Não existe isso de homem escrever com vigor e mulher escrever com fragilidade

Resultado de imagem para lya luft frases perdas e ganhosPaulo Peres
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A professora, escritora, tradutora e poeta gaúcha Lya Fett Luft compõs num pequeno poema o seu “Autorretrato”. É uma intelectual revolucionária, que defende a igualdade de gêneros também na literatura. Seu posicionamento sempre foi bem claro: “Não existe isso de homem escrever com vigor e mulher escrever com fragilidade. Puta que pariu, não é assim. Isso não existe. É um erro pensar assim. Eu sou uma mulher. Faço tudo de mulher, como mulher. Mas não  sou uma mulher que necessita de ajuda de um homem. Não necessito de proteção de homem nenhum. Essas mulheres frageizinhas, que fazem esse gênero, querem mesmo é explorar seus maridos. Isso entra também na questão literária. Não existe isso de homens com escrita vigorosa, enquanto as mulheres se perdem na doçura. Eu fico puta da vida com isso. Eu quero escrever com o vigor de uma mulher. Não me interessa escrever como homem.”

AUTORRETRATO
Lya Luft

Alguém diz que sou bondosa: está tão enganado que dá pena.
Alguém diz que sou severa, e acho graça.
Não sou áspera nem amena: estou na vida como o jardineiro
se entrega em cada rosa: corte, sangue, dor e aroma
para que a beleza fique na memória
quando a flor passa.

(Amar é lidar com os espinhos de quem ama por inteiro: com força, não com fraqueza.)

8 thoughts on “Não existe isso de homem escrever com vigor e mulher escrever com fragilidade

  1. Pelo linguajar chulo que a autora adota para expressar sua indignação, é notoriamente perceptível que ela consegue escrever sem vigor moral e sem doçura fraternal, optando pela vulgaridade de quem se apossa do direito de opinar grosseiramente sob o manto do tão aclamado pretexto da liberdade de expressão.

  2. Sempre achei Lya Luft chatíssima. Só escreve banalidades e clichês. Nunca entendei porque dão tanto valor aos livros dela. Agora vem com palavrões, para dizer que escreve ‘com vigor’. Ser Dercy Gonçalves exige talento, não é só dizer palavrão. E nem existe isso de escrever ‘como homem’ ou ‘como mulher’.

  3. Paulo Peres, você é danado para postar o que a gente ama. Minha favorita. Tenho alguns livros dela. Ela tem o dom de deixar leitores instigados, como a gente poder ver em “perdas e ganhos.
    Está no livro “O lado fatal:
    “não digam que isso passa,
    não digam que a vida continua,
    que o tempo ajuda,
    que afinal tenho filhos e amigos
    e um trabalho a fazer.
    (…)
    Não digam nada (…)
    da minha dor sei eu”

    Escreveu quando partiu para o outro lado, seu querido Helio Pellegrino.
    Esse autoretrato é perfeito.

  4. Gosto da Lia Luft, a ex-mulher do Dr. Hélio Pellegrino. Gosto dela, dos textos dela.

    Mas acho que homem é fundamental. Ter um homem ao lado faz toda a diferença do mundo, mundo que ainda é, AINDA É, masculino.

    Se eu levo meu carro sozinha para reparar alguma coisa, sou atendida de uma forma. Se um homem vai comigo o atendimento é outro.

    Não quero me pendurar no homem (se bem que é bom também), mas tê-lo como igual, para partilhar a vida.

    Lembro de uma vez, na primeira faculdade, de meu ex ligar pra lá e deixar um recado, Estava gripado, muito gripado, com febre alta, e pediu para eu voltar pra casa.

    Não lembro mais a função de quem me entregou o bilhete, mas ele tinha um cargo alto na faculdade.

    O que o bilhete dizia formalmente, já não me lembro. Lembro do que já disse acima.
    Mas no final da escrita, esse funcionário graduado acrescentou: “Esses maridos…”

    Ele me queria perto, precisava de mim. Qual o problema?

    Claro que fui logo pra casa.

    Gosto de me sentir protegida. O homem também gosta disto. De proteger e de sentir protegido pela mulher. É uma discussão boba, sem sentido.

    Um faz falta ao outro, equilibra o outro. É NORMAL.

    Tanta coisa pra gente se preocupar…

    E na escrita cada um escreve o que quer e do jeito que sabe e gosta de escrever. Não é preciso ter o símbolo do masculino ou do feminino nas letras como nas portas dos banheiros.

    Por falar em escrever, estamos comemorando os 80 anos do Veríssimo. Lamento que ele tenha parado de fazer As Cobras. E também Dudu, o Alarmista.

    Estamos em boa época para usar Dudu, o Alarmista. Gostaria de ver uma tira do Dudo aqui na TI.

    Parabéns ao Veríssimo, a quem desejo felicidade e muitos anos de vida após os 80 anos. Oitenta anos é pra pra poucos.

    • Ofélia, acredito que um amigo, seja homem ou mulher, faz falta.Nenhum homem é uma ilha de John Donne (o Livro Por quem os sinos dobram de Hemingway, teve o título inspirado neste livro. Amo ler Lya Luft.
      De Luis Fernando Verissimo, oitentão agora, gostava muito da Velhinha de Taubaté, a criatura mais crédula nos noticiários da televisão e que acabou morrendo, diante das noticias do mensalão. Não tivesse morrido, morreria agora com o Petrolão.

  5. Está bem, Carmen, mas não era de amigos que falávamos aqui. Mas de homem e mulher. De escrita masculina e feminina, essas bobagens que Marina Colasanti e Affonso Romano atropelam com gosto.
    Abs
    Ofelia

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