitações de grandes obras públicas.
7. Uma concessão de transporte público de 30 bilhões de reais, simplesmente doada.
8. A mudança dos termos de concessão de serviços públicos de transportes sem nova licitação.
9. A mudança de concessões de serviços públicos, com troca de objeto, por objeto diverso, sem licitação.
10. O uso das prorrogações sem justificativa legal, para fraudar licitações.
11. A quebra de direitos dos servidores públicos e sua desmotivação para induzir a abandono e ampliar as privatizações.
12. O abuso e desvios com fundos de pensão de servidores.
13. O aluguel de equipamentos como forma de desvio de recursos e transferência a empresas de serviços amigas.
14. O uso da publicidade como forma de antecipar gastos de campanha em publicidade, pesquisa e TV.
15. O uso da publicidade fora da mídia técnica para gerar simpatias em setores da mídia.
16. O uso do BDI para inflar o custo de obras públicas e obter vantagens.
17. O uso do gasto público como forma de parceria oculta com o setor privado em eventos.
18. Como a legislação promove a especulação imobiliária.
19. O uso da mentira continuada como publicidade.
20. O uso de promessas inviáveis em governo, como forma de publicidade.
21. A cooptação de políticos, partidos e apoio legislativo em troca de cargos e favores.
22. O desvio de finalidade na aplicação dos recursos do FGTS diversa da decisão do Conselho do FGTS.
23. O planejamento do uso futuro da emergência, como forma de inflar obras em grandes eventos.
24. A repressão como intimidação dos pobres e assalariados e a porta para a extorsão.
25. A desmontagem dos sistemas de controle interno, para dar “liberdade” aos itens anteriores.

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